Mais perto do cliente

Para mais se aproximar do cliente a FCA, Fiat Chrysler Automobiles, reformulou o seu serviço de distribuição de peças para a rede de concessionários. Com a Mopar, o seu braço de pós-venda, investiu R$ 15 milhões em novo centro de distribuição em Hortolândia, SP.

De lá são enviadas 2 milhões de peças/mês para quatrocentas revendas Fiat, Jeep e Chrysler em oito estados, Acre, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio Grande do Sul, Rondônia, Santa Catarina e São Paulo, com peças vindas dos Estados Unidos, Europa e Betim, MG.

Francesco Abbruzzessi, diretor da Mopar para a América Latina, disse que com o novo centro a empresa consegue atender a mais de 50% da rede em todo o Brasil, que é composta de quase setecentas casas:

“Vivemos um processo de mudança de cultura dentro da FCA. Saímos do foco no cliente para o foco do cliente. E isso faz uma enorme diferença, porque damos ao cliente o que ele realmente quer. E um dos gargalos que identificamos foi a falta de peças na hora em que o cliente precisa. A logística é parte fundamental nessa estratégia”.

Para dar certo a Mopar uniu toda a operação de distribuição de peças das marcas Fiat, Jeep e Chrysler em dois armazéns e dividiu a atuação de cada espaço. Antes, a companhia operava dois centros: Betim cuidava da Fiat e o de Louveira, SP, se dedicava a Jeep e Chrysler:

“Esses centros cuidavam do País inteiro, e com isso o tempo de trânsito da peça era, em média, de 4,3 dias. Unindo a operação das marcas e dividindo a atuação, Hortolândia com oito estados e Betim com o restante, conseguimos reduzir esse indicador em 34%. Hoje, em média, uma peça sai do armazém e em até dois dias está em seu destino”.

O CD de Hortolândia tem 42 mil m² e gerou cerca de trezentos empregos, diretos e indiretos. Em Betim a estrutura é maior, quase o dobro, e movimenta a mesma quantidade de peças do novo armazém, disse Abbruzzessi: “Este é, com toda a certeza, um dos CDs mais eficiente e mais moderno da Mopar no mundo”.

Em Hortolândia a MOPAR tem como parceiro logístico a DHL e inicia as operações com a metodologia do WCL, World Class Logistics. O WCL, composto por vinte pilares, é usado globalmente pela Mopar para aprimorar a qualidade do serviço, reduzindo perdas e desperdícios e garantindo melhor segurança de trabalho. A unidade utiliza, também, o conceito chamado HomeBase, que visa à maior produtividade dentro da operação: rapidez na separação, embalagem e expedição.

Segundo o executivo a ideia é adotar em Betim todas as práticas contidas na gestão do estoque em Hortolândia: “Ainda não temos o estudo concluído, mas devemos melhorar muito a eficiência do armazém antigo e torná-lo moderno. Até o fim do ano que vem esse CD estará reformado”.

O centro de Hortolândia faz parte de uma estrutura de mais de cinquenta unidades semelhantes da Mopar em todo o mundo, que dispõem de mais de 500 mil peças e acessórios para os mais de 70 milhões de veículos atendidos ao redor do mundo.

Gestão de estoque – Abbruzzessi contou também que a Mopar está adotando novo sistema de gestão de estoque em toda a rede de concessionárias das marcas, Fiat, Jeep e Chrysler. Segundo ele o sistema interliga o estoque da revenda com os CDs no Brasil:

“Com isso conseguimos saber exatamente qual peça tem giro mais rápido e em quanto tempo demoramos para abastecer esse ponto de venda. É um ajuste mais fino para atender ao cliente, porque, se o carro quebra, ele não quer esperar muito tempo para o conserto. Ele quer o carro pronto o mais rápido possível”.

Concessionárias dobram lucros com pregão eletrônico

Para expandir seus negócios e aumentar as margens de lucro, as concessionárias de automóveis estão recorrendo ao pregão eletrônico. De acordo com a AutoAvaliar, empresa que realiza essa modalidade de negócios, o lucro com a venda de usados via pregão online em sua plataforma foi de R$ 42 milhões 641 mil, mais que o dobro do acumulado no mesmo período do ano passado, R$ 20 milhões 322 mil.

Os custos administrativos são o principal fator de impacto nos ganhos das concessionárias, de acordo com o diretor Daniel Nino, da AutoAvaliar. “Antes, a margem de lucro na venda do carro era de, no máximo, 5%. O comércio eletrônico permitiu a rentabilidade crescer para até 12%”.

Cerca de 120 mil carros são avaliados por mês pela plataforma, o que permite identificar os modelos mais buscados nas transações. Neste ano, os modelos HB20, da Hyundai, e Onix, da Chevrolet, ambos do ano de 2014, lideram a preferência. Ambos costumam ficar, em média, 13 dias no estoque das concessionárias.

Vários fatores contribuem para a rapidez na revenda: o preço de compra, o custo de manutenção, o valor do seguro, o quanto ele é econômico em termos de combustível. “As marcas premium, cujos modelos são vendidos por até R$ 300 mil, têm pouco volume de vendas e liquidez menor”.

O preço de um mesmo modelo pode variar até 20% dependendo da região de compra e venda, o que afeta a liquidez. “A tabela Fipe tem um preço nacional único para todo o Brasil. Pela nossa tabela, percebemos que alguns modelos são preferidos de acordo com a região. Os carros da Toyota, por exemplo: os modelos Etios e Corolla são preferidos nas capitais. Já no interior, onde impera o agronegócio, a preferência é pelo Hilux”.

USADOS EM ALTA – A plataforma aposta no segmento de veículos seminovos, que está apresentando forte crescimento no mercado automotivo. Em 2016 foram vendidos dois milhões de automóveis novos e dez milhões de usados, o que corresponde, em média, um novo para cinco usados. Só no primeiro trimestre, essa relação aumentou de um para seis. “A crise econômica e a dificuldade na concessão de crédito afetaram a venda de carros novos. Hoje, o consumidor também prefere um usado com mais conforto e tecnologia do que um novo sem opcionais”.

Prefeitura de SP quer quatro mil ônibus novos até 2020

A Prefeitura de São Paulo entregou à Câmara Municipal a nova versão do plano de metas para a cidade até 2020, o qual estipula, no âmbito da mobilidade urbana, a adição de quatro mil novos ônibus à frota do transporte público local e a construção de 72 quilômetros de corredores. A notícia serve de alento a um segmento da indústria automobilística que registrou desempenho negativo nos emplacamentos no primeiro semestre e vem buscando fôlego nas exportações.

O atual serviço de transporte foi contratado em 2003, na gestão da então prefeita Marta Suplicy, e venceu em 2013. Desde então, vem sendo renovado e, agora, a prefeitura deverá tirar do papel um processo licitatório para cumprir com os objetivos estabelecidos no documento. Atualmente, segundo dados da SPTrans, a frota da cidade de São Paulo é composta por 14 mil 607 ônibus. Com a saída de modelos com mais de cinco anos de uso, como diz o texto entregue à Câmara, e a chegada das novas unidades, deverão circular pela cidade por volta de 18 mil ônibus.

Para a Mercedes-Benz, fabricante que detém a maior fatia do mercado nacional de ônibus urbano e principal fornecedora da Prefeitura na última licitação realizada, a possibilidade de negócio envolvendo quatro mil ônibus é importante para dar impulso a um mercado em queda desde 2013. A empresa informou que “o cenário atual do segmento de comerciais leves demanda negócios de renovação de frota, e que a licitação é de suma importância para a metrópole”. Atualmente, 900 ônibus articulados que circulam pela cidade levam o chassi da fabricante.

No primeiro semestre foram licenciados 2 mil 268 ônibus da Mercedes-Benz no Brasil, 27% menos com relação ao mesmo período do ano passado. Ainda assim, a fabricante segue líder no mercado de ônibus do País.

A Scania, por sua vez, enxerga incertezas no mercado de ônibus urbano até o final de 2017 por causa dos mandatos municipais que se iniciaram neste ano no País. A empresa acredita que não haverá renovação das frotas ou, se houver, incidirá em uma parte menor delas. Sobre o plano para a mobilidade de São Paulo até 2020, a companhia disse que será concorrente na próxima licitação de ônibus da capital, e que “trata-se de uma das maiores licitações de linhas urbanas do mundo”.

A Scania ocupou a quinta posição no mercado brasileiro de ônibus no primeiro semestre, com 249 ônibus licenciados. No entanto, foi a única fabricante que registrou desempenho positivo no período: 84,4% em relação a janeiro – junho do ano passado.

No primeiro semestre a produção de ônibus no Brasil cresceu 7,9%, na comparação com os primeiros seis meses do ano passado, muito em função das exportações – no semestre totalizaram 2 mil 619 unidades, alta de 7,6% com relação ao primeiro semestre de 2016. De acordo com dados da Anfavea, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, entre janeiro e junho deste ano foram produzidos 9 mil 973 chassis de ônibus, ante 9 mil 239 em igual período de 2016.

Um recorte apenas do segmento urbano indica alta de 10% no semestre. Foram produzidos entre janeiro e junho, 7 mil 269 unidades de chassis urbano e, em igual período de 2016, 6 mil 611

GM deverá investir R$ 1,5 bilhão na produção de Gravataí

O plano da General Motors de ampliar a unidade de Gravataí, RS, para produzir um novo veículo terá detalhes revelados nos próximos dias. Segundo o jornal Zero Hora, a empresa e o governo gaúcho deverão anunciar oficialmente o projeto de um SUV compacto que pode chegar ao mercado em 2020. Para produzir o veículo, só a GM investirá cerca de R$ 1,5 bilhão, segundo o jornal. Procurada, a General Motors informou que não comenta o assunto. Já o sindicato dos Metalúrgicos de Gravataí confirmou que a fabricante fará aportes na unidade para um novo produto que, inclusive, retomará o terceiro turno produtivo por lá.

A ampliação de Gravataí faz parte do planejamento de longo prazo da GM para o Brasil. Em agosto de 2014, a montadora anunciou a intenção de investir R$ 6,5 bilhões para produzir seis novos modelos. Tanto de veículos já fabricados em outras unidades da empresa no mundo quanto de novidades. Além do mercado interno, os automóveis seriam destinados a outros países emergentes.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Gravataí, Valcir Ascari, disse que a grande automação da linha dificulta o cálculo de quantos postos de trabalho serão criados com a produção do novo veículo. Hoje, estima o dirigente, apenas a GM tem cerca de 2,8 mil empregados. Contando com as empresas sistemistas que abastecem a fábrica de Gravataí, o número sobe para cinco mil. A expectativa, disse Ascari, é que o novo modelo permita contratações para o retorno do terceiro turno na unidade.

A negociação entre a fabricante e o governo gaúcho também passa por incentivos fiscais. Na semana passada, a Assembleia do estado aprovou projeto de lei que altera o Fundopem, programa de incentivo à indústria regional, e cria o Programa de Harmonização do Desenvolvimento Industrial do Rio Grande do Sul, o Integrar-RS. O mecanismo, segundo a secretaria de desenvolvimento do estado, não tem como objetivo beneficiar apenas uma empresa – no caso, a GM, – mas toda a cadeia de autopeças da região.

A unidade de Gravataí foi inaugurada em julho de 2000, após investimento de US$ 600 milhões para produzir o modelo popular Celta. A capacidade original era de 120 mil veículos por ano. Em 2004, a empresa anuncia a primeira ampliação ao custo de US$ 240 milhões para produção do sedã Prisma, lançado em 2006. A segunda expansão ocorreu em 2010 e demandou investimento de R$ 1,4 bilhão. A capacidade de produção foi elevada de 230 mil para 380 mil veículos por ano. O projeto era para a produção do Onix, que chegou ao mercado em 2012 e hoje é líder de mercado.

Aos 70 anos, Dana vai às compras e se renova

Aos 70 anos, a Dana, fabricante de sistemas de transmissão, vedação e gerenciamento térmico para veículos e máquinas, diversifica os seus negócios e para isso foi ás compras. No final do ano passado, ela adquiriu duas empresas e traçou planos para aumentar a participação no aftermarket em sua receita. A meta é passar de 8% para 15% já ao final de 2017.

Em novembro, a Dana comprou os negócios de transmissão de força e fluidos da empresa Brevini, em Limeira, SP, com o objetivo de duplicar seu mercado para sistemas de transmissão fora de estrada e também fornecer uma plataforma de tecnologias para veículos leves e comerciais, ajudando a acelerar as iniciativas de hibridação e eletrificação. Na época, a Brevini valia € 325 milhões e tinha uma dívida líquida de € 100 milhões.

Já em dezembro, ela foi novamente ao mercado e adquiriu as operações da Sifco em Campinas e Jundiaí, SP, por R$ 400 milhões. Com a compra fabricantes de componentes forjados e usinados, ela fortaleceu sua atuação nos mercados de componentes veículos fora-de-estrada e, aumentou também, a exportação desses itens.

Nos últimos cinco anos, a empresa investiu R$ 135 milhões na modernização de suas linhas de produção, de acordo com Luís Pedro Ferreira, diretor de relações institucionais e comunicações da Dana: “Temos uma extensa gama de produtos e queremos ampliar ainda mais nosso portfólio, nos preparamos para crescer e aumentar nossas exportações, que hoje alcança 21 países de cinco continentes. Estamos acompanhando a retomada do setor automotivo com os lançamentos de modelos e a volta da produção”.

História – Tudo começou com a venda de dois bisturis Solingen que trouxe na bagagem, o imigrante alemão Ricardo Bruno Albarus. Com o negócio, ele conseguiu o dinheiro necessário para abrir a Albarus, uma pequena oficina de mecânica de precisão em julho de 1947 em Porto Alegre, RS. Gradualmente, ele começou a produzir peças para a crescente frota de veículos que circulavam pelo País e que eram, à época, todos importados.

No ano seguinte, a Albarus começou a produzir cruzetas sob encomenda para o mercado de reposição para os veículos utilitários da marca Jeep. Pouco depois, a Ford, que ainda não possuía fábrica no País e importava seus veículos, encomendou a produção de mil cruzetas do cardan. O bom atendimento valeu a recomendação de contato com uma parceira da montadora, a fabricante dos Estados Unidos de eixos cardan Spicer Manufacturing Company, que anos depois viria a se chamar Dana.

A compra da Albarus foi o primeiro investimento da Dana fora dos Estados Unidos. Nos anos 70, a Dana assumiu o controle acionário da Albarus, e se tornou um dos mais importantes fornecedores de autopeças para as montadoras instaladas no Brasil.

No Brasil, a empresa tem operações em Gravataí, RS, Campinas, Diadema, Jundiaí, Limeira e Sorocaba, SP, com cerca de 3 mil funcionários. No mundo, ela possui unidades em 34 países e um total de 27 mil funcionários. Em 2016, o seu faturamento foi de US$ 5,8 bilhões.

O primeiro ônibus elétrico vem ai!

O primeiro ônibus elétrico começa a rodar na cidade de São Paulo em 31 de julho. O veículo tem capacidade para transportar 84 pessoas e autonomia de 300 quilômetros. Produzido pela BYD, em Campinas, SP, o ônibus tem baterias de fosfato de ferro, LiFePO4, que levam de 4 a 5 horas para serem totalmente recarregadas.

Segundo a Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes, SMT, o ônibus possui motores elétricos embutidos diretamente nas rodas e sistemas auxiliares hidráulicos e pneumáticos, integrados através de uma rede de controle. Isso significa que, em aceleração, o sistema consome energia das baterias tracionarias. Já nos momentos de frenagem, o sistema de tração transforma a energia cinética do ônibus em elétrica – e a armazena nas mesmas baterias.

O novo modelo, que opera com baixo nível de ruído e emissões zero, atende todas as exigências de acessibilidade como piso baixo, rampas de acesso e espaço para cadeiras de rodas, é equipado, também, com ar-condicionado, tomadas USB e Wi-Fi.

A SPTrans foi responsável pela adequação técnica necessária para atender as especificações contidas nas normas brasileiras ABNT NBR 15.570, NBR 14.022 e NBR 15.646 e em seu manual dos padrões técnicos de veículos.

Frota limpa – A capacidade de produção anual da BYD é de 400 desses veículos por ano. Atualmente, existem dois ônibus em operação na cidade que são totalmente movidos a bateria, ambos importados da China. “Vale ressaltar que a SMT está finalizando o edital de uma nova licitação para o sistema de transporte coletivo, que incluirá metas claras para a adoção de energias renováveis na frota”, informou a secretaria.

A SPTrans também estuda modelos mais adequados e factíveis de combustível limpo que devem ser adotados, conforme o cronograma de renovação da frota e a partir da licitação. A tarefa envolve um trabalho conjunto da secretaria com outras pastas do governo, o Ministério Público e, também, diálogo com representantes da sociedade civil por meio do Conselho Municipal de Transporte e Trânsito.

O carro autônomo pode resolver o problema do tráfego mas…

Um dos objetivos da ousada visão da Bosch para resolver muitos dos problemas da mobilidade é tornar o tráfego mais inteligente e, portanto, fluído. Em um cenário de caos urbano já presente na vida de milhões de pessoas todos os dias – e que tende a piorar com as projeções de que 70% da população passará a viver em cidades em 2050 –, as tecnologias autônomas surgem como grandes aliadas à eficiência.

A Bosch trabalha no desenvolvimento de diversas iniciativas que contribuirão para reduzir o trânsito no futuro por meio da tecnologia embarcada. Do projeto Vision X, que aponta o futuro dos veículos comerciais em alguns anos à cabine HMI, do inglês Human Machine Interface, que demonstra como será a interação das pessoas nos automóveis. Quase tudo será autônomo, conectado e, nas soluções mais avançadas, utilizará inteligência artificial.

Mas antes de tudo isso ficar disponível para os consumidores alguns desafios devem ser superados. Um deles é a capacidade de processamento do gigantesco volume de informações necessário para todas as tecnologias atuarem de forma eficiente. E o outro é a segurança dos sistemas eletrônicos contra ataques que podem sequestrar remotamente um veículo.

Dirk Hoheisel, do board da Bosch, disse, durante a conferência sobre mobilidade que a sistemista promoveu em sua pista de testes em Boxberg, Alemanha, que a segurança é um dos grandes desafios da tecnologia autônoma e até há pouco tempo os sistemas automotivos não eram construídos com essa preocupação: “Essa não era uma especialidade da indústria automotiva. Por isso estamos adquirindo empresas que dominam esse conhecimento e vão contribuir para tornar os veículos autônomos totalmente seguros para seus usuários”.

Em teoria hoje é possível um hacker quebrar a segurança dos sistemas automotivos e assumir o controle de um automóvel. Alguns fabricantes já realizaram testes comprovando a vulnerabilidade dos sistemas eletrônicos e conectados.

Para a Bosch, as novas tecnologias que estão chegando aos veículos deverão ter um nível de segurança semelhante ao dos bancos, o setor mais avançado nesse particular: “Temos a confiança que a próxima geração da tecnologia autônoma terá um nível alto de segurança. Mesmo assim hoje é difícil dizer que não será inviolável”.

Como anda – Durante o evento um Tesla Model S estava equipado com a tecnologia Bosch que transforma o veículo em um autônomo nível 4 – capaz de identificar obstáculos em movimento e agir para evitar acidentes.

De acordo com a empresa foram 1,4 mil horas de trabalho para incluir 50 novos componentes da Bosch no veículo como sensores ultrassônicos, câmeras estéreo e uma série de sensores de média e longa distância, conectados em 1,3 mil metros de cabos e 400 braçadeiras.

Para começar a utilizar o veículo o sistema tem que validar a retina e o rosto do motorista cadastrado. Esse sistema monitora o tempo todo o comportamento do motorista e em caso de falta de atenção à estrada por um longo período ele estaciona o veículo, solicitando que a pessoa à frente do volante fique atenta pois, a qualquer momento, pode ser requisitada a tomar os comandos.

Na pista uma moto se aproxima em alta velocidade e o sistema calcula com antecedência uma possível colisão de rota. É emitido um alerta e depois o veículo freia, esperando a moto cruzar o seu caminho. Curvas são moleza para serem vencidas pela tecnologia. Mas o volante girando sozinho realmente ainda é uma novidade que assusta os ocupantes. Será que vai dar conta de fazer a manobra?

Mesmo em um ambiente controlado e com todo o mapeamento feito com antecedência pelos sensores e radares, a tecnologia autônoma desarma em certo momento. Tudo bem, o motorista atento assume o controle e pode, logo em seguida, apertar os dois botões no próprio volante para transferir a condução novamente à nova tecnologia.

Hoheisel esclarece que os carros autônomos precisam de treinamento: “São três elementos-chave: conhecimento profundo do ambiente em que transita – cidade, estrada, presença e comportamento dos pedestres ou dos caminhões, por exemplo. Mapas completos, com detalhamento de pontos de perigo, buracos, velocidade permitida, tudo isso em alta definição. E os diversos sensores que equipam esse veículo para que a condução autônoma seja eficiente”.

A Bosch investe € 300 milhões em inteligência artificial este ano. O objetivo desse aporte é aumentar rapidamente a capacidade de processamento de informações dos autônomos. “A nova tecnologia tem captar e interpretar todas as informações ao seu redor. Porque o maior problema é o comportamento dos outros no trânsito. Os sistemas autônomos precisam de experiência para poder agir com eficiência.”

Dados alarmantes evidenciam o enorme benefício que a condução autônoma poderá trazer para a segurança e, principalmente, fluidez do tráfego:

– A condução autônoma pode representar uma economia de tempo de 95 horas a cada ano a partir de 2025

– A condução autônoma melhora o fluxo de tráfego, permitindo que até 80% mais veículos atravessem um cruzamento controlado por semáforo

– A condução autônoma poderia economizar 400 mil toneladas de CO2 por ano na Alemanha, China e nos Estados Unidos em 2025

Atendendo bem, o cliente volta

Com movimento de vendas baixo, as concessionárias do País apostam no atendimento como diferencial competitivo na concorrida por novos clientes. Uma espécie de esforço em reter consumidores em um contexto onde as lojas multimarcas, tem se mostrado como alternativa ao modelo tradicional de varejo de veículos.

Segundo estudo de mercado da JD Power, que avaliou o comportamento de compra de 3,7 mil proprietários de veículos de março a abril deste ano, as concessionárias perceberam que a abordagem junto ao consumidor aliada a outros fatores, como estoque e localização do ponto de venda, determinou a compra de veículos no período de análise.

Sergio Sanchez, gerente de pesquisa da consultoria que avaliou o varejo automotivo, disse que houve uma evolução natural no comportamento do cliente no ponto de venda na medida em que se modernizou o parque de veículos do Brasil: “Independente da marca, o ideal para manutenção das vendas nas concessionárias é que elas adotam uma estratégia de venda diversificada, ou seja, que leve em consideração outro fatores fora preço, uma vez que o consumidor demanda outros quesitos para formular uma compra”.

Sob o ponto de vista da retenção, a pesquisa indicou que o consumidor retornaria àquela loja que considerou ter o melhor atendimento, ainda que o preço não fosse atrativo. 53% dos entrevistados se posicionaram afirmativamente diante dessa possibilidade apresentada na pesquisa. Preço baixo, de maneira isolada, despertou o interesse de uma parcela menor, 39% dos participantes.

A pesquisa mostrou também que as concessionárias adotam estratégias de vendas alinhadas com o perfil da marca no mercado. Aquelas que vendem veículos mais baratos, por exemplo, tem planos de vendas focados na batalha por preço. Outras que possuem em seu portfólio veículos com preços mais altos, dão ênfase maior ao serviço por entenderem que seus clientes querem um atendimento mais exclusivo.

Para Sanchez, no entanto, o novo perfil do consumidor brasileiro demanda uma estratégia que misture ambas as características: “Mesmo aquele cliente com um poder de compra restrito está mais exigente com relação ao atendimento, até porque ele hoje tem outras opções de canais de vendas e visita todos eles. Por causa da crise, preço passou a ser um fator considerado pelas classes A e B no momento da compra de um veículo, por exemplo”.

Agrupando as montadoras por razões de escolha da concessionária, notam-se as seguintes relações, de acordo com a pesquisa da JD Power. Quando a principal razão é o preço, as três marcas que atraem mais os clientes são: Renault, 36% dos entrevistados, Chevrolet, 33%, e Fiat, 30%. Quando o motivo principal da escolha é por bom atendimento, as marcas mudam completamente, com: Toyota, 21%, Nissan, 20%, e Hyundai-CAOA, 18%.

Começa a corrida pelo Prêmio AutoData 2017

Está começando o Prêmio AutoData 2017. O grupo de jornalistas da AutoData Editora reuniu-se na semana passada, em São Paulo, e definiu, por meio de votação, todas as empresas, produtos e executivos que, por seus méritos e realizações ao longo dos últimos doze meses, se destacaram e, assim, se credenciaram para participar da eleição final do Prêmio deste ano.

O Prêmio AutoData é o principal reconhecimento empresarial do setor automotivo brasileiro e chega, este ano, à sua décima- oitava edição. Este ano o processo de escolha sofreu algumas alterações na sua estrutura, com o lançamento de novas categorias e o fato de que as empresas participantes serão homenageadas em evento único, que será realizado no início de novembro, em São Paulo, que marcará, também, o ponto alto das comemorações dos 25 anos da AutoData Editora.

Em sua nova estrutura o Prêmio terá dezessete categorias, sendo onze destinadas a destaques empresariais, cinco de produtos e o Personalidade do Ano, para executivos. Todas estas empresas, produtos e executivos já são automaticamente homenageados com o título de Melhores do Setor Automotivo 2017.

Como novidade importante deste ano foram criadas três categorias, duas empresariais e uma de produtos: Powertrain, que substitui a categoria de motores, Marketing, Comunicação e Propaganda e Veículos Importados. As categorias de Produtores de Carroçarias de Ônibus e Produtores de Implementos Rodoviários foram reunidas em uma só, batizada agora de Produtor de Carroçarias e Implementos.

Este ano os jornalistas da AutoData Editora escolheram 41 empresas, vinte veículos e quatro executivos para receber o título de Melhores do Setor Automotivo e, assim, concorrer ao Prêmio AutoData cujo processo eletivo começa em setembro. A relação completa segue abaixo e também será publicada na edição 336 de AutoData de agosto. Como sempre os cases correspondentes a cada indicação serão publicados na edição de setembro de AutoData.

Os vencedores de cada categoria são eleitos pelo voto direto dos leitores de AutoData, da revista e da Agência AutoData de Notícias, além dos participantes do Congresso Perspectivas 2018, evento que será realizado em São Paulo em 16 e 17 de outubro.

Para votar o assinante de AutoData acessará ambiente especial, hospedado no novo site. Até o fim deste mês este espaço estará disponível para visualização dos cases e para o processo de votação eletrônica, mais uma novidade desta edição do Prêmio. Os participantes do Congresso também votarão por meio eletrônico ao longo dos dois dias do evento.

Veja a lista dos Melhores do Setor Automotivo do Prêmio AutoData:

NSK dribla crise com clientes cativos

A fabricante de rolamentos NSK tem estado longe da crise. Com atuação no setor automotivo e industrial aumentou sua produção em 1 milhão de unidades com relação ao mesmo período do ano passado, chegando a 3,5 milhões em julho. E a meta para até o fim do ano é crescer em mais 500 mil.

Carlos Storniolo, presidente da NSK Brasil e Argentina, disse que o bom desempenho se deve ao fornecimento para montadoras como Toyota e Honda, que mantiveram seus volumes, e a novos contratos, principalmente com a Vale e a ArcelorMittal:

“Eu tento explicar, para nossos executivos no Japão, que a unidade brasileira está crescendo apesar do momento de crise. Ganhamos 4 pontos porcentuais de participação em um mercado cujas vendas caíram mais de 20%. Nossos clientes automotivos, notadamente Honda e Toyota, mantiveram seus volumes durante a crise”.

Atualmente, nos dois segmentos, automotivo e industrial, a participação da NSK é de 30%. O executivo contou que metade da produção de rolamentos é destinada aos clientes industriais e os outros 50% para as montadoras: “Exportamos parte da nossa produção de rolamentos para indústria para Argentina, Paraguai e Uruguai e parte da produção automotiva segue para os Estados Unidos”.

Reposição – Segundo ele a empresa também expandiu seus negócios e adotou nova estratégia no aftermarket automotivo, para duas e quatro rodas, cujos resultados foram “acima do esperado”. A empresa, desde 2012, exerce a fidelização dos clientes por meio do seu programa de gerenciamento de ativos, que visa a prolongar a vida útil dos seus rolamentos:

“Em vez de vender novos rolamentos propomos soluções para utilizar o produto adequado para cada tipo de situação, gerando economia para nossos clientes”.

Até agora 628 projetos já foram validados gerando economia de R$ 35,9 milhões aos clientes.

A NSK produz diferentes tipos de rolamentos para a indústria automotiva, presentes em várias partes de um veículo, como rodas, alternadores, transmissões e bancos. Um modelo Volkswagen Gol, por exemplo, contém cerca de sessenta rolamentos na sua fabricação.

História – Este mês a NSK completa 45 anos da fabricação de seu primeiro rolamento no Brasil e o início de suas operações em Suzano, SP, a primeira construída fora do Brasil. Hoje a fábrica emprega mais de quinhentos funcionários.

A NSK tem 64 fábricas em doze países, catorze centros tecnológicos em nove países e 120 escritórios de vendas em trinta países. Seu faturamento global, em 2016, foi de US$ 8 bilhões 93 milhões.