Sai o acordo com a Colômbia. Enfim.

Os governos do Brasil e da Colômbia assinaram na sexta-feira, 21, acordo de complementação econômica que beneficiará as relações de comércio exterior dos dois países, principalmente de veículos e autopeças. Antiga reivindicação da Anfavea o acordo poderá ser fator de incremento de embarques para o mercado colombiano, um dos que mais crescem na América Latina.

Segundo o MDIC o novo acordo ampliará as preferências pactuadas nos setores têxteis e siderúrgicos, permitindo a desgravação total das alíquotas do Imposto de Importação aplicadas a esses segmentos e possibilitará, em breve, a entrada em vigor do acordo automotivo assinado em 2015.

O acordo automotivo, além de zerar alíquotas de importação, prevê a concessão de 100% de preferência para veículos dos dois países, com cotas anuais crescentes. No primeiro ano serão 12 mil unidades, no segundo 25 mil, e a partir do terceiro 50 mil unidades.

Para o ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços o acordo automotivo com a Colômbia é de grande importância para a indústria brasileira: “A Colômbia é um excelente mercado para os veículos fabricados no Brasil devido à proximidade geográfica. Todas as empresas instaladas aqui, que possui o maior parque industrial automotivo da América do Sul e um dos maiores do mundo, serão beneficiadas com esse acordo”.

O ministro disse ainda que o acordo também proporcionará maior agilidade nas tomadas de decisão e colaborará para a criação de um novo cenário para as relações econômicas e comerciais na região latino-americana.

Em 2016 as exportações brasileiras para a Colômbia cresceram 5,7% com relação ao ano anterior, passando de US$ 2 bilhões 115 milhões para US$ 2 bilhões 235 milhões. No mesmo período as importações brasileiras da Colômbia diminuíram 23,7%. Assim a balança comercial com a Colômbia resultou em superávit de US$ 1 bilhão 327 milhões para o Brasil em 2016. No ano anterior o superávit foi de US$ 926 milhões.

No ano passado a pauta de exportações brasileiras para a Colômbia foi formada, principalmente, por produtos manufaturados, 88% do total. Os principais produtos brasileiros exportados para a Colômbia em 2016 foram automóveis, 5,5%, óleos brutos de petróleo, 5,5%, polímeros de etileno, propileno e estireno, 4,9%, pneumáticos, 4,5%, preparações para a elaboração de bebidas, 3,6%, produtos laminados planos de ferro ou aços, 3,5%, veículos de carga, 2,7%, medicamentos para medicina humana e veterinária, 2,7%, partes e peças para veículos automóveis e tratores, 2,3%, motores para veículos automóveis e suas partes, 2,1%.

Na Alemanha cresce a polêmica do cartel de montadoras

A revista semanal Der Spiegel, da Alemanha, publicou que Audi, BMW, Daimler, Porsche e Volkswagen formaram cartel, desde os anos 90, para acordar questões relacionadas a tecnologia, custos, fornecedores e, inclusive, às emissões de gases poluentes nos veículos movidos a diesel. A BMW assegurou, em nota, que seus carros “não são manipulados e cumprem todos os requisitos legais, incluindo os modelos diesel”. As informações são do Flash de Motor, da Venezuela.

Segundo a revista as empresas definiam o tamanho dos tanques para o AdBlue, solução de ureia utilizada para reduzir as emissões de óxidos de nitrogênio, NOx, para limitar os custos. Eram tanques pequenos que, ao fim, se comprovou que eram insuficientes para diminuir as emissões.

A BMW rechaçou categoricamente as acusações e reafirmou que sua tecnologia difere significativamente das de outras empresas. Disse, ainda, que ao contrário de outros fabricantes seus veículos a diesel utilizam uma combinação de vários componentes, o que permite cumprir a legislação e não ter que chamar seus carros para recall, como acontece com outras marcas.

No entanto a BMW observou, em comunicado, que melhorará, voluntaria e gratuitamente, o software dos motores Euro 5 para reduzir as emissões, ação inserida em plano de medidas que a indústria e as autoridades locais criaram, o Summit Diesel, programado para 2 de agosto.

Já a Volkswagen informou que realizará na quarta-feira, 26, reunião especial do conselho de supervisão para discutir alegações de cartel, disse uma fonte à Agência Reuters. Um porta-voz da VW confirmou a reunião extraordinária na quarta-feira, mas se recusou a falar mais sobre o assunto.

Grupo VW segue forte em caminhões e ônibus

As vendas mundiais de veículos pesados da Volkswagen Caminhões e Ônibus cresceram 8% no primeiro semestre. Foram comercializadas 96 mil unidades. Com isso, as três marcas do grupo. MAN, Scania e Volkswagen Caminhões e Ônibus, demonstram forte de tendência de crescimento na segunda metade do ano.

Segundo a Volkswagen, no primeiro semestre as vendas na MAN Truck & Bus chegaram a 41,7 mil veículos, alta de 5%. Já os licenciamentos de veículos da Volkswagen Caminhões e Ônibus foram apoiados pela demanda positiva das exportações, com 11 mil 750 unidades, 16% maior do que no ano anterior. Na Scania, as vendas aumentaram 8% com relação a janeiro a junho de 2016, alcançando 43 mil 610 caminhões e ônibus.

Andreas Renschler, CEO da Volkswagen Truck & Bus e integrante do Conselho de Administração do Grupo Volkswagen, disse que a tendência de desempenho positivo continua na segunda metade do ano, especialmente na América do Sul, China e na Rússia: “Estamos muito satisfeitos com o desenvolvimento de nossas vendas unitárias e o acúmulo adicional da Volkswagen Truck & Bus no primeiro semestre 2017”.

No setor de caminhões, as três marcas registaram um aumento nos números de vendas. Com um total de 87 mil 530 veículos, alta de 7% com relação ao mesmo período do ano anterior. Na União Europeia, as vendas foram de 53 mil 860 unidades, quase ao mesmo nível que em 2016.

Na América do Sul, as marcas registraram vendas de 13 mil 230 caminhões, aumento de 20% com relação ao ano anterior. Na Argentina, as reformas adotadas pelo governo e o impulso do setor agrícola levaram a um aumento significativo nas vendas. Na Rússia, sinais de recuperação econômica e queda das taxas de inflação geraram crescimento considerável nos negócios. O desenvolvimento positivo nas vendas na China teve uma contribuição importante para o crescimento de 47% nas vendas na região Ásia-Pacífico, segundo a VW.

O negócio de ônibus também se desenvolveu positivamente no primeiro semestre de 2017. As vendas de ônibus das marcas Volkswagen Truck & Bus totalizaram 8 mil 480 veículos, aumento de 12%.

Receita da Randon recua 8,5% no semestre

As Empresas Randon, de Caxias do Sul, RS, fecharam o primeiro semestre com receita líquida consolidada de R$ 1,3 bilhão, queda de 8,5% na comparação com igual período do ano passado. Os dados foram divulgados por meio de comunicado enviado à Bolsa de Valores de São Paulo. O faturamento bruto acumulado totalizou R$ 1,9 bilhão, recuo de 6,4%.

Em junho, a receita líquida somou R$ 246,9 milhões, alta de 17,8% sobre o mesmo mês de 2016. Com relação a maio, o resultado permaneceu praticamente estável, 0,5% de crescimento. Já o faturamento bruto somou R$ 353,6 milhões, elevação de 17,8% sobre junho do ano passado e de 0,5% com relação a maio.

A controlada Fras-le também publicou os números preliminares do semestre. A receita líquida apurada de janeiro a junho sofreu queda de 6,9%, totalizando R$ 392,4 milhões. Já o faturamento bruto chegou a R$ 592,2 milhões, recuo de 4,8%.

Ao contrário do grupo, a Fras-le teve desempenho negativo em junho, com a receita líquida 5,2% inferior ao mesmo mês de 2016, totalizando R$ 70,3 milhões. Com relação a maio, a queda foi de 3%. O faturamento bruto mensal de R$ 110,2 milhões foi 1,7% inferior a junho de 2016 e 5% superior a maio.

Os resultados completos do semestre serão publicados em 8 de agosto pela Fras-le e, no dia seguinte, pelas Empresas Randon. Por se encontrarem em período de silêncio, determinado por lei, as diretorias não comentam os resultados preliminares.

Chery busca mercado com vendas diretas

Única empresa chinesa de veículos que instalou fábrica no Brasil a Chery aposta nas vendas diretas a clientes corporativos como estratégia para ganhar mercado após dois anos de produção local. Até junho 28% das suas 1 mil 250 unidades emplacadas foram vendidas de forma direta a pequenas e médias empresas. Um plano comercial em curso, que envolve contratos de fornecimento de pequenos lotes a locadoras de carros, pode elevar esta fatia para 35% até dezembro.

Na semana passada a empresa fechou o primeiro negócio com locadora. À Inova, de Santa Catarina, foi vendido lote de quinze unidades do QQ, veículo de entrada que passou por reformulação e teve um novo modelo lançado em abril. Segundo o contrato firmado a locadora fica com a responsabilidade de promover os veículos na região.

De acordo com o diretor de vendas Fábio Campos este modelo de negócio representa duas oportunidades: a primeira, aumentar a capilaridade de maneira mais rápida – e barata – da rede de concessionárias, que hoje tem 28 lojas. A segunda é popularizar o seu portfólio, visto pela empresa como pouco conhecido em mercados além dos grandes centros:

“É um contrato de fornecimento e também uma forma de se costurar parcerias com empresas que conhecem bem os mercados onde atuam. É um ganho de tempo em contexto de expansão da nossa oferta sem que haja investimento pesado em ações de marketing para desmistificar o veículo chinês”.

Henrique Sampaio, gerente de marketing da empresa, afirma que os veículos da Chery possuem características aderentes às demandas dos clientes corporativos – perfil de comprador que, para a empresa, vai dos grandes frotistas ao microempreendedor que compra um veículo utilizando o CNPJ da empresa para poder trabalhar: “São clientes que, mais do que outros fatores, buscam por veículos novos que tenham preço mais competitivo”.

Fora o esforço de vendas realizado diretamente nas locadoras a fabricante busca contratos por meio do sindicato que as representa, o Sindiloc. Na semana passada Campos reuniu-se com integrantes da entidade para divulgar as condições especiais oferecidas pela Chery às empresas que venham a renovar suas frotas.

O plano traçado pela empresa é fruto de processo de reestruturação pela qual a área comercial passou recentemente. A contratação dos executivos Campos e Sampaio, por exemplo, foi outra decisão no sentido de explorar melhor as oportunidades no segmento de clientes corporativos: ambos trabalharam durante dezesseis anos na área comercial da Volkswagen e Campos era o especialista da empresa nas negociações com clientes considerados chave e, também, com o governo.

As vendas diretas às empresas, fora ser um canal de vendas importante e que tem sua participação crescendo em todo o mercado – aumentou em 35% sua participação nas vendas do setor, segundo a Fenabrave, no primeiro semestre –, é vista pela Chery como uma forma de ocupar a linha de produção instalada em Jacareí, SP. A fábrica de US$ 530 milhões foi projetada para produzir 150 mil carros por ano, em três turnos. Hoje a capacidade está em 10 mil unidades por ano, com apenas um turno.

Com o eventual sucesso do método de buscar mercado para o QQ, a empresa produzirá o SUV Tiggo, ainda inédito no mercado brasileiro: “Sua produção tem início previsto para o segundo semestre, e acontecerá quando percebermos que há demanda e um caminho pavimentado pela modalidade de venda às locadoras com modelos QQ e Celar”.

Compartilhamento é solução para o trânsito?

Durante o Fórum Mobilidade, realizado na quinta-feira, 20, em São Paulo, promovido pelas revistas Quatro Rodas e Superinteressante, o compartilhamento de veículos foi considerado uma das alternativas mais viáveis para melhorar a mobilidade urbana. Nesse sentido a General Motors apresentou o programa Maven, por enquanto disponível apenas para seus funcionários.

Para seu diretor, Péricles Mosca, o compartilhamento de carros será cada vez mais comum nos grandes centros urbanos “para não ficarmos presos no trânsito. Em Nova York, por exemplo, é compatível o uso da ferramenta, do aplicativo, mas não no interior do Kansas”.

Ele lembrou que os veículos são conectados pela plataforma tecnológica On Star, que permite acompanhar o trajeto do carro, avisar sobre acidentes e abrir e fechar as portas. Em caso de roubo o veículo é encontrado em duas horas.

Outra forma de compartilhamento é a do aplicativo Pegcar, que permite que pessoas compartilhem seus próprios carros. No Brasil desde 2015 o serviço já conta com mais de 25 mil usuários e quinhentos veículos. Com atuação em São Paulo, Paraná e Minas Gerais o objetivo é ampliar ainda mais a capilaridade da rede, segundo seu fundador, Conrado Ramires: “Cada pessoa que compartilha carro evita de doze a catorze veículos em circulação nas ruas. O sistema permite, ainda, ao usuário, uma renda extra: há quem ganhe até R$ 1,5 mil por mês”.

O aplicativo Bynd procura conectar pessoas que têm rotas compatíveis para compartilhar a carona solidária. Como clientes estão empresas como Mercado Livre, pois o foco é a carona corporativa, de acordo com o co-fundador Gustavo Gracitelli: “Segundo a CET em São Paulo 62% das pessoas vão de carro para o trabalho e 64% vão sozinhas. Queremos conectar pessoas com perfis e interesses semelhantes”.

Guilherme Telles, diretor do Uber, disse que o aplicativo de transporte de passageiros é um dos que mais cresce em número de usuários no Brasil. Ele, que participou de um dos painéis do evento, contou que o País já é o segundo em volume de negócios, depois dos Estados Unidos: “Em São Paulo 20% dos usuários utilizam o uber pool, em que os clientes dividem a corrida. Já em São Francisco, na Califórnia, esse número é de 50%. O compartilhamento diminui a quantidade de veículos nas ruas em 10%, melhorando o trânsito. Mas essa modalidade ainda é pouco utilizada no País”.

Mais pimenta para up! e Saveiro

O Fox ganhou mais dois companheiros na Linha Pepper, up! e Saveiro, que agora também têm versões com o apelo esportivo dessa linha que entrou no portfólio da Volkswagen em 2014. Os modelos chegam às concessionárias até o fim deste mês.

O Fox Pepper é oferecido com o motor 1.6 MSI de até 120 cv, que pode ser associado ao câmbio manual de seis marchas ou à transmissão I-Motion, de trocas de forma automática. A Saveiro Pepper está disponível nas carrocerias de cabine estendida e dupla, sempre com a motorização 1.6 de até 104 cv e câmbio manual de cinco marchas. O up! Pepper traz a motorização 1.0 TSI de até 105 cv e transmissão manual, também com cinco marchas.

Segundo a Volkswagen essa série especial está disponível nas cores Preto Ninja, Branco Cristal, Prata Sirius e Vermelho Flash. Para trazer ainda mais diferenciação as capas dos espelhos retrovisores externos têm cores diferentes da carroceria. Ela conta, ainda, com adesivos nas laterais das portas dianteiras e na tampa do porta-malas com o nome da versão – pintada de preto.

Internamente os modelos da linha trazem ambientação escurecida. Forro de teto, para-sóis, colunas e acabamento do espelho retrovisor são pretos, pretendendo conferir ainda mais esportividade à cabine do compacto. Volante é multifuncional, revestido em couro, e a alavanca de câmbio e as saídas de ar no painel são em vermelho. O logotipo Pepper aparece nas soleiras das portas e nos bancos revestidos de couro sintético Native.

O up! Pepper será vendido a partir de R$ 57,9 mil e o preço da Saveiro Pepper partirá de R$ 67 mil 810, a cabine estendida, e R$ 71 mil 90 o modelo cabine dupla. A VW não informou o preço do Fox nessa configuração.

Segundo Gustavo Schmitt, vice-presidente de vendas e marketing, a inclusão do up! e da Saveiro nessa linha mais esportiva faz parte da ofensiva da VW para conquistar market share no Brasil: “Esse movimento já começou. Em abril, com o lançamento do novo up!, realizamos oito eventos no Brasil para apresentar mais de perto o carro aos nossos revendedores”.

Ele contou que no mês passado a empresa levou os onze principais grupos de concessionários para a Alemanha para conhecerem planos, estratégia e táticas da companhia para até 2025: “Antes disso já havíamos mostrado a oitenta grupos a nossa ofensiva de produtos. Essa aproximação com a rede é fundamental para ganharmos mercado”.

O quanto o terceiro lugar incomoda a VW

A Volkswagen do Brasil deu início à sua ofensiva para voltar ao topo do mercado brasileiro. Hoje a montadora, que durante décadas sustentou o primeiro lugar no ranking, amarga a terceira posição, ficando atrás de General Motors e Fiat, com 12,60% de participação. David Powels, seu presidente, foi categórico: “Ser o terceiro no Brasil não é o lugar da Volkswagen”.

Ele disse que, no ano que vem, pelo menos a segunda posição será alcançada – e a liderança até 2020

“Começamos a ofensiva quando traçamos nossos planos para a operação. Com os novos produtos que serão lançados no ano que vem, o novo Polo e o Virtus, já daremos um grande passo. A matriz quer que sejamos rentáveis. Liderança de mercado é uma consequência. Mas estar em terceiro ou quarto lugares não é realmente o ideal para a Volkswagen”.

Powels contou que uma das táticas é renovar toda a linha de produtos no Brasil em três anos. Isso inclui, ainda, a entrada em segmento que a VW namora, o de SUVs:

“Temos projetos para São José dos Pinhais e para São Bernardo do Campo. E está também nos planos a produção de um modelo novo na Argentina. Esse é um segmento que vem crescendo no País. Consumidores de hatches médios e sedãs estão migrando para os utilitários esportivos”.

De acordo com dados da Fenabrave até junho foram comercializados 182 mil 331 SUV’s no mercado brasileiro, mais de 10% das vendas totais no Brasil no período.

O Fox, segundo o presidente, também será reformulado, ficará mais alto e ganhará características de utilitário esportivo: “As mulheres gostam de carros altos. A posição de dirigir mais elevada é uma das modificações que vamos fazer no modelo”.

Outra tática, contou Powels, é tornar o portfólio mais simples: há dois anos existiam 347 combinações possíveis na gama de produtos Volkswagen. Isso foi reduzido para menos de cem e, até dezembro de 2018, a meta é chegar a 93 possibilidades: “Em 2019 podemos reduzir ainda mais. Isso nos ajuda na diminuição de custos tanto na produção quanto na revenda. O estoque do concessionário fica mais justo. O Brasil é muito diferente do mercado europeu, por exemplo, e o brasileiro não gosta de esperar muito para receber o carro. Ele quer comprar e já sair com o automóvel. E com um portfólio mais simples isso é mais fácil”.

Segundo ele essa simplificação na gama foi uma demanda das empresas concessionárias, por meio da sua entidade, a Assobrav: “Essa aproximação com a rede de concessionárias é importante nesse momento de recuperação de mercado. Hoje, temos 545 lojas com 237 grupos, uma rede grande para o volume que fazemos hoje mas ideal para quando tivermos toda a linha renovada. Estamos preparados para a nossa ofensiva”.

No ano passado a VW vendeu 228 mil 473 unidades e, até junho, 100 mil 206, segundo dados da Anfavea.

“Esse ano devemos crescer em mercado no Brasil e na América Latina. Esperamos chegar 430 mil veículos vendidos na região e 300 mil no País. E mesmo assim não fecharemos o ano no azul. É impossível lucrar no mercado de hoje. Todo mundo perderá dinheiro este ano.”

Segundo Powels a operação brasileira apresenta prejuízo desde 2015.

Exportação – A produção no Brasil, também crescer este ano, afirmou o presidente> a expectativa é fabricar mais de 400 mil veículos nas três fábricas que mantém no Brasil. No ano passado esse volume chegou a 335 mil unidades e em 2015 a 425 mil veículos. Isso para abastecer os 28 países que compõem a região América do Sul e Caribe: “Temos plano para exportar 150 mil veículos este ano. Em 2016 os embarques totalizaram 106 mil unidades”.

O executivo afirmou que nos 26 da região, excluindo Brasil e Argentina, a Volkswagen detinha 2% de participação nas vendas. Só nos primeiros três meses deste ano a empresa conquistou fatia de 3,2%:

“É mercado de 1,6 milhão de veículos por ano, quase como o Brasil, e ter um crescimento desse quilate mostra o nosso esforço para melhorar a utilização de nossa capacidade produtiva no País”.

O plano, segundo Powels, é deter 5% de participação até 2019 e, até 2027, mais de 10% das vendas no Caribe e na América do Sul.

Mercedes-Benz expande lojas de seminovos

As vendas de caminhões seminovos da SelecTrucks, braço de revenda da Mercedes-Benz, alcançaram 423 unidades no primeiro semestre do ano, 51,07% a mais do que o volume vendido em idêntico semestre do ano passado. O crescimento, que representou mais do que o dobro do volume de 2016, se deu em função das demandas do mercado de reposição, e isso fará com que a empresa aumente a capilaridade de suas lojas pelo País, a começar pelo Nordeste.

Segundo Ari de Carvalho, diretor de vendas da companhia, há planos para lojas próprias no Ceará, Pernambuco e Sergipe até o fim do ano. Com a adição dos novos espaços serão oito as unidades que vendem caminhões seminovos. Hoje há unidades em Betim, MG, Curitiba, PR e em três cidades de São Paulo, Campinas, Limeira e Mauá.

A empresa estuda se os novos pontos de vendas serão lojas próprias ou unidades de negócios instaladas dentro de concessionários, como acontece em Campinas e Limeira. O vice-presidente de vendas, Roberto Leoncini, contou que havia uma preferência, na companhia, em expandir as vendas por meio de estabelecimentos próprios. No entanto, por causa dos trâmites legais, como obtenção de licenças para entrar em operação, há hoje uma tendência inclinada à estratégia de expansão por meio da rede. Há 92 concessionárias Mercedes no Brasil.

O executivo aponta a SelecTrucks como um importante complemento para as vendas de seus veículos, ainda que o volume de negócios fechados por ela seja menor do que outros canais, como o consórcio e o Banco Mercedes-Benz: “O papel da Selectruck neste jogo aumentou porque no ano passado os operadores de caminhões usados estavam sem capital e o nosso serviço, por estar atrelado à companhia, manteve o nível de negócios a preços competitivos. Enxergamos que o negócio de seminovos tem potencial no Brasil para ocupar mais espaço no nosso segmento”.

Desde que foi inaugurada, em agosto de 2013, com a unidade de Mauá, o SelecTrucks é responsável pela compra, estoque, manutenção e venda de seminovos, apoiando os concessionários na negociação com os clientes. O portfólio é divulgado por um site. Ela adequou-se às características do mercado brasileiro usando os mesmos conceitos e padrões do TruckStore, modelo de negócio de caminhões usados utilizado pela Daimler em países da Europa e também nos Estados Unidos e na África do Sul.

À prova de hackers

Um dos desafios do setor automotivo é conciliar a crescente conectividade nos veículos com o aumento dos casos de ataques cibernéticos. Para proteger seus veículos de hackers a indústria aumentou seus investimentos em segurança cibernética em cerca de 25% ao ano até 2025, de acordo com levantamento realizado pela empresa de segurança para plataformas digitais Iderto e pela Frost&Sullivan.

O estudo indica que as fabricantes de veículos e seus principais fornecedores investirão US$ 82 bilhões até 2020 em tecnologias avançadas, que incluem ferramentas de segurança cibernética.

Hoje a conectividade é bastante limitada, mas a com a adoção de sistemas de rede 4G e 5G abrir-se-ão as portas para novos ataques, de acordo com Gabriel Ricardo Hahmann, diretor de vendas da Iderto para Cone Sul, Brasil e Colômbia:

“Um ataque pode interferir nos dispositivos como entretenimento, mas também nos componentes do veículo como freio e direção, o que possibilita ao atacante poder controlar o carro remotamente, e ainda coletar os dados do usuário pelo sistema de bordo”.

Segundo ele as áreas que propiciam maiores riscos a ataques de hackers são trava e direção, integração com smartphones, comunicação sem fio com rede via satélite e celular e veículos que utilizam chave presencial.

ATAQUES – Diversos casos de ataques de hackers foram registrados nos últimos anos. Em 2015 dois pesquisadores de segurança de computadores descobriram que o sistema interno do Nissan Leaf poderia ser hackeado remotamente com o uso do aplicativo de celular da própria Nissan: “Como o Nissan Leaf é um carro elétrico o hacker poderia drenar toda a energia da bateria. Era como se drenasse todo o tanque de combustível. Após ser detectado o problema foi corrigido”.

Em maio o ciberataque global causado pelo ransonware WannaCry forçou a Renault a suspender a produção em várias de suas unidades na França. No Brasil a fábrica de São José dos Pinhais, PR, foi afetada pelo vírus: “Esse caso é quase um sequestro eletrônico em que o hacker tem acesso às informações criptografadas da empresa e pede um resgate”.

Já no mês passado o mesmo WannaCry atacou a fábrica da Honda em Sayama, Japão, que produz 1 mil veículos por dia. O sistema operacional de controle da produção da fábrica deixou de responder e suas atividades foram suspensas temporariamente. Além dessa fábrica a empresa também sofreu ataques em unidades na América do Norte, Europa e China.