Neo Rodas eleva sua capacidade

A Neo Rodas aumentará sua produção em 1 mil rodas de alumínio por dia com sua nova célula de usinagem, que começará a operar este mês. Hoje, são fabricadas 3 mil unidades diárias. A máquina, uma IMT, é única no Brasil e totalmente automática, o que conferirá maior qualidade ao produto e mais competitividade à empresa.

Comprada por R$ 5 milhões tornou-se a maior aquisição da Neo Rodas este ano, em que a empresa pretende investir R$ 15 milhões em máquinas de laboratório, fornos de fusão, máquinas de fundição e também na infraestrutura da fábrica. Para o ano que vem a meta de investimento chega a R$ 18 milhões.

A capacidade de produção da Neo Rodas totaliza 1,2 milhão de rodas por ano. No primeiro semestre a produção chegou a 330 mil rodas, o que representou aumento de 33% com relação ao mesmo período do ano passado. Para o segundo semestre a estimativa é a de aumentar a produção em, no mínimo, 40%. Boa parte desse crescimento será impulsionada pelos lançamentos de veículos como Fiat Argo, Mitsubishi ASX, Lifan X60 e os novos modelos Volkswagen Polo e Virtus.

O foco da empresa – que hoje ocupa a terceira posição do ranking, depois de Maxion Wheels e de Mangels – é atingir a vice-liderança no fornecimento de rodas de alumínio no Brasil em 2019, de acordo com o CEO Alexandre Abage:

“Queremos impulsionar o crescimento com novos negócios. Estamos em negociação com montadoras instaladas aqui e temos trabalhado fortemente para aumentar nossas exportações para América do Sul e Europa. Nossos investimentos são feitos com capital próprio, o que dá garantia muito grande aos nossos clientes”.

A ideia da Neo Rodas é manter-se como fornecedora OEM, e não pretende produzir para o mercado de reposição. No Brasil a empresa produz para BYD, FCA, Hyundai CAOA, Mitsubishi e Volkswagen. Já suas exportações são realizadas por meio da General Motors para Chile e Argentina, para a Volkswagen na Argentina e para a Lifan no Uruguai.

Grupo PSA conclui compra de Opel e Vauxhall

O Grupo PSA, que controla as marcas Peugeot, Citroën e DS, finalizou na terça-feira, 1º, a compra da Opel e da Vauxhall, empresas que pertenciam à General Motors. O anúncio do negócio foi feito em março. Com a aquisição o grupo tornou-se o segundo maior fabricante de automóveis europeu, com participação no mercado de 17% no primeiro semestre de 2017.

Equipes Opel e Vauxhall têm prazo de cem dias para elaborar plano econômico que acelere a integração das empresas ao grupo. A sinergia gerada pela nova estrutura da PSA com a participação de Opel e Vauxhall é avaliada em € 1,7 bilhão no primeiro ano, segundo comunicado da PSA. Paralelamente à operação a compra dos negócios europeus da GM Financial está em andamento, sujeita à validação de diferentes instâncias regulatórias, e deve ocorrer até dezembro.

Carlos Tavares, presidente do Grupo PSA, afirmou que a adesão das novas marcas inicia uma nova fase do desenvolvimento do grupo:

“Estamos assistindo hoje ao nascimento de um verdadeiro campeão europeu. Saberemos aproveitar a oportunidade de nos fortalecer mutuamente e de conquistar novos clientes graças à execução do plano de desempenho que a Opel e a Vauxhall colocarão em prática. A aplicação do plano Push to Pass continua a ser uma prioridade”.

O Push to Pass é plano de gestão iniciado no ano passado e que tem como objetivo o crescimento do faturamento do grupo em 10% até 2018.

A PSA registrou faturamento de € 29 bilhões 165 milhões no primeiro semestre, 5% maior do que o obtido no mesmo período do ano passado. O faturamento da divisão automotiva foi de € 19 bilhões 887 milhões, também em alta, de 3,6%, com relação ao primeiro semestre de 2016, principalmente devido aos novos modelos e à disciplina em matéria de preços da companhia.

O desempenho no semestre levou a empresa a manter as projeções para o ano anunciadas em janeiro: projeta crescimento de cerca de 3% no mercado automotivo na Europa e de 5% na China, na América Latina e na Rússia. Na América Latina manteve fatia de 3,9% de mercado registrada em 2016 na Argentina, Brasil, Chile e México.

Contratações – Com a aprovação do negócio a PSA anunciou também a nova estrutura de executivos. Christian Müller sucede a William F. Bertagni na vice-presidência de engenharia, com a responsabilidade de integrar a engenharia e os grupos motopropulsores em um único departamento, e Remi Girardon deixa de ser o vice-presidente de estratégia industrial do grupo para substituir Philipp Kienle na vice-presidência industrial.

Mais: Philippe de Rovira é o novo diretor financeiro da Opel no lugar de Michael Lohscheller, e Michelle Wen, diretora de gestão de fornecedores da Vodafone Procurement, integrará a equipe de direção da Opel em 1º de setembro em sucessão a Katherine Worthen, atualmente vice-presidente de compras.

Vendas de veículos seguem aceleradas

As vendas de veículos, de janeiro a julho, cresceram 3,38% em comparação com o mesmo período do ano passado, chegando a 1 milhão 204 mil 22 unidades, de acordo com balanço da Fenabrave divulgado na terça-feira, 1º. Em julho as vendas aumentaram 1,9% com relação a julho de 2016, totalizando 184 mil 838 unidades.

O desempenho no período mantém as expectativas da entidade para o segundo semestre, disse Alarico Assumpção Júnior, presidente da Fenabrave:

“A projeções são positivas baseadas na maior oferta de crédito e na melhora dos índices de confiança”.

Ele também apontou os lançamentos de veículos como fatores que favorecerão os resultados até dezembro.

Os segmentos de automóveis e de comerciais leves apresentaram alta de 3,95% no acumulado do ano sobre o mesmo período de 2016, 1 milhão 170 mil 308 unidades ante 1 milhão 125 mil 868. Se comparados apenas os meses de julho de 2017 e de 2016 o resultado aponta alta de 2,33%.

As vendas de caminhões somaram 4 mil 525 unidades, o que representou queda de 3,35% em julho com relação à mesma base do ano passado. Já no acumulado o segmento continua em queda, de 13,7%, com licenciamentos de 25 mil 984 caminhões. Recuo também nas vendas de ônibus de janeiro a julho: foram emplacadas 7 mil 930 unidades, declínio de 11% no período.

Caminhoneiros protestam por aumento no diesel

Caminhoneiros fizeram protestos em estradas do País na terça-feira, 1º, contra o aumento dos impostos sobre os combustíveis, o que encarecerá o valor do frete. O diesel ficou até R$ 0,46 mais caro por litro. Foram registrados atos em rodovias de São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Mato Grosso, Santa Catarina e Espírito Santo, alguns deles com bloqueio de pistas.

Como a margem de lucro do transporte é pequena, representando em média 5% do valor do frete, o reajuste de combustível compromete os rendimentos tanto dos caminhoneiros como das transportadoras, de acordo com Lauro Valdívia, assessor técnico da NTC&Logística, entidade que representa os empresários do transporte de cargas. O valor do frete caiu 2,89% no primeiro semestre, segundo pesquisa com cerca de dois mil associados da entidade.

Segundo ele o volume dos fretes está em queda desde 2014 e apenas em 2016 as receitas das transportadoras caíram em torno de 20%:

“As transportadoras não têm capital para investir em novos veículos. Prova disso é que as vendas de caminhões despencaram e representam apenas um terço daquelas de 2013. Se tivermos uma retomada na economia há o grande perigo de faltar caminhões, pois muitas transportadoras fecharam ou diminuíram de tamanho”.

Prova disso é que a NTC reunia 160 mil transportadoras cadastradas, que hoje são 117 mil 360.

Repasse – O aumento do diesel costuma provocar um efeito dominó no encarecimento do frete: caminhoneiros repassam o custo para as transportadoras que, por sua, vez, o transferem para seus clientes. No entanto, com a diminuição do volume de negócios, as transportadoras se encontram em uma sinuca de bico: repassar ou não esse custo adicional aos seus clientes.

“As transportadoras não têm como assumir mais esse aumento sem repassar para seus clientes. Outras, no entanto, podem escolher arcar com esse custo para manter a clientela e diminuir outras despesas. Mas após três anos de crise as empresas não têm onde cortar mais despesas”.

Renault anuncia mais R$ 750 milhões para o Brasil

A Renault anunciou na terça-feira, 1º, investimento de R$ 750 milhões em uma nova fábrica de injeção de alumínio e na expansão da sua unidade de motores em São José dos Pinhais, PR. O protocolo de intenções foi assinado pelo governador do Estado e pelos presidentes da Renault América Latina, Olivier Murguet, e do Brasil, Luiz Pedrucci.

O último ciclo de investimento, de R$ 500 milhões, deveria ser aplicado até 2019 mas foi consumido com a conclusão do desenvolvimento do Kwid.

De acordo com a Renault a fábrica de injeção de alumínio começará a produzir em janeiro. A produção será feita a partir de uma linha para o bloco e outra para o cabeçote do motor. Do total anunciado R$ 350 milhões terão como destino a nova fábrica de injeção de alumínio, que deve gerar 150 empregos diretos em três turnos de produção. Outros R$ 400 milhões chegarão para a ampliação da unidade de motores, que terá novas linhas de usinagem de cabeçotes de alumínio. Com o investimento a Renault será beneficiada pelo programa Paraná Competitivo com o diferimento do pagamento do ICMS da fatura de energia elétrica e do gás natural da fábrica por 48 meses.

A fábrica de motores será ampliada para a produção de equipamentos mais eficientes, de acordo com Olivier Murguet. Outro fator que motivou o investimento foi o crescimento das vendas na América Latina: “Nossos investimentos reforçam a importância estratégica do Brasil. No ano passado, exportamos 35% da nossa produção. No primeiro semestre aumentamos nossas exportações em 60% com relação ao ano passado. Contratamos setecentas pessoas há três meses para o terceiro turno e operamos muito próximo da nossa capacidade máxima”.

A Renault pode produzir 380 mil veículos/ano no Paraná.

O executivo disse, ainda, que a empresa aumentará o índice de nacionalização de componentes e prevê o lançamento de uma nova geração de motores. Inaugurada em 2001 a fábrica de motores já produziu aproximadamente 3,5 milhões de unidades, com cerca de 40% destinados à exportação, principalmente para Argentina. A Renault, que começou a produzir no Brasil em 1998, emprega 6,3 mil pessoas diretamente e gera aproximadamente 25 mil empregos indiretos. O complexo Ayrton Senna, em São José dos Pinhais, reúne as três fábricas da marca no Brasil: de automóveis, de comerciais leves e de motores.

Argentina vende 22,6% a mais de automóveis em julho

A venda de automóveis na Argentina atingiu seu sétimo aumento consecutivo no ano. Em julho as vendas subiram 22,6% com relação ao mesmo mês do ano passado, com 78 mil 25 veículos emplacados. As informações são do Flash de Motor, da Venezuela.

Já o volume acumulado do ano mostra o emplacamento de 531 mil 423 unidades, o que representou aumento de 30% na comparação com o mesmo período do ano passado, de acordo com o relatório publicado pela Acara, associação que reúne as concessionárias do país.

A projeção é a de que as vendas alcancem em torno de 1 milhão de unidades até o fim de dezembro, melhorando inclusive os números de 2016, impulsionados pelas vendas de picapes.

O comunicado de Acara, no entanto, fez referência ao peso dos impostos sobre os automóveis, segundo o presidente Dante Álvarez, presidente da associação: “As concessionárias sofrem uma grande perseguição fiscal, o que contribui para um retorno que não é sustentável. Precisamos de uma reforma tributária que atenda às necessidades nosso setor”.

Daniel Herrero, presidente da Toyota Argentina, antecipara, em entrevista ao site Infobae, que os impostos representam até 55% do preço de venda final em alguns veículos.

Motos – Os resultados das vendas de motos também foram bastante positivos para o mesmo período. Com mais de 50 mil unidades vendidas em julho os emplacamentos cresceram 46,9% com relação a julho de 2016. Apenas nos sete meses deste ano foram vendidas 372 mil 592 motos, o que representou aumento de 50,5% na comparação com o mesmo período do ano passado.

Para Gustavo Bassi, presidente do segmento de motos da Acara, a estimativa é manter esse crescimento: “O mercado deverá manter essa demanda, nos encaminhando para uma situação cada vez mais formal e estável”.

Mercedes-Benz revê projeções para 2017

O mercado de caminhões fechou o primeiro semestre com desempenho de vendas 16% menor do que o de mesmo período no ano passado, com 21 mil 457 unidades, e este cenário, construído em meio a incertezas promovidas pela política e pela economia, fez a Mercedes-Benz reduzir de 10% para 3%, na melhor das hipóteses, sua projeção de crescimento de mercado para 2017. A esperança da companhia são os negócios gerados na Fenatran, que ocorre em outubro, demandas pontuais no agronegócio e na área de bebidas.

Em janeiro Roberto Leoncini, vice-presidente de vendas da companhia, anteviu o crescimento com base nas medidas anunciadas pelo governo, como as reformas tributária e trabalhista e as novas regras do Finame, principal linha de crédito do BNDES para o setor. As expectativas, no entanto, foram diminuindo na mesma proporção em que caíam os licenciamentos no semestre: “Não estou mais tão otimista, pois matematicamente ficará muito difícil de acontecer. Existe uma recuperação com relação ao ano passado, mas ainda estamos com um desempenho menor”.

Em janeiro, de acordo com dados da Anfavea, foram 2 mil 947 os caminhões emplacados no País. Em fevereiro, com menos dias úteis, foram 2 mil 614. Em março houve uma reação, 4 mil 104 unidades emplacadas, seguida de nova queda em abril, 3 mil 469, e de novo aumento no volume em maio, 4 mil 105, e junho, 4 mil 218. Para Leoncini o ritmo mensal para o ano tende a se manter até 4,5 mil unidades por mês até dezembro, num patamar que, segundo ele, foi verificado ao longo do ano passado.

O executivo disse que este ano haverá um fenômeno atípico nas vendas para clientes que atuam no agronegócio. Historicamente essas empresas compram caminhões em novembro e dezembro, com os emplacamentos feitos em janeiro, para que operem na colheita. Este ano a companhia percebeu que os principais clientes do segmento anteciparão suas compras porque se encerram os ciclos de suas frotas atuais:

“Novos caminhões entrarão no segundo semestre. No agronegócio, apesar do preço da soja e do milho, ainda há movimento de compra de equipamentos dentro da cadeia, mesmo com o que houve no segmento de carne. Há demanda. Eles vêm sentindo o volume do mercado e já estão pensando em movimentos de renovação de frota. Em alguns segmentos, nós sabemos, haverá uma reação. Como o de bebidas, em que há pouco tempo algumas empresas fizeram concorrência para o transporte. Pode ser que isso estimule a compra de caminhões”.

Vendas caem nos Estados Unidos

As empresas fabricantes de veículos nos Estados Unidos registraram, em julho, queda nas vendas ainda mais acentuada do que havia sido previsto por analistas, o que reforça as dúvidas de que a indústria será capaz de manter o nível recorde alcançado nos últimos dois anos.

As vendas caíram 15% para a General Motors e 10% para a FCA. Para a Ford a queda chegou a 7,4%, com exceção de picapes – só as vendas de automóveis diminuíram 19%.

Mas a Toyota cresceu 3,6% nas vendas em julho, impulsionadas pela forte demanda do crossover RAV4. Nissan e Honda superaram as estimativas dos analistas, embora as vendas tenham caído em julho: o novo cupê Q60 apresentou aumento de venda para Nissan Infiniti, e as vendas do crossover Honda HR-V saltaram quase um terço na comparação com julho do ano passado.

Depois de sete anos de crescimento as quedas nas vendas de automóveis fez os investidores rejeitarem as ações das companhia produtoras. A redução com as despesas em veículos e autopeças têm freado o crescimento econômico em cinco dos últimos oito trimestres, de acordo com o Departamento de Comércio.

As ações da maioria das grandes montadoras têm arrastado os indicadores de desempenho das cotações das ações da bolsa este ano. As ações da GM caíram 3,7% e as da Ford baixaram 3,1% após a divulgação dos dados. As exceções são Chrysler e Tesla – esta última teve uma boa aceitação de seu sedã Modelo 3.

Estoques – A GM, que projetou vendas de 16,9 milhões para este ano, disse que seu estoque de veículos é suficiente para 104 dias de vendas, bem acima da meta de setenta dias. Os estoques estão cheios e os descontos, que corroem os benefícios, podem até crescer ainda mais no segundo semestre para manter aceso o setor – nem que seja a uma velocidade reduzida.

Como consequência as fabricantes mantiveram os incentivos para vendas durante julho, ao contrário do habitual, quando são suspensos após o feriado de 4 de julho, segundo Thomas King, vice-presidente da consultoria JD Power.

O incentivo para veículos aumentou, em média, para US$ 279 em julho com relação ao mesmo mês do ano anterior. Isso significa que as fabricantes estão promovendo mais descontos para movimentar suas vendas e não estão sendo totalmente compensadas pela venda de modelos mais lucrativos.

Até 2040, um terço da frota mundial será elétrica

Um terço da frota mundial de veículos leves será de elétricos até 2040. É o que estima uma pesquisa da Bloomberg New Energy Finance, BNEF. Esse tipo de veículo, segundo o levantamento, representará 54% das vendas de carros novos no mundo. Em alguns países, o percentual das vendas será ainda maior: 67% das vendas de carros novos na Europa e 58% na China e nos Estados Unidos. No entanto, existem muitos entraves, principalmente no Brasil, para o carro elétrico ser uma alternativa ambientalmente viável e segura.

Segundo a pesquisa, a crescente queda do preço das baterias de íon de lítio permitirá que os fabricantes abaixem os preços dos elétricos, o que deve ocorrer de 2025 a 2029. Desde 2010, os preços das baterias de íons de lítio caíram 73% por kWh. O levantamento apontou que, até 2030, os preços devem ser ainda menores.

Os baixos custos operacionais também devem impulsionar as vendas, conforme destaca Colin McKerracher, analista em transportes avançados da BNEF: “Esperamos que veículos de grande utilização, como táxis, Ubers e comerciais, façam primeiro a transferência para os elétricos devido à economia atrativa. Os investimentos iniciais serão compensados pelo baixo custo operacional ao longo do uso por uma extensa quilometragem”.

O número de veículos elétricos na frota mundial poderia ser ainda maior se não fosse o seu maior entrave: a falta de locais para carregamento da bateria. Segundo McKerracher, a infraestrutura adequada será uma missão para governos, empresas de energia, fabricantes de automóveis e outros investidores do setor privado:

“Ainda assim, a maior parte do carregamento será realizada em residências e muitos consumidores já têm a capacidade de carregar os automóveis com um investimento mínimo. Os custos operacionais serão mais baixos e os consumidores com carregadores residenciais poderão começar todos os dias com um ‘tanque cheio”.

Solução brasileira – O consumo europeu é o responsável por inflar as projeções do número de veículos elétricos de acordo com Renato Romio, Chefe da Divisão de Motores e Veículos do Centro de Pesquisas do Instituto Mauá de Tecnologia: “Como a Europa não tem outra fonte de combustível renovável, a melhor solução é a eletricidade para baixar os níveis de emissão de gás carbônico. O governo europeu, inclusive, dá subsídios para a compra de elétricos”.

Ele acredita que cada país deve buscar sua própria solução por combustíveis menos poluentes. O Brasil, por exemplo, deveria investir prioritariamente em veículos híbridos – misto de motor à combustão e elétrico –, tendo o álcool como combustível, pois já desenvolveu toda a tecnologia para a sua produção:

“O álcool é bem menos poluente que a eletricidade usada para rodar o veículo elétrico na Europa. O gás carbônico que sai pelo escapamento é recapturado durante o cultivo de cana de açúcar”. Outra razão é que os veículos elétricos e suas peças de reposição serão importados, o que não irá desenvolver os centros de tecnologia automotiva no Brasil.

A falta de locais para carregar a bateria também poderá restringir a circulação dos veículos elétricos aos centros urbanos. Romio lembra, porém, que a Europa já conta com postos de carregamento em estradas.

Inúmeros acidentes têm acontecido nos últimos anos com os carros elétricos da Tesla: “A tensão elétrica nesses carros é mais alta, em torno de 600 volts, o que pode gerar curto-circuito. No entanto, as normas de segurança para os elétricos estão aumentando e, consequentemente, sua tecnologia, o que não irá atrapalhar a adoção desses veículos”.

Aumento do diesel encarece frete de commodities

O aumento da alíquota do PIS/Cofis sobre os combustíveis para melhorar a arrecadação e atingir a meta de déficit fiscal de R$ 139 bilhões para este ano, impactará o valor dos fretes no País. O transporte de grãos e commodities poderá ficar até 6% mais caro que o transporte de outros produtos.

Para Lauro Valdivia, assessor técnico da ANTC, a Agência Nacional de Transporte de Cargas, a alta do frete será de 4% de forma geral, mas alguns segmentos verão os custos subirem mais do que outros em função da alta no diesel – em média o preço chegará a R$ 3,54: “Os produtos da cesta básica como um todo ficarão mais caros porque as empresas que os transportam já não tem margem para absorver este aumento”.

A alta da alíquota anunciada na quinta-feira, 20, foi maior do que o esperado pelo setor de transportes, que agora visualiza um tempo maior para a esperada recuperação econômica. Marinaldo Barbosa dos Reis, diretor de abastecimento e distribuição do Setcesp, o Sindicato das empresas de transporte de São Paulo, disse que a medida atrasará uma renovação de frota esperada para o primeiro semestre de 2018 nas empresas do estado:

“Embora o setor como um todo esteja descapitalizado para fazer investimentos, algumas empresas previam renovação de frota no ano que vem. Com a alta da alíquota, voltam à gaveta os projetos. Eles poderiam cortar de custos se pensarmos que caminhões novos consomem menos combustível”.

O modal rodoviário é o predominante no Brasil – 60% das mercadorias são transportadas por caminhões, segundo a ANTC. De acordo com a entidade, o combustível representa 40% do custo de um frete e o aumento geralmente é repassado para o preço.

Fora o mercado interno, o aumento poderá ter impacto também no mercado externo. Os caminhões que transportam carga para a exportação são maiores e o combustível ultrapassa a média de 40% no custo do frete. Nas cidades, a porcentagem cai, e o combustível de pequenos caminhões chega a representar 10% do custo.

Repasse incerto – Ainda que a nova alíquota tenha provocado aumento do preço do diesel, não é o maior valor praticado nos últimos tempos, lembrou Maria Fernanda Hijjar, sócia-executiva da consultoria Ilos. Ela afirma que o aumento do imposto é uma notícia ruim para o segmento de transportes porque muitas acabarão absorvendo o aumento: “No entanto, outro aspecto importante é a nova política de preços da Petrobras. O preço do diesel que está na bomba atualmente não é o maior dos últimos anos, o que dilui o impacto da alta do imposto”. De acordo com dados da ANP, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, a última medição semanal de junho nas refinarias o preço do diesel foi de R$ 2,997. Em junho do ano passado, o valor foi de R$ 3,013.