Belini, um dos ícones do setor, se aposenta

Após 44 anos no Grupo Fiat, Cledorvino Belini se aposentou na sexta-feira, 30. Ele completou em maio 68 anos de idade: “Este é um momento natural na carreira de todo executivo. O importante é estar preparado para a nova etapa da vida profissional, em que podemos nos concentrar mais em assuntos estratégicos, sem tantas pressões no dia a dia”. Belini continuará à frente de negócios próprios na área de investimentos e atuará como consultor e em conselhos de administração de empresas

Ele deixa o grupo na condição de presidente de desenvolvimento da Fiat Chrysler Automobiles, FCA, para a América Latina, o último de tantos postos que ocupou. Belini começou sua carreira na empresa em 1973, na Fiat Allis, em Contagem, MG, divisão de tratores que se transformou na CNH Industrial.

Sob a batuta de Belini, a Fiat se tornou líder de vendas no Brasil, desbancando empresas mais tradicionais, como Volkswagen e General Motors. A liderança conquistada em 2004 foi mantida até o ano passado, quando a GM assumiu a ponta. Em sua gestão, a Fiat também fez um dos maiores investimentos de sua história no País, com a construção de sua segunda fábrica, em Goiana, PE, compartilhada com a Jeep.

Na planta de Betim, MG, Belini também fez uma revolução. Ele foi um dos responsáveis pelo aumento da capacidade instalada – a unidade pode produzir até 3 mil carros por dia e por muito tempo foi considerada a maior fábrica de automóveis do mundo. O executivo foi também responsável pela chamada “mineirização”, processo que consiste em colocar os fornecedores perto da linha de montagem, reduzir os estoques de peças e melhorar a cadência de produção da unidade. Nessa época, ele era o diretor de compras da Fiat Automóveis e trabalhou na implantação dos sistemas just in time e kanban, com redução drástica dos estoques.

De março de 2010 a abril de 2013, foi presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, Anfavea. Belini foi o primeiro presidente de montadora a ocupar o cargo e esteve à frente da formulação da política industrial do setor, o Inovar-Auto, que será substituída no ano que vem.

Belini é administrador de empresas formado pela Universidade Mackenzie e com pós-graduação em Finanças no curso de mestrado na USP. Possui MBA pelo FDC/INSEAD, obtido em 2002. Também é graduado no curso de Governança Corporativa pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa.

Vida fora da Fiat – Belini atuou como membro do CDES, Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, da Presidência da República, do Conselho Estratégico da Fiemg, Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, do International Advisory Board da Fundação Dom Cabral e foi membro do GEC, Group Executive Council, a mais alta instância de gestão da FCA. Continua a atuar no Mobilização Empresarial pela Inovação, MEI.

Ele dirige, ainda, o Instituto Minas Pela Paz, IMPP, organização da sociedade civil de interesse público, Oscip, criada a partir da iniciativa da Fiemg e das maiores empresas de Minas Gerais com o objetivo de contribuir com o governo no combate à violência, redução da criminalidade e inclusão social por meio da educação. A instituição vem se destacando por elaborar, propor e implantar soluções viáveis, com uma abordagem empresarial, sempre focadas no estímulo à participação da sociedade na promoção da cidadania.

Lançado em 2011, o livro A Virada Estratégica da Fiat no Brasil, de Betânia Tanure e Roberto Patrus, analisa o estilo de gestão de Cledorvino Belini e o desempenho recente da Fiat no Brasil. Aos finais de semana, o executivo, filho único de um pracinha da FEB, Força Expedicionária Brasileira, na Segunda Guerra Mundial, gosta de ficar com os quatro netos. Palmeirense, natural do bairro da Barra Funda, em São Paulo, ele é casado e tem duas filhas.

Produção deve crescer 20% em 2017

A produção de veículos deve crescer cerca de 20% este ano, chegando a 2,5 milhões de unidades. A estimativa é de Antônio Megale, presidente da Anfavea, Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, que antecipou em primeira mão durante o Seminário Revisão das Perspectivas 2017, na segunda-feira, 3, no Parque Tecnológico de Sorocaba, que a entidade vai rever todas as projeções ainda esta semana.

Segundo ele, as exportações devem sustentar essa retomada, com os embarques de 707 mil a 710 mil veículos este ano. “Até agora estimávamos um crescimento da produção de 11,9%. Mas se as expectativas se confirmarem a indústria deve fabricar volume próximo ao de 2005”.

Outro fator que pode ajudar é a queda da participação de veículos importados no mercado interno. “Estava em 13% e este ano não deve ultrapassar 11%”.

Os licenciamentos totais, segundo Megale, não devem crescer muito acima do estimado anteriormente. Esse comportamento está especialmente ligado às vendas de caminhões e ônibus que não estão respondendo conforme a indústria esperava: “Confesso que fomos otimistas. Está difícil chegarmos à expansão de 6,4% que foi nossa projeção inicial. É um segmento que depende muito do PIB e mesmo com o crescimento da economia no primeiro trimestre, não sabemos como irá se comportar o restante do ano”.

Em veículos e comerciais leves, Megale acredita que haverá uma melhora nas vendas este ano: “Mas ainda será insuficiente para revisarmos as expectativas. Crescer 4% ou 4,5% não faz muita diferença”.

Junho melhor que maio – Apesar dos altos e baixos em alguns segmentos, o desempenho do primeiro semestre acabou tendo algumas surpresas, que fazem a Anfavea anunciar uma revisão das perspectivas . De acordo com Megale,considerando as vendas de junho, as fabricantes já licenciaram mais de 1 milhão de veículos. Até maio foram emplacadas 824 mil unidades:

“É um comportamento parecido com maio, quando foram emplacados 195,6 mil veículos. A média diária no mês passado foi acima de 9 mil unidades bem mais que os 8 mil 889 veículos licenciados diariamente em maio. Esses números mostram que também teremos um volume expressivo na produção em junho”.

Produção de autopeças irá dobrar este ano

A previsão de crescimento na produção de autopeças para este ano praticamente dobrou, subindo de 5% para 9%. A revisão dos números para cima foi feita por George Rugitsky, conselheiro do Sindipeças, Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores, na segunda-feira, 3, em Sorocaba, SP, durante o Seminário Autodata Revisão das Perspectivas 2017:

“A produção de autopeças se beneficiou do bom desempenho das montadoras de automóveis e comerciais leves no primeiro trimestre deste ano, o que não era esperado nas nossas projeções”.

O valor das exportações de autopeças deve inverter a curva de quedas consecutivas nos últimos anos. Em 2014, chegou a US$ 8,34 bilhões, caindo para US$ 7,56 bilhões em 2015 e US$ 6,56 bilhões em 2016. Neste ano, a estimativa é que o montante alcance a US$ 6,80 bilhões.

Segundo Rugitsky, as exportações trazem resultados de imediato, pois os veículos são exportados com componentes produzidos no mercado interno. Mas ainda há muito espaço para crescimento na exportação: “Só o mercado latino americano, tirando Brasil e Argentina, é composto por 1,6 milhão de veículos”.

Prova disso é que as exportações irão puxar o faturamento no setor de autopeças, que também amargava uma série sucessiva de quedas: R$ 80,1 bilhões em 2014, R$ 66,6 bilhões em 2015 e R$ 63,1 bilhões em 2016. A projeção para o faturamento deste ano é de R$ 69,1 bilhões.

Baixa competitividade – Segundo ele, o setor tem condições de se inserir no mercado global: “Não queremos apenas atender aos lançamentos que vêm para o Brasil este ano, como por exemplo, o Volkswagen Polo e o Kwid, da Renault, mas ter condição de voltar a exportar uma parcela significativa da produção”.

Ele acredita que o custo Brasil, que engloba altos preços de matéria prima e mão de obra, como também problemas na logística do transporte, é um dos fatores que emperra a competitividade: “De 2002 a 2006, o Brasil era considerado um país de baixo custo e se tornou fornecedor de linhas únicas de produtos. Na Freudemberg, onde sou presidente, nós fabricávamos a linha de retentor para eixo de caminhão, que era feito com exclusividade no Brasil e essa linha já não existe mais”. Para reverter esse quadro, ele acredita que são necessárias mudanças macroeconômicas, como as reformas trabalhista e previdenciária.

Locadoras crescem em gestão de frota e vão às compras

As projeções da Toyota para o setor neste ano indicam crescimento nas vendas feitas de maneira direta, ao passo que, no varejo, o cenário será de queda no ano. A fabricante visualiza para os próximos meses que as vendas diretas no País atingirão um volume de 804 mil unidades, e que sua fatia neste total será de 17 mil veículos.

O volume é maior do que o do ano passado, quando foram comercializados 676 mil veículos nesta modalidade. Deste total, a Toyota vendeu 13 mil carros para pessoa jurídica, principalmente locadoras. A alta esperada é justificada pelos descontos que são dados na hora de fechar o negócio diretamente com as montadoras. Recorrer a financiamento pode aumentar o custo na renovação da frota.

Miguel Fonseca, vice-presidente da Toyota, disse na segunda-feira, 3, durante o Seminário AutoData Revisão das Perspectivas 2017, em Sorocaba, SP, que as locadoras hoje vivem um momento interessante do ponto de visto de oportunidades de negócios. Segundo o executivo, a demanda por locação cresceu na medida em que alguns clientes perceberam que é mais viável financeiramente alugar a frota do que possuir uma:

“Muitas empresas se protegeram da crise reduzindo seus ativos, ou seja, abrindo mão da propriedade e optando por soluções mais viáveis, como a locação de frotas. Se por um lado isso trouxe negócios para as locadoras que compram nossos veículos de forma direta, por outro nos ajudou a reduzir a pressão que temos em preencher a capacidade ociosa”.

Já as projeções da fabricante para o varejo são menos otimistas. A empresa estima que os licenciamentos de automóveis e comerciais leves devem chegar a 1 milhão 290 mil, volume menor do observado em 2016 1 milhão 370 mil de unidades: “Ainda que seja uma estimativa de queda, enxergamos que é uma oscilação normal dados os fatores políticos e econômicos que podem reduzir a compra de veículos”.

O volume de vendas projetado para a Toyota deverá representar de 10% a 11% dos licenciamentos totais no Brasil. Até agora os emplacamentos foram de 824 mil, cresceram 1,6% de janeiro a maio com relação ao ano passado, segundo a Anfavea, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores.

Em um contexto macro, a Toyota espera encerrar o ano com os principais indicadores de sua operação no azul na comparação com o desempenho do ano passado. Nas exportações, vertical que tem sido apontada como indicador responsável pela retomada da produção no Brasil, a empresa quer terminar o ano com 49 mil veículos embarcados rumo aos mercados da América Latina. No ano passado foram 43 mil. A produção prevista para o ano é de 180 mil unidades, cerca de 5 mil a mais do que em 2016. Já as vendas que devem atingir 184 mil unidades. No ano passado foram 180 mil.

Recuperação em pesados passa por Finame integral e taxa competitiva

A recuperação do segmento de caminhões e ônibus, tanto em produção como nas vendas, depende de medidas que estimulem o mercado. Roberto Cortes, presidente e CEO da MAN Latin America, disse, durante o Seminário AutoData Revisão das Perspectivas 2017, na segunda-feira, 3, em Sorocaba, SP, que o uso da linha Finame, do BNDES, Banco de Desenvolvimento Econômico e Social, é essencial para sustentar as vendas de veículos pesados:

“A Finame, nos seus 40 anos de vida, sempre viabilizou os investimentos em equipamentos, que são bens de capital. Mas, isso é só para corrigir uma distorção com relação aos outros países. O Brasil tem a maior taxa de juros do mundo. E a Finame é extremamente necessária na hora de decidir pela renovação de frota”.

Hoje, as vendas via Finame representam mais de 80% dos licenciamentos de veículos pesados. Cortes afirmou, ainda, que o ideal é uma taxa de juros real de 4%. Hoje, descontando a inflação, os juros anuais em um contrato da Finame devem girar em torno de 11%: “O que o setor almeja é a volta da Finame integral, mas não com uma taxa alta e sim um porcentual que justifique os investimentos em bens de capital. Juros como esse são semelhantes aos bancos comerciais. A verdade é uma só: sem subsídio não é viável o investimento em bens de capital”.

Rumo a 2022 – Segundo Cortes, com as condições ideais de temperatura e pressão, o mercado no País deverá chegar aos níveis de 2013 em 2022: “As vendas pós-eleição deverão ter um comportamento interessante, parecido com o que tínhamos no passado”. Isso puxa também a produção que deve seguir o mesmo ritmo.

Para este ano, Cortes se diz um “otimista contido”. Isso porque a queda do mercado no primeiro semestre foi bem maior do que a indústria imaginava: “Junho foi o primeiro mês que tivemos crescimento no comparativo com junho do ano passado. O aumento foi de 5%, chegando a 5,3 mil unidades comercializadas. Essa tendência deve continuar nos próximos meses, mas para alcançarmos o mesmo volume do ano passado, no segundo trimestre o desempenho tem de ser 30% melhor do que o primeiro”.

As vendas diárias, segundo ele, foram de 240 unidades em junho. Em maio chegaram a ser de 231/dia. No início dessa série, em janeiro, o patamar era bem abaixo: de 154 veículos por dia. A expectativa é de que os licenciamentos alcancem 50 mil caminhões e 11 mil ônibus este ano: “Isso é bom? Não. Estamos num nível de indústria do século passado e muito aquém dos números que gostaríamos. Um volume de cerca de 60 mil voltamos a 1999”.

As exportações é que podem dar um impulso às montadoras instaladas aqui. Em junho, os volumes chegaram a 4,3 mil unidades, aumento de 24% com relação ao mesmo mês do ano passado. Cortes disse que, pela primeira vez, os embarques alcançaram o patamar pré-crise econômica mundial, em 2008: “Voltaremos a este nível este ano, porque não acredito que ocorrerão mudanças significativas no câmbio. A expectativa é uma elevação de dois dígitos na exportação”.

Otimismo moderado para motores

O mercado brasileiro, que já chegou a ocupar a quinta posição mundial na produção de caminhões, aponta para diferentes caminhos de acordo com os representantes dos fabricantes de motores durante o Seminário AutoData Revisão das Perspectivas para 2017.
Para Luis Pasquotto, presidente da Cummins, os resultados deste ano têm sido mais positivos do que as projeções iniciais. No primeiro semestre, a produção registrou um aumento de 5% com relação ao mesmo período do ano anterior, ancorado pelo crescimento do mercado de ônibus e pelas exportações das montadoras:

“Acreditamos que o segundo semestre deve ser ainda melhor com aumento de 20% a 25% dos números da produção. Mas, vivemos um otimismo relativamente moderado”.

Se a Cummins está com um otimismo moderado, a MWM, por sua vez, fez projeções que indicam queda nas vendas de caminhões e ônibus para este ano, de acordo com diretor de vendas e marketing Thomas Puschel: “O primeiro semestre ficou um pouco abaixo das nossas expectativas, o que mudou as nossas estimativas. No ano passado, a empresa vendeu 40 mil motores e neste ano, as vendas devem chegar a até 30 mil unidades. Por causa disso, fizemos adequações nas estimativas. O momento exige uma perspectiva mais cautelosa”. Segundo ele, a empresa, que encerrou um contrato com a General Motors, tem focado na exportação para 45 países.

A FPT também estima vendas de caminhões abaixo do esperado para este ano, segundo o seu presidente Marco Rangel. A expectativa era de 65 mil unidades este ano: “O lado positivo é que a safra recorde nos surpreendeu, impulsionando as vendas de máquinas agrícolas. A projeção inicial de vendas de 41 mil máquinas foi revista para 49 mil, o que corresponde a um aumento de 13%”.

Rota de crescimento à vista

Carlos Gomes, presidente para a América Latina do Grupo PSA, Peugeot-Citroën, disse que daqui para frente o mercado brasileiro deverá entrar em rota de crescimento. Segundo ele, há muito espaço para o País elevar as vendas de veículos, pois, a relação que mede a motorização está em 4,9 habitantes por veículo. As afirmações foram feitas na segunda-feira, 3, durante o Seminário AutoData Revisão das Perspectivas 2017, em Sorocaba, SP.

“É um crescimento baixo, mas é crescimento. Agora poderemos recuperar um pouco da queda dos últimos anos, mas ainda será uma década perdida. Não chegaremos tão cedo aos níveis de 2012, com 3,6 milhões de veículos”.

Segundo ele, o Brasil precisa melhorar a sua competitividade para entrar na próxima década com indicadores mais positivos: “Existe uma pesquisa feita na Argentina que mostra que produzir por lá é 66% mais caro que no México e 25% mais caro que o Brasil. Isso significa que o México é 40% mais competitivo que a indústria brasileira. Isso nós temos que atacar para chegarmos de fato mais produtivos e rentáveis à próxima década”.

Gomes disse que isso deverá ser feito pelas empresas em primeiro lugar: “A falta de previsibilidade e competitividade no Brasil não é desculpa para não preparar a sua empresa, com redução de custos e torna-la mais rentável. E foi isso que conseguimos fazer em nosso grupo. Com uma gestão mais enxuta, pela primeira vez, fechamos no azul dois anos consecutivos na América Latina”.

Com essa gestão linha dura, Gomes disse que a companhia deverá triplicar a produção em 2021. Em 2015, foi de 120 mil unidades: “Estamos em plena execução de nosso plano mundial que prevê a adoção de uma única plataforma para nossos veículos. Hoje, nós contamos com quatro. Isso tudo nos tornará mais competitivos na região”.

Setor de implementos pede incentivos para crescer

Acumulando quedas nos emplacamentos desde 2012, o setor de implementos rodoviários defende que para iniciar uma retomada são necessárias medidas específicas para o segmento. Alcides Braga, presidente da Anfir, a Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários, disse no Seminário AutoData Revisão das Perspectivas 2017, em Sorocaba, SP, que suas associadas passaram ao largo das políticas de incentivo promovidas pelo BNDES, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, nos últimos anos e que isso prejudicou o andamento do que ele afirmou ser um “processo urgente de retomada”.

O representante afirmou que o crescimento do setor depende exclusivamente do PIB, o Produto Interno Bruto. Apenas um crescimento maior que 2% poderá gerar negócios no setor a ponto de aumentar o investimentos em implemento: “O PIB influencia os nossos negócios, mas precisamos de uma política que envolva o BNDES para que os indicadores possam voltar ao nível de 2013. Não fomos beneficiados pela onda de investimentos dos últimos dez anos, por isso a demora na recuperação”. O PIB no primeiro trimestre cresceu 1%. Para 2018, a projeção do BC, o Banco Central, é de 2% de aumento.

Sobre o Rota 2030, a política industrial que deverá substituir o Inovar-Auto em 2018, Braga afirmou que ela será benéfica ao setor automotivo como um todo, porém com poucos resultados práticos na área de implementos: “As diretrizes sinalizam para incentivos aos fabricantes de caminhões leves e semipesados, o que é muito positivo. No entanto, acreditamos que ainda não é o tempo do governo mirar seus canhões para novidades. É preciso investir na resolução de questões antigas, as quais estão ligadas ao nosso negócio. Se fossem tirados de circulação veículos mais velhos, por exemplo, isso movimentaria toda a cadeia”.

No quadrimestre, as demandas do setor de papel e celulose aumentaram o volume de vendas das fabricantes de implementos rodoviários. Por outro lado, o crescimento em alguns segmentos foi insuficiente para reverter o perfil negativo das vendas no período. De janeiro a abril foram emplacadas 15 mil 409 unidades de reboques e semirreboques, queda de 26,7%. O resultado foi o pior desde 2012. Segundo o presidente da Anfir, o setor atualmente produz em torno de 60 mil unidades de implementos por ano. A capacidade instalada, ele afirma, é de produzir 215 mil produtos anualmente.

Recuperação na produção de veículos já é sentida nos sistemistas

A recuperação do setor automotivo já aquece as linhas de montagem dos sistemistas, segundo o painel que reuniu representantes dessas empresas no Seminário AutoData Revisão das Perspectivas para 2017, na segunda-feira, 3, em Sorocaba, SP.
Segundo Besaliel Botelho, presidente da Bosch, as projeções anteriores para 2017 eram de estabilidade se comparadas ao ano anterior: “Fomos surpreendidos pelos números de exportação para a Argentina, o que ajuda as autopeças. Por este motivo, estamos otimistas com o segundo semestre, com a produção começando a dar indícios de recuperação”.

A mesma opinião é compartilhada por Wilson Brício, presidente da ZF: “A produção de veículos leves deve chegar crescer 5%. Já a produção de caminhões outros 11%, em função dos estoques muito baixos. E a de máquinas agrícolas deve aumentar 13%, estimulada pela safra recorde”.

Para Cláudio Fernandes de Castro, diretor executivo da divisão de negócios da Schaeffler, o crescimento do setor de máquinas agrícolas deve ser motivado tanto pela demanda no mercado interno como pelas exportações. Já a procura por carros usados também tende a aquecer a produção dos sistemistas: “Hoje temos a venda de um veículo novo para seis usados, o que impulsiona o segmento de reposição”.

ROTA 2030 – Todos os debatedores acreditam que as mudanças promovidas pelo Programa Rota 2030 trarão diversas vantagens ao setor automotivo, com a interação de montadoras e fabricantes de autopeças com vários setores do governo.

Segundo Brício, da ZF, um dos maiores benefícios do programa é o estabelecimento de metas de longo prazo, tornando o Brasil um player mais competitivo no mercado global: “Precisamos de investimento para acompanhar as transformações no setor como a conectividade e a eletrificação. A China, por exemplo, agiu muito rápido no desenvolvimento de tecnologia para veículos elétricos”.

Para tanto, é preciso investir em pesquisa e desenvolvimento para acompanhar as rápidas transformações no setor automotivo, segundo Castro, da Schaeffler: “Algumas tecnologias se baseiam em técnicas já existentes. Já as novas que equipam os carros híbridos e elétricos precisam ser desenvolvidas no País”.

Outra questão abordada pelo Rota 2030 é o foco na eficiência energética, de acordo com Botelho, da Bosch: “O petróleo não é mais futuro. Temos que valorizar os 40 anos de desenvolvimento da indústria brasileira de etanol. O Brasil pode propor uma nova solução de combustível ao mundo”.

Fabricantes de máquina agrícolas na busca pela diversificação

A safra recorde de 232 milhões de toneladas contribuiu decisivamente para o desempenho positivo das fabricantes de máquinas agrícolas. Durante o Seminário AutoData Revisão das Perspectivas 2017, que aconteceu na segunda-feira, 3, em Sorocaba, SP, as empresas John Deere, CNH Industrial – que controla Case e New Holland – e JCB afirmaram em uníssono que o momento é de aproveitar o bom momento para crescer em áreas ainda pouco exploradas e buscar oportunidades com novos modelos de negócio.

Roberto Marques, diretor de vendas de construção e florestal da John Deere, disse que a empresa atualmente desenvolve produtos e serviços para “além da porteira”, ou seja, no campo do transporte e armazenamento: “Muito produtores colheram a super safra com o maquinário que já tinha em mãos. O problema foi no decorrer do processo, pois ocorreu perda na produtividade. O Brasil ainda enfrenta problemas com gargalos e estamos vendo como explorar melhor está área”. O executivo citou desenvolvimento de silos e outros serviços de rastreamento como produtos que possuem “aderência a uma demanda nacional”.

Alisson Brandes, diretor comercial da JCB, atentou durante o debate a um possível aumento da demanda no Brasil e na região, e como isso pode significar um alerta às fabricantes de máquinas agrícolas. Segundo ele, a capacidade instalada das empresas daqui consegue atender uma safra que, eventualmente, seja maior do que a registrada em julho deste ano. O problema, ele apontou, é se houver de forma paralela um crescimento da demanda no mercado latino americano, como Argentina e Chile:

“Não há dúvidas de que a capacidade instalada é suficiente para atender a demanda brasileira, instalamos uma fábrica aqui por causa disso, e não para ser uma plataforma essencialmente exportadora. Para isso precisamos aumentar os investimentos e nos prepararmos para atender outros países”.

Para a próxima safra, o governo anunciou que o Moderfrota, programa de modernização da frota de tratores agrícolas e implementos, passará a contar com R$ 9,2 bilhões. A compra de máquinas e implementos agrícolas terá o limite de financiamento de 90% do valor do bem, com prazo de pagamento de sete anos.

Christian Gonzalez, diretor de planejamento da CNH Industrial, disse que o investimento do País para o setor deverá aumentar as vendas internas, mas, também a empresa busca crescimento nos países vizinhos, como é o caso da Argentina e por isso, estrutura a sua produção por aqui: “Aproveitamos o momento para crescer em outros países fora o Brasil”.