Após 44 anos no Grupo Fiat, Cledorvino Belini se aposentou na sexta-feira, 30. Ele completou em maio 68 anos de idade: “Este é um momento natural na carreira de todo executivo. O importante é estar preparado para a nova etapa da vida profissional, em que podemos nos concentrar mais em assuntos estratégicos, sem tantas pressões no dia a dia”. Belini continuará à frente de negócios próprios na área de investimentos e atuará como consultor e em conselhos de administração de empresas
Ele deixa o grupo na condição de presidente de desenvolvimento da Fiat Chrysler Automobiles, FCA, para a América Latina, o último de tantos postos que ocupou. Belini começou sua carreira na empresa em 1973, na Fiat Allis, em Contagem, MG, divisão de tratores que se transformou na CNH Industrial.
Sob a batuta de Belini, a Fiat se tornou líder de vendas no Brasil, desbancando empresas mais tradicionais, como Volkswagen e General Motors. A liderança conquistada em 2004 foi mantida até o ano passado, quando a GM assumiu a ponta. Em sua gestão, a Fiat também fez um dos maiores investimentos de sua história no País, com a construção de sua segunda fábrica, em Goiana, PE, compartilhada com a Jeep.
Na planta de Betim, MG, Belini também fez uma revolução. Ele foi um dos responsáveis pelo aumento da capacidade instalada – a unidade pode produzir até 3 mil carros por dia e por muito tempo foi considerada a maior fábrica de automóveis do mundo. O executivo foi também responsável pela chamada “mineirização”, processo que consiste em colocar os fornecedores perto da linha de montagem, reduzir os estoques de peças e melhorar a cadência de produção da unidade. Nessa época, ele era o diretor de compras da Fiat Automóveis e trabalhou na implantação dos sistemas just in time e kanban, com redução drástica dos estoques.
De março de 2010 a abril de 2013, foi presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, Anfavea. Belini foi o primeiro presidente de montadora a ocupar o cargo e esteve à frente da formulação da política industrial do setor, o Inovar-Auto, que será substituída no ano que vem.
Belini é administrador de empresas formado pela Universidade Mackenzie e com pós-graduação em Finanças no curso de mestrado na USP. Possui MBA pelo FDC/INSEAD, obtido em 2002. Também é graduado no curso de Governança Corporativa pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa.
Vida fora da Fiat – Belini atuou como membro do CDES, Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, da Presidência da República, do Conselho Estratégico da Fiemg, Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, do International Advisory Board da Fundação Dom Cabral e foi membro do GEC, Group Executive Council, a mais alta instância de gestão da FCA. Continua a atuar no Mobilização Empresarial pela Inovação, MEI.
Ele dirige, ainda, o Instituto Minas Pela Paz, IMPP, organização da sociedade civil de interesse público, Oscip, criada a partir da iniciativa da Fiemg e das maiores empresas de Minas Gerais com o objetivo de contribuir com o governo no combate à violência, redução da criminalidade e inclusão social por meio da educação. A instituição vem se destacando por elaborar, propor e implantar soluções viáveis, com uma abordagem empresarial, sempre focadas no estímulo à participação da sociedade na promoção da cidadania.
Lançado em 2011, o livro A Virada Estratégica da Fiat no Brasil, de Betânia Tanure e Roberto Patrus, analisa o estilo de gestão de Cledorvino Belini e o desempenho recente da Fiat no Brasil. Aos finais de semana, o executivo, filho único de um pracinha da FEB, Força Expedicionária Brasileira, na Segunda Guerra Mundial, gosta de ficar com os quatro netos. Palmeirense, natural do bairro da Barra Funda, em São Paulo, ele é casado e tem duas filhas.
Notícias Relacionadas
Últimas notícias