Alta nos juros espanta clientes de implementos rodoviários

São Paulo – A alta nos juros para financiamentos já espantou os clientes do mercado de implementos rodoviários, no qual é esperada uma redução nas vendas em 2025, de acordo com Eduardo Dalla Nora, diretor superintendente da Randon, e com João Librelato, diretor comercial e de marketing da Librelato, que participaram de painel durante o Fórum AutoData Perspectivas Caminhões, na terça-feira, 18.

O executivo da Randon antecipou o que espera do mercado no fechamento do primeiro trimestre: “Esperamos um mercado de 17 mil unidades até o fim do mês contra 22 mil unidades que foram vendidas em iguais meses do ano passado, resultando em queda de 25% a 30%”.

O diretor da Librelato disse que, internamente, trabalham com uma queda um pouco menor para o fechamento do trimestre: “Até agora o mercado encolheu 18% e esta retração deverá avançar para 20% até o fim do mês”.

Segundo Dalla Nora o preço do diesel também tem pesado na decisão de compra. Ele disse que “o mercado colocou um cadeado no bolso e está adiando as aquisições”. 

Sobre uma possível recuperação ao longo do ano ambos a consideram improvável, pois houve o crescimento acima do esperado nos últimos anos e a projeção para 2025 já era de uma acomodação de demanda.

Librelato disse que o segundo semestre costuma ser melhor do que o primeiro, mas tudo depende do cenário macroeconômico do Brasil, assim como do mercado local de caminhões. Dalla Nora afirmou que mesmo com perspectivas melhores ao longo do ano não será possível chegar ao patamar de 2024.

Transportador hesita em comprar caminhão mesmo com super safra

São Paulo – O que parecia algo certo, o impulso das vendas de caminhões diante da perspectiva de super safra, até o momento não deu sinais de que acontecerá. Foi o que afirmaram os executivos Jefferson Ferrarez, vice-presidente de vendas, marketing, peças e serviços de caminhões da Mercedes-Benz, Alex Nucci, diretor de vendas da Scania, e Marco Pacheco, diretor comercial da Iveco, durante o Fórum AutoData Perspectivas Caminhões, na terça-feira, 18.

“A deterioração da taxa de juros deixou o cenário mais nebuloso, pois houve incremento de quase 30% na parcela do cliente, o que torna a aquisição mais complexa”, avaliou Nucci, para quem, desde o ano passado, com a quebra de safra, a situação financeira dos transportadores foi afetada.

E que agora, mesmo com muito a ser transportado, com filas em portos já para escoar a soja e provocando demanda frenética – que antes, segundo ele, era feito de forma mais planejada para colheita, estoque e transporte –, será feita análise pelos compradores:

“Este frete melhor servirá para que os clientes avaliem a recomposição de seus caixas, entendam onde vai parar política fiscal brasileira e se perguntem: preciso renovar ou consigo postergar? Mesmo com a projeção de safra recorde existe demanda”, ponderou, ao reconhecer que não se trata do impacto que normalmente se daria em um cenário de economia mais estável e com custos que pressionam a operação, como a alta do diesel.

Ferrarez disse esperar que a super safra se transforme em caminhões novos vendidos, mas, da mesma forma, reconheceu que o desafio da taxa de juros e do crédito está fazendo o operador pensar se utilizará por mais um tempo os seus usados ou se faz a renovação de frota o que, na ponta do lápis, compensará.

“Em condições normais de temperatura e pressão já teríamos uma fila de pedidos. Neste cenário temos tido muitas consultas, os empresários estão fazendo as contas, o que é bom, pois eles não estão desaparecidos, mas o fechamento está demorando mais para acontecer.”

Pacheco concordou e completou que as incertezas têm estabelecido grande desafio para planejar este ano, e que se por um lado é esperada queda na venda de pesados por outro deverá haver uma compensação, em termos de volume, por parte do segmento de leves e médios, embora o tíquete médio seja menor: “A demanda por parte do e-commerce está acima do projetado, assim como por veículos para o transporte urbano, que têm demonstrado forte demanda”.

Sobre isto Ferrarez avaliou que havia demanda reprimida por causa da mudança para o Euro 6, pois na transição este foi o segmento mais impactado e “agora, com baixos níveis de desemprego, as áreas de logística urbana e de bens de consumo em geral são favorecidas”.

Segundo trimestre dará a indicação para o mercado de caminhões

São Paulo – A indústria de caminhões vem atravessando momento delicado frente ao aumento da taxa básica de juros, 13,25% ao ano, com possibilidade de avançar para 14,25% ainda em março e terminar 2025 em 15%. Se, por um lado, ainda estão sendo produzidos caminhões que foram negociados durante a Fenatran, em novembro, por outro quando as entregas acabarem – com a ressalva de que alguns pedidos foram cancelados diante do cenário – é possível que o mercado comece a se retrair por causa do encarecimento do crédito.

“Existe a tendência de queda nas vendas por causa do financiamento proibitivo”, assinalou Alexandre Parker, vice-presidente da Anfavea, durante a abertura do Fórum AutoData Perspectivas Caminhões na terça-feira, 18. “Esta é uma realidade. Embora a entidade ainda trabalhe com projeção de mercado estável muitas associadas já estão com expectativa de queda nas vendas.”

Para Parker os próximos três meses serão cruciais para balizar como o segmento se comportará este ano. A favor dele existe a expectativa de aumento de 10% da safra de grãos, para 328 milhões de toneladas, o que configurará uma super safra. Também o índice de confiança do consumidor segue trajetória ascendente e o PIB, ainda que abaixo do crescimento de 2024, deverá encerrar o ano com alta de 2%.

“Este contexto poderá impulsionar a demanda por caminhões semipesados e pesados, mas que comprarão por uma necessidade de entrega de grãos. Tanto que muitos deles têm comprado à vista, de 25% a 30%, mas, sabemos, que só com quem tem dinheiro em caixa e realmente precisa do veículo novo. Ou seja: o reflexo é limitado.”

Dados da Anfavea apresentados por seu vice-presidente apontam que 78% das vendas de caminhões têm sido de semipesados e pesados, e que por causa do valor mais robusto requerem financiamento: “Os bancos de montadoras não têm tanto fôlego como os bancos privados, que fecharam a torneira diante da tendência de alta da Selic e do aumento da inadimplência. O aumento da taxa de juros exerce um efeito perverso no mercado”.

Segundo Parker a inadimplência de janeiro, aos 2,6%, e a taxa média de juros para o financiamento de veículos para pessoa jurídica, 19,7%, apresentaram o pior resultado desde 2017: “Digamos que taxas de 19% a 20% ao ano do Finame e de 21% a 22% do CDC não são muito apetitosas”.

A concessão de crédito no primeiro mês do ano, de R$ 3,5 bilhões, de abril a julho havia encostado em R$ 6 bilhões.

A projeção da Anfavea, inalterada até o momento, é de que sejam emplacados 125,2 mil caminhões em 2025, praticamente estabilidade frente a 2024, com alta de 0,2%. A produção aguardada de 139,9 mil veículos ficará 1% abaixo do ano passado. E as exportações, diante da expectativa de reação do mercado argentino, espera avanço de 2,8%, para 18,4 mil unidades.

  

VW Caminhões e Ônibus mantém aposta no copo meio cheio para o mercado

São Paulo – O mercado de caminhões será, em 2025, maior do que o do ano passado. É o que segue apostando Ricardo Alouche, vice-presidente de vendas, marketing e serviços da Volkswagen Caminhões e Ônibus, mesmo com todas as dificuldades que existem no cenário atual. Ele participou do Fórum AutoData Perspectivas Caminhões na terça-feira, 18.

“Diante do cenário atual, de desafios e oportunidades, projetamos um mercado de 125,2 mil unidades esse ano, contra as 124,9 mil que foram comercializadas no ano passado. Acreditamos sim que o ano será bom, teremos mais volume e é a projeção que passamos aos nossos fornecedores”.

Mesmo com o seu otimismo de sempre, usando como base o bom desempenho do mercado de caminhões no primeiro bimestre, com alta de 10,8% nas vendas, Alouche citou alguns pontos de atenção que poderão reduzir o apetite dos clientes. Taxa de juros alta, com previsão de continuar subindo, perspectiva de aumento da inflação e o PIB crescendo abaixo do esperado, ainda que esteja em expansão, são alguns dos fatores negativos, assim como os conflitos geopolíticos que mexem com os custos de logística.

Diante do cenário com fatores negativos e crescimento apurado no primeiro bimestre, Alouche afirmou: “Estamos com o copo meio cheio ou meio vazio? Podemos olhar das duas formas”.

Mas ele insistiu em que o copo está meio cheio. A safra recorde de grãos do agronegócio, com perspectiva de chegar a 322,4 milhões de toneladas, e a renovação de frota das grandes empresas, que viram a idade média dos seus veículos chegar a 11 anos durante a pandemia, caindo para 9 em 2024, com média ideal de 5 a 8 anos, jogam a favor do mercado:

“Existe uma defasagem no mercado de 300 mil a 400 mil unidades. Não estamos falando de renovação de frota, mas de caminhões que precisam ser adquiridos ou trocados para atender demandas”.

Nissan investe em formação profissional para manutenção de eletrificados

São Paulo – A Nissan destinará R$ 3,3 milhões, até 2030, para projeto de formação profissional para a manutenção de veículos eletrificados. O alvo da parceria com a Firjan Senai são jovens e adultos da região do Sul Fluminense em busca da primeira formação, gratuita, de qualificação profissional.

Serão trezentas vagas para os municípios de Barra Mansa, Resende e Quatis, para curso de 360 horas ministrado pela Firjan Senai Resende por instrutores treinados pela Nissan. Dois Leaf, 100% elétricos, foram doados para as aulas nos laboratórios.

Grupo ABG vende a fábrica de Araçariguama para o grupo Sodecia

São Paulo – O Grupo ABG e a Neo Steel firmaram acordo para a venda da fábrica de Araçariguama, SP, para o Grupo Sodecia. Após o alinhamento o acordo segue para sua fase final de formalização, com o fechamento da venda previsto para até o fim de abril.

O Grupo Sodecia assumirá os ativos, a carteira de clientes e a gestão da unidade. O grupo ABG e a Neo Steel, que divulgaram o comunicado, ressaltaram que a operação de Minas Gerais, em São Joaquim de Bicas, não está envolvida na negociação.

BYD apresenta plataforma que permite recarga em 5 minutos

São Paulo – A BYD apresentou Super e-Plataform, sua nova plataforma capaz de fabricar veículos elétricos que suportam recarga com potência de até 1 mil kW, sendo possível recarregar 2 quilômetros por segundo. Os veículos produzidos sobre ela podem recuperar 400 quilômetros de autonomia em apenas cinco minutos, dependendo do eletroposto.

Inicialmente a Super e-Plataform será dedicada apenas ao mercado chinês, iniciando sua produção em abril com os novos Han L e Tang L, dois modelos que já estão em pré-venda. A linha é a primeira de produção em série com arquitetura de alta tensão de 1 mil volts, elevando a bateria, o motor e outros componentes do carro para a mesma voltagem.

A novidade foi apresentada pelo presidente e CEO da BYD, Wang Chuanfu: “A solução definitiva é fazer com que o carregamento seja tão rápido quanto abastecer um carro a gasolina”.

A BYD também apresentou a sua nova bateria de carregamento ultrarrápido, construída com canais ultrarrápidos para íons, reduzindo em 50% a sua resistência interna.

Marcopolo exporta primeiro ônibus a partir da fábrica de São Mateus

São Paulo – A Marcopolo realizou a primeira exportação de um ônibus fabricado na unidade de São Mateus, ES. O modelo Volare Fly 10 Limousine foi embarcado para o Paraguai após negociação fechada com a operadora Ciudad de Pilar, por meio do seu concessionário local, Volpy.

Segundo Vinícius Tregansin, gerente comercial de mercado externo da Marcopolo, a exportação foi um marco para a fábrica de São Mateus, que tem potencial para ampliar os negócios da Volare e da Marcopolo no Brasil e no Exterior.

GM volta a produzir Onix em Gravataí após 30 dias

São Paulo – A fábrica da General Motors em Gravataí, RS, voltou a produzir na segunda-feira, 17, após trinta dias de paralisação por causa da realização de ajustes técnicos na linha, como modernizações e adaptações em algumas áreas da produção. Foram concedidos aos 5 mil profissionais, a metade deles empregados de sistemistas que trabalham no local, vinte dias de férias coletivas e dez de licença remunerada.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Gravataí, Valcir Ascari, são fabricadas cerca de 450 unidades do Onix e do Onix Plus por turno e é possível, portanto, estimar que nos dois turnos diários de produção deixaram de ser produzidos ao menos 16 mil veículos neste período, considerando dezoito dias úteis.

No mês que vem, porém, a partir do dia 22, terá início lay-off para um dos turnos de produção, conforme acordado por sindicato e montadora. Significa, de acordo com o presidente do sindicato, que aproximadamente 2,5 mil operários terão seus contratos de trabalho suspensos por dois meses e oito dias, sendo a metade deste volume em sistemistas.

Segundo a fabricante a medida, que afetará parcialmente a produção, busca alinhar o volume fabricado à demanda atual do mercado: “A GM reforça seu compromisso com colaboradores e parceiros, assegurando o acompanhamento contínuo do cenário econômico para ajudar suas operações conforme necessário nos próximos meses”.

Dados da Fenabrave mostram que foram emplacados no primeiro bimestre 4,7 mil unidades do Onix, o que coloca o modelo na posição de nono mais vendido do mercado brasileiro.

O hatch liderou as vendas por seis anos consecutivos, de 2015 a 2020, mas durante a pandemia problemas para obter componentes e semicondutores fez com que perdesse espaço diante de diversas paradas na produção no período. No ano passado encerrou na terceira posição do ranking.

Quanto ao Onix Plus, apareceu na vigésima-primeira colocação dos dois meses iniciais de 2025 com 2,5 mil unidades comercializadas.

Governo federal libera R$ 200 milhões para compra de 281 ônibus

São Paulo – O Ministério das Cidades anunciou a compra de 281 ônibus dentro do eixo Renovação de Frota do Novo PAC, Programa de Aceleração do Crescimento. A informação foi publicada no Diário Oficial da União de segunda-feira, 17, e demandará investimentos na casa dos R$ 200 milhões, financiados pelo FGTS, Fundo de Garantia por Tempo de Serviço.

Os ônibus, todos equipados com motor Euro 6, são em sua maioria modelos Mercedes-Benz financiados pelo banco da montadora. Serão enviado a cidades dos estados da Bahia, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo.

O Novo PAC prevê R$ 8,4 bilhões em renovação do transporte público e melhoria da mobilidade urbana em grandes e médias cidades, de acordo com o Ministério das Cidades.