E30 passa no teste e MME fará proposta da elevação do etanol na gasolina

São Paulo – Os testes conduzidos pelo IMT, Instituto Mauá de Tecnologia, concluíram que o E30, a mistura de 30% de etanol na gasolina, é tecnicamente viável e o ministro das Minas e Energia, Alexandre Silveira, anunciou que fará ao Conselho Nacional de Política Energética a proposta de elevar a mistura ainda este ano. Ele participou da divulgação dos resultados dos testes em Brasília, DF, na segunda-feira, 18, segundo relatou a Agência Brasil.

“Os testes confirmaram que o E30 é viável tecnicamente. É o resultado dos estudos conduzidos pelo nosso Instituto Mauá. Estudos acompanhados pela sociedade e pelos setores, de perto por Anfavea, Sindipeças, Abraciclo, Abeifa e outros representantes. O E30 é seguro para as frotas de duas e quatro rodas. Ele não prejudica o desempenho dos veículos, muito ao contrário”.

Atualmente a mistura do etanol na gasolina, feita nas distribuidoras de combustível, é de 27%. Sancionada no ano passado a Lei 14 993, conhecida como Combustível do Futuro, prevê o aumento a até 35% – mas é preciso conferir a viabilidade na frota circulante. O IMT atestou que até 30% não há riscos.

Silveira não ofereceu pormenores mas indicou que o aumento deverá ser gradativo. A intenção do governo, além de reduzir as emissões de CO2, é tentar baixar o preço do combustível, importante componente da inflação que está fora de controle. Segundo o ministro o aumento na mistura poderá fazer do Brasil independente da importação de gasolina, algo que não ocorre desde 2010.

“Com o E30 o preço da gasolina na bomba vai cair. Vamos nos livrar das amarras do preço de paridade internacional. O preço da gasolina será o preço da competitividade interna. Vamos aproveitar o aumento da oferta do etanol de milho. Vamos aproveitar ao máximo a supersafra que vem por aí.”

Pelos cálculos do ministério o aumento da mistura do etanol na gasolina poderá reduzir em 1,7 milhão de toneladas a emissão do CO2 por ano, o que equivale a retirar 720 mil carros das ruas.

XBRI Pneus reforça planos de expansão no Brasil em evento em Singapura

São Paulo – A XBRI Pneus, que investe R$ 1,5 bilhão para erguer fábrica em Ponta Grossa, PR, anunciou participação no evento TyreXpo Asia 2025, em Singapura. Lá reforçará seus planos de expansão no mercado brasileiro e no Exterior.

A marca local pertencente ao Grupo Sunset Tires Corporation, que atualmente tem seus produtos fabricados por empresas espalhadas por países asiáticos, justificou participação no evento para apresentar seus produtos, discutir oportunidades de negócios e se posicionar como empresa relevante no mercado global de pneus, em busca parcerias estratégicas.

O assentamento da pedra fundamental e início das obras em Ponta Grossa são aguardados para este mês. A unidade terá capacidade para produzir anualmente até 12 milhões de pneus para carros de passeio e 2,5 milhões para veículos de transporte rodoviário, máquinas agrícolas e de mineração.

Toyota ajuda AACD a ampliar em 52% sua produção de cadeiras de rodas

São Paulo – Após compartilhar conhecimento para multiplicar a fabricação de cadeiras de rodas da AACD, Associação de Assistência à Criança Deficiente, com a aplicação da metodologia TPS, Sistema Toyota de Produção, o plano era expandir em pelo menos 25% a quantidade de equipamentos. No entanto, nos primeiros meses da qualificação, iniciada em agosto de 2024, foi notado avanço de 30%, de oitenta para 102 unidades mensais, e ao término, conferido aumento de 52% na capacidade de produção, para até 122 cadeiras.

Foi o que afirmou a Toyota, ao divulgar a conclusão da capacitação de colaboradores da Oficina Ortopédica da unidade Ibirapuera da instituição, em São Paulo, que contou com 208 horas de treinamentos sobre o sistema TPS.

Na ação conjunta foram mapeadas trinta ações da linha de produção que poderiam ser padronizadas, além de 91 melhorias de processos. Segundo a AACD o plano agora é replicar o TPS a outras áreas da instituição. As oficinas ortopédicas da AACD atendem pacientes via SUS, Sistema Único de Saúde, e também de forma particular.

Vendas financiadas de veículos alcançam maior volume em dez anos

São Paulo – As vendas financiadas de veículos no primeiro bimestre, incluídos automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus e motocicletas, atingiram a melhor marca da última década. O total de 1,1 milhão de unidades novas e usadas comercializadas a prazo representa acréscimo de 3,6%, ou 39 mil veículos a mais do que nos dois meses iniciais de 2024.

Os dados são da B3, que opera o Sistema Nacional de Gravames. De acordo com Rodrigo Amâncio, diretor de produtos de financiamento na B3, o aumento dos financiamentos de veículos no acumulado do ano mostra que o setor continua aquecido. Segundo ele o segmento de motos continua sendo a principal categoria que contribui para o resultado positivo.

O resultado foi impulsionado pelo desempenho de fevereiro, em que foram financiadas as vendas de 564 mil veículos. Trata-se de avanço de 7,3% frente ao mesmo mês no ano passado. Em comparação a janeiro houve estabilidade.

A venda a prazo de veículos leves cresceu 6,7% no mês passado, mas, frente a janeiro, caiu 1,5%. O financiamento de motos avançou 10,1% na comparação com o mesmo período do ano anterior e 11% com relação a janeiro. O volume de pesados aumentou 1,4% na comparação anual e 15% na mensal.

BYD lidera venda de ônibus elétrico no primeiro bimestre

São Paulo – Em janeiro e fevereiro foram emplacados 133 ônibus elétricos, dez vezes o volume registrado no mesmo período do ano passado, que registrou treze unidades. A BYD forneceu 75 unidades no bimestre, ou 56% de todo o volume.

O mais emplacado foi o BYD D9W, que tem até 250 quilômetros de autonomia. Com 13m00 de comprimento permite transportar oitenta passageiros sentados. É produzido em Campinas, onde desde 2015 a BYD montou mais de trezentas unidades – um dos lotes mais recentes, sessenta ônibus, foi entregue a empresas operadoras do transporte urbano em São Paulo, Capital, em janeiro.

Indústria encontra barreiras na busca por mais automação

São Paulo – A terceira edição da pesquisa global de Perspectivas de Manufatura Automotiva da ABB Robótica, em parceria com a publicação Automotive Manufacturing Solutions, identificou que a transição para a fábrica inteligente é vista como próxima etapa crítica pelos fabricantes globais e seu principais fornecedores.

De acordo com o levantamento os entrevistados reconhecem a importância da robótica e da automação avançada no chão de fábrica do setor, tanto que 64% deles concordam que haverá um aumento no uso de robôs móveis autônomos na fabricação de automóveis, enquanto 57% avaliam que mais robôs colaborativos serão introduzidos ao lado de trabalhadores para realizar tarefas de montagem repetitivas.

Isto demonstra que as montadoras estão abraçando a mudança ao aumentar a adoção de inteligência artificial que alimenta robôs móveis autônomos dedicados à entrega de peças na linha de produção e da tecnologia de gêmeos digitais, modelos virtuais de objetos físicos. Para o diretor executivo da linha de negócios automotivos da ABB Robótica, Joerg Reger, juntas, estas tecnologias estão formando os blocos de construção das fábricas inteligentes.

“Elas ajudarão as montadoras a introduzir novos modelos de forma mais rápida e econômica ao mesmo tempo em que reduzem consideravelmente o consumo e os custos de energia e cumprem as metas de sustentabilidade.”

A maioria dos entrevistados, 82%, de fato, avalia que o uso da inteligência artificial generativa e de softwares tem potencial para reduzir custos de fabricação de veículos, melhorar a qualidade e agilizar a introdução de novos modelos. A adoção de gêmeos digitais e simulação também deverá aumentar significativamente, com 73% deles prevendo uma maior adoção.

A pesquisa destacou, ainda, como a adoção da manufatura flexível é vista de forma crucial para lidar com as complexidades enfrentadas por muitos fabricantes, o que inclui níveis imprevisíveis de demanda por determinados tipos de veículos, como elétricos, híbridos e a combustão, com a necessidade de montar diferentes sistemas de propulsão em um único local, mantendo ciclos de vida de produto mais rápidos.

Robôs da ABB utilizados para a produção de veículos elétricos. Foto: Divulgação.

Para os próximos cinco anos 84% dos entrevistados creem que a manufatura flexível será fator significativo na produção de veículos. Segundo Reger trata-se de algo essencial para gerenciar as complexidades e os compromissos financeiros que muitas montadoras precisam enfrentar atualmente.

Percalços como os custos inerentes à tecnologia podem atrasar sua adoção

Embora os entrevistados tenham apoiado a introdução de novas tecnologias e visto a futura fábrica inteligente de forma positiva, reconheceram alguns dos desafios envolvidos para chegar a esse destino. A maior restrição está nos altos custos iniciais, para 54% deles. Os desafios técnicos são considerados percalços para 35% enquanto que 32% consideram a segurança cibernética e a proteção de dados, assim como a adaptação da força de trabalho, para 32%, e a falta de funcionários qualificados, para 28%.

Daniel Harrison, analista-chefe da Automotive Manufacturing Solutions, destacou que à medida que se avança às fábricas automotivas inteligentes o fator humano não pode ser ignorado:

“As preocupações com a adaptação da força de trabalho e a percepção de falta de funcionários qualificados em TI foram novamente destacadas pelos entrevistados. Os parceiros tecnológicos do setor precisam desempenhar papel fundamental no treinamento e na educação, além de encontrar maneiras de introduzir avanços-chave, como a tecnologia de IA, de forma não disruptiva e acessível”.

Para esta edição da pesquisa foram considerados 434 respondentes, com cargos de liderança em empresas da cadeia automotiva. Do total 44% deles estão na Europa, 29% na América do Norte, 18% na Ásia-Pacífico, 5% no Oriente Médio e na África e 4% na América Central e América do Sul.

Tecnologia autônoma da Nissan é testada em via pública no Japão

São Paulo – A Nissan apresentou no Japão os avanços da sua tecnologia de direção autônoma. Pela primeira vez um carro circulou sem condutor por uma via pública japonesa, em Yokohama. O sistema está em desenvolvimento para ser usado pela montadora em um serviço de mobilidade que será ofertado, inicialmente, no seu país-sede.

Os veículos usados nos testes são do modelo Serena, uma minivan equipada com catorze câmaras, nove radares e seis sensores LiDAR. Neste projeto a Nissan instalou sensores no teto do veículo, ampliando a capacidade de leitura, que também é mais precisa na comparação com as tecnologias anteriores.

A montadora também trabalha para que a sua tecnologia se adapte às mais diversas condições de tráfego no mundo. Para isto, além do uso de inteligência artificial, a empresa está utilizando pesquisas realizadas no Japão e no Vale do Silício.

Stellantis produzirá furgões elétricos para a Iveco na Europa

São Paulo – A Pro One, unidade de negócios da Stellantis, anunciou colaboração estratégica com a Iveco para produzir dois veículos comerciais elétricos em suas fábricas na Europa, que serão vendidos com a marca Iveco.

Os furgões, de média e grande capacidade de carga, serão produzidos nas fábricas de Atessa, Itália, Hordain, França, e Gliwice, Polônia. O lançamento dos novos modelos está previsto para 2026, e o acordo terá duração inicial de dez anos.

Mercedes-Benz amplia seu centro de customização de pesados

São Paulo – O centro de customização de caminhões e ônibus instalado na fábrica da Mercedes-Benz em São Bernardo do Campo, SP, foi expandido e passa a receber, também, veículos elétricos. Inaugurado em 2015 o CTC, Custom Tailored Center, já customizou mais de 15 mil veículos, dos quais 3,5 mil foram exportados, metade para países da América Latina e metade para outros continentes, segundo Erica Daumichen, vice-presidente de operações de caminhões e agregados.

Segundo ela a área passou a ter o potencial para dobrar a capacidade de entrega, com tempo de operação reduzido e atendimento mais rápido às demandas dos clientes: “Manteremos nossa equipe preparada para a chegada de novas soluções customizadas, inclusive os elétricos, garantindo assim a qualidade de nossos produtos e a segurança e bem-estar dos colaboradores”.

Setores como mineração, construção e transporte de bebidas são as que mais puxam as vendas de caminhões customizados. O modelo envolve a participação de diversas áreas da companhia, como marketing, estratégia de produto, engenharia, produção, logística, compras. Alguns exemplos de veículos que passaram pelo CTC são o Actros Estrela Delas, o Arocs 4051 8×4 madeireiro e kits para aplicação em setores canavieiro, madeireiro e construção civil.

Juro alto é vento contra em vendas de caminhões

São Paulo – Acomodada a euforia da Fenatran, realizada em novembro com estimativa de recorde de negócios fechados ou alinhavados, na casa dos R$ 15 bilhões, neste início de 2025 a elevação dos juros começa a ventar contra as possibilidades de desempenho melhor para o mercado nacional de caminhões. Durante a feira a média das apostas convergia para possível alta de 5% nas vendas, que poderia surpreender e chegar até aos 10%.

Mas com o salto da taxa básica Selic, fixada em 11,25% ao ano naquele início de novembro e elevada para 12,25% em dezembro, com nova alta para 13,25% já contratada pelo Banco Central para janeiro e promessa de alcançar 14,25% neste março, os ânimos esfriaram. As expectativas, contudo, ainda não são tão ruins.

O Fórum AutoData Perspectivas Caminhões, que será realizado na terça-feira, 18 de março, debaterá o desempenho do setor com os principais representantes dos fabricantes de caminhões e implementos rodoviários. O evento é on-line e com acesso gratuito: basta acessar aqui e fazer sua inscrição para assistir.

No fim de dezembro a Anfavea, que reúne as empresas fabricantes de veículos, ajustou sua projeção de vendas domésticas de caminhões para ficar, no máximo, igual a 2024, quando foram vendidas 125 mil unidades, considerando todos os segmentos.

A maioria das consultorias segue a mesma linha, como a Power Systems Research, que prevê para este ano a venda de 120 mil caminhões acima de 6 toneladas de PBT, em leve crescimento de 2,1% – não entram nesta conta os modelos semileves de 3,5 a 6 toneladas.

Assim nem deu tempo de comemorar a boa alta nas vendas de caminhões de 15,7% sobre 2023, que foi apenas a recuperação da grande retração de 14,7% daquele ano, causada pela entrada em vigor da atual fase da legislação de emissões para veículos pesados, o Proconve P8, que tornou de 15% a 25% mais caros os caminhões pela adoção da motorização Euro 6.

Mas 2025 não começou mal: os 18,4 mil caminhões emplacados no primeiro bimestre significaram crescimento de 10,8% sobre o mesmo período de 2024, segundo consolidação da Anfavea. Fevereiro, com 9 mil emplacamentos, registrou recuo de 4,7% sobre janeiro, mas alta de 7,1% ante o mesmo mês do ano passado. Ambos os movimentos são justificados pelo menor número de dias de fevereiro, que este ano teve maior número de dias úteis porque em 2024 o carnaval caiu no meio do mês.

Na análise de Arcélio Júnior, presidente da Fenabrave, que representa os concessionários, a tendência ainda é de crescimento mas o embalo do primeiro bimestre ainda vem do fim de 2024: “O efeito Fenatran tem sido claro neste início do ano, com a confirmação dos pedidos realizados na feira. Embora a alta nas taxas de juros preocupe há a expectativa de se manter um bom desempenho em função da safra agrícola, que promete ser uma ser uma das melhores dos últimos anos”.

Horizonte preocupante

O problema é que o gás da Fenatran não deve passar do primeiro trimestre e já houve cancelamentos, embora poucos fabricantes admitam isto com todas as letras, como Alcides Cavalcanti, diretor executivo da Volvo Caminhões: “Foram cancelados perto de um terço dos pedidos tirados na Fenatran. Outro terço foi faturado e entregue e o restante foi adiado justamente por causa do ambiente econômico atual, que encareceu o crédito”.

E Cavalcanti prevê piora do cenário, especialmente no caso da Volvo, que tem produtos mais caros: “Estimamos uma redução de mercado de 10% este ano no segmento em que atuamos, que é o de caminhões acima de 16 toneladas de PBT. Embora a Selic esteja a 13,25% e com indicação de nova alta [para 14,25%] pelo Banco Central, a taxa de juros real [dos financiamentos] está bem acima disso. Isto está freando o mercado, em todos os segmentos. A maioria dos transportadores está adiando suas decisões de compra. Só estão comprando caminhão ou renovando parte da frota aqueles clientes que realmente precisam do veículo imediatamente”.

Atuando em faixa de mercado idêntica à da Volvo a Scania não observou tantos cancelamentos das vendas negociadas na Fenatran, mas tem percepção parecida sobre um ambiente mais difícil à frente, com menos recursos em caixa disponíveis para compra de caminhões, segundo avalia o diretor de vendas Alex Nucci: “O ano começou em compasso de espera, os negócios estão acontecendo em um ritmo menor se comparado a 2024. A taxa de juros elevada, com tendência de alta, se soma aos aumentos de preços do diesel, que impactam diretamente o custo operacional dos clientes”.

Jefferson Ferrarez, vice-presidente de vendas e marketing de caminhões da Mercedes-Benz do Brasil, segue o mesmo raciocínio: “Com a alta da taxa de juros alguns segmentos foram impactados e alguns operadores estão postergando a compra de novos caminhões”. Ele cita o exemplo do varejo, especialmente mercadorias transportadas por veículos rodoviários de maior porte: “Os modelos extrapesados têm preços mais elevados e, então, qualquer variação na taxa do financiamento resulta em grande impacto no valor da parcela dos clientes”.

Ainda assim a Mercedes-Benz, bem como todos os demais fabricantes de caminhões no País, trabalham com a projeção de estabilidade do mercado feita pela associação do setor: “Estamos em fase de revisão das projeções, mas até o momento mantemos o alinhamento com a Anfavea”.

Nucci, da Scania, vai pelo mesmo caminho: “Naturalmente o mercado em 2025 será mais desafiador e com isso nossas projeções, sem dúvida, serão alteradas. Será um ano de menores volumes, mas ainda é cedo para fazer projeções. Acreditamos que após o fechamento do primeiro trimestre teremos céu mais claro de como deverá ser”.

Ventos contra e a favor

Apesar do vento contrário dos juros Cavalcanti, da Volvo, avalia que o resultado não será de todo negativo: “Não significa que será um ano ruim, até porque, a se confirmar o desempenho atual, 2025 terá volumes maiores do que os de 2023, mas deverá ser inferior a 2024”.

De modo geral a crença é de que embora os juros trabalhem contra o crescimento das vendas também existem motivos concretos para comprar caminhões, como a já citada supersafra de grãos que impõe necessidade de transporte de estimadas 320 milhões de toneladas de soja e milho. Também devem sustentar as vendas para cima os investimentos do governo em programas como o Minha Casa, Minha Vida e o PAC, Programa de Aceleração do Crescimento, que fomentam negócios no setor de construção civil e a compra de caminhões pesados e semipesados.

“O segmento de caminhões pesados enfrenta mais desafios, mas o de semipesado vive em um cenário mais positivo, com demanda mais aquecida”, afirma o diretor de vendas da Scania.

Segundo Ricardo Alouche, vice-presidente de vendas e marketing da Volkswagen Caminhões e Ônibus, até o momento a empresa não notou sinal de retração do mercado: “Ao contrário: passado o período de fim de ano temos notado a volta de grandes clientes para novas negociações”. O executivo afirma ainda que “nenhum negócio efetivamente fechado na Fenatran foi cancelado ou postergado. Estamos faturando todos os pedidos de acordo com os prazos de entrega estabelecidos”.

Com uma linha ampla de produtos, de modelos semileves a extrapesados, a Iveco continua surfando na onda que se ergueu na Fenatran. Carlos Fraga, seu diretor de marketing na América Latina, afirma que todos os objetivos comerciais da feira foram alcançados e “esperamos continuar fechando negócios a partir dos contatos realizados durante o evento”.

Segundo Fraga as vendas seguem crescendo bastante acima da média do mercado: “Observamos crescimento de 45% nos emplacamentos da Iveco e ganhamos 2 pontos porcentuais de market share ao comparar janeiro de 2025 com 2024. Estamos reforçando o contato com nossos clientes para ampliar nossa participação tanto em grandes frotas e como com autônomos”.

O bom momento de 2024 e início de 2025 ainda sustenta certo otimismo, mas os próximos meses mostrarão de fato o quanto o juro alto pode anular os fatores de crescimento do mercado nacional de caminhões.