Anac coloca em xeque sua projeção de vendas para o mercado do chileno

São Paulo – Após o resultado de novembro, somado à dificuldade dos consumidores de financiar automóveis novos, a baixa confiança da população e a interrupção no recebimento de veículos no porto de San Antonio, a Anac, entidade que representa o mercado automotivo do Chile, não sabe se será possível chegar ao volume de vendas de 310 mil unidades que foi projetado para o ano. 

As vendas de automóveis e comerciais leves no Chile somaram 274,4 mil unidades de janeiro a novembro, volume 4,3% menor do que o registrado em idêntico período do ano passado. Os dados divulgados pela Anac apontaram para 25,1 mil vendas em novembro, queda de 2,1% na comparação com igual mês do ano passado e recuo de 9,1% com relação a outubro.

Em onze meses a marca que mais vendeu automóveis e comerciais leves no Chile foi a Toyota, com 21,2 mil. Em segundo lugar ficou a Hyundai, 18,8 mil unidades, seguida de perto pela Chevrolet, 18,3 mil.

Os caminhões apresentaram a maior queda até novembro, com 10,9 mil unidades comercializadas, retração de 39,3% na comparação com igual período de 2023. Em novembro as vendas somaram 1,1 mil unidades, queda de 4,5% com relação a idêntico mês do ano passado e de 12,3% quando comparadas com outubro. 

O mercado de ônibus também apresentou forte queda de janeiro a novembro, 35,6%, com 1,8 mil unidades vendidas. Foram comercializados 188 ônibus no mês passado, volume 33,1% menor do que o resultado de idêntico mês de 2023 e 28,8% menor do que o volume de outubro.

Toyota Corolla, Volvo XC90 e Ford Mustang Mach-E ganham o selo de maior valor de revenda

São Paulo – Toyota Corolla, na categoria Motores a Combustão, Volvo XC90, na Híbridos, e Mustang Mach-E GT, na Elétricos, foram os campeões da décima-primeira edição do Selo Maior Valor de Revenda – Autos 2024, organizado pela Agência AutoInforme. A cerimônia de premiação foi realizada na sexta-feira, 6, em São Paulo.

O Corolla registrou 4,7% de depreciação de novembro de 2023 a outubro de 2024, o XC90 3,8% e o Mustang Mach-E 5,2%. No total foram avaliados 170 modelos em uma linha de corte de pelo menos 1 mil unidades de veículos a combustão, trezentos híbridos e cem elétricos vendidos em doze meses.

Outros trinta modelos, de dezesseis empresas, foram premiados por serem os melhores em seus segmentos. Veja a lista:

A combustão
Hatch Entrada – Fiat Mobi -9,3%
Hatch Compacto – Chevrolet Onix -8%
Hatch Médio/Premium – BMW 118i -13%
Picape Pequena – Fiat Strada -6%
Picape Compacta – Ram Rampage -7,6%
Picape Média – Ford Ranger -10%
Picape Grande – Ford F150 -10,7%
Sedã Pequeno – Fiat Cronos -9,2%
Sedã Compacto – Volkswagen Virtus -8,4%
Sedã Médio – Toyota Corolla -4,7%
SUV Entrada – Volkswagen Nivus -9,1%
SUV Compacto – Honda HR-V -7,7%
SUV Médio – Porsche Macan -5,9%
SUV Grande – Porsche Cayenne -6,8%
SUV/Minivan/7 Lugares – Toyota SW4 -8,2%

Híbridos
Leve/Sedã – Audi A3 -9,5%
Leve/SUV Compacto – Kia Stonic -13,3%
Leve/SUV Médio – Kia Sportage -8%
Leve/SUV Grande – BMW X6 -7,7%
Picape – Ford Maverick -13,5%
Sedã – Toyota Corolla -5,4%
SUV Compacto – Lexus UX 250 -8,6%
SUV Médio – Haval H6 -11,2%
SUV Grande – Lexus RX 500h -12,2%
Plug-in Sedã – BMW 330 -6,3%
Plug-in SUV Médio – Volvo XC60 -5,4%
Plug-in SUV Grande – Volvo XC90 -3,8%

Elétricos
Entrada – Caoa Chery iCar -22,1%
Hatch Compacto – BYD Dolphin -12,5%
Esportivo – Ford Mustang Mach-E GT -5,2%
SUV Compacto – Volvo XC40 -15,2%
SUV Médio – BMW iX1 -13%
SUV Grande BMW IX -14,1%

Trabalhadores da Volkswagen programam novas paralisações na Alemanha

São Paulo – Diante da crise e da necessidade de cortes de gastos na Volkswagen trabalhadores preparam uma segunda onde de greve nas fábricas da Alemanha na segunda-feira, 9. As paralisações, segundo sindicato IG Metall, terão duração de quatro horas em nove locais diferentes, o que significará o dobro de tempo de produção perdido durante as paradas do dia 2.

Reportagem da Bloomberg aponta que a entidade convocou operários a comparecerem a assembleia em Wolfsburg, onde a montadora está sediada, na manhã do dia 9, quando, em paralelo, são previstas negociações com a empresa. O IG Metall informou, no entanto, que se nenhum acordo for fechado a greve poderá tornar-se mais robusta e se estender por tempo indeterminado.

Na quarta-feira, 4, o CEO do Grupo VW, Oliver Blume, disse a 20 mil funcionários na principal fábrica da marca em Wolfsburg que em meio a mercado europeu fraco, adoção de veículos elétricos mais lenta que a esperada e concorrência desleal com entrantes chinesas será necessário cortar salários em 10%, eliminar postos de trabalho e fechar ao menos três fábricas.

Diante disso o negociador da IG Metall, Thorsten Groeger, afirmou ser “quase uma zombaria quando Oliver Blume se posiciona diante da força de trabalho e lhes deseja feliz natal enquanto o conselho da Volkswagen, ao mesmo tempo, prefere colocar cartas de demissão sob a árvore de natal para os funcionários”.

Vendas de ônibus devem crescer 20% , estima Simefre

São Paulo – Com base nos dados do mercado de ônibus até outubro, de vendas acumuladas de 19 mil 486 unidades, aumento de 17,8% frente ao ano passado, o Simefre, Sindicato Interestadual da Indústria de Materiais e Equipamentos Ferroviários e Rodoviários, projeta alta de 20% para o encerramento de 2024.

Apesar de fechar no azul este ano o diretor do sindicato, Ruben Bisi, avaliou que existe a necessidade de prorrogação do edital do programa Caminho da Escola para 2025, por causa do volume de compras ter ficado abaixo do esperado – o que, por outro lado, poderá contribuir para elevar a demanda no ano que vem.

Além desta iniciativa governamental existe expectativa positiva por parte de outra, que envolve a aquisição de ônibus urbanos a diesel e elétricos pelo Ministério das Cidades, por meio do programa PAC 3 Mobilidade.

Bisi também acredita que a necessidade de renovação da frota gere tendência crescente da demanda a partir do segundo trimestre, tanto no urbano quanto no rodoviário. No turismo a tendência é que a maior procura por viagens domésticas mantenha o segmento aquecido.

Ponto de preocupação externado pelo dirigente é a entrada de produtos chineses “sem enfrentar o custo Brasil e com subsídios cruzados, quebrando assim a isonomia concorrencial.”

VW Caminhões e Ônibus capacita 250 trabalhadores do Sul Fluminense

São Paulo – A VW Caminhões e Ônibus, em parceria com o Sindicato dos Metalúrgicos do Sul Fluminense, capacitou 250 pessoas da comunidade local para que elas estejam prontas para trabalhar na fábrica de Resende, RJ, quando novas oportunidades surgirem. Estas vagas também podem surgir nos fornecedores que estão instalados no Consórcio Modular VWCO, que já contrataram 10% da mão de obra treinada.

Foram oferecidas mais de 30 mil horas de treinamento para o cargo de montador, ajudando a elevar o IDH, Índice de Desenvolvimento Humano, e 70% das pessoas treinadas eram mulheres, de acordo com a montadora.

GAC pretende definir produção local no ano que vem

São Paulo – “O Brasil é prioridade para a GAC.” Por mais de uma vez Wei Haigang, presidente da GAC Internacional, fez essa afirmação na quinta-feira, 5, quando a companhia chinesa assinou acordos de cooperação com universidades brasileiras com foco em desenvolvimento de tecnologias flex, aliadas ou não à eletrificação.

A empresa ainda nem vende carros no Brasil – está em processo de definição de portfólio, que pode incluir modelos como o Aion S, Aion Y e o Aion GT, todos citados por Haigang em conversa com jornalistas – mas já destina R$ 120 milhões para pesquisa e desenvolvimento. A ideia é ter, no Brasil, uma área de P&D para trabalhar integrada com os engenheiros chineses. Existe um grande interesse em biocombustíveis.

Wei Haigang

Ao contrário das demais recém-chegadas chinesas a GAC não coloca a eletrificação no topo de suas prioridades. Seu CEO para o Brasil, Alex Zhou, disse que todas opções de powertrain serão ofertadas: “Nós produzimos na China carros ICE, HEV, PHEV e BEV. Planejamos oferecer todas essas tecnologias aos brasileiros”.

Alex Zhou

A princípio, naturalmente, os carros serão importados. O plano é abrir trinta concessionárias até o meio do ano e fechar 2025 com cinquenta lojas. Em paralelo está sendo desenhado o planejamento da produção local, que não deverá demorar: segundo Haigang a ideia é comprar uma fábrica pronta e colocá-la para rodar até o fim de 2026.

O local ainda não está definido, mas a GAC já mapeou oportunidades. Embora os executivos não tenham citado existe a fábrica da Toyota em Indaiatuba, SP, disponível, que está sendo descontinuada e a produção do Corolla transferida para Sorocaba, SP. Pode ser, porém, que os prazos não coincidam.

Só depois de batido o martelo de local que serão divulgados os cronogramas, capacidade e modo de produção, se CKD ou produção completa. Nenhum destes planos foi informado pelos executivos aos jornalistas neste primeiro contato da GAC que, em junho, anunciou ao vice-presidente da República e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin, investimento de US$ 1 bilhão.

John Deere inaugura seu primeiro centro de desenvolvimento no Brasil

Indaiatuba, SP – A John Deere inaugurou na quinta-feira, 5, o seu primeiro Centro de Pesquisa e Desenvolvimento brasileiro, com investimento próprio de R$ 180 milhões. Com quadro de colaboradores inicial de 150 pessoas, a maioria engenheiros, o trabalho em Indaiatuba, SP, será focado em novos tratores, colheitadeiras e pulverizadores, softwares e novas tecnologias que serão aplicadas na máquinas e biocombustíveis como etanol e biometano.

O CTO global, Jahmy Hindman, fez mistério sobre o primeiro projeto a sair do centro brasileiro. Mas deu uma pista ao dizer que deverá ser algum novo software ou nova tecnologia para ser embarcada nas máquinas. De olho em máquinas que operem com biocombustíveis a John Deere já estava trabalhando em projeto de trator movido a etanol, que começará a ser testado no Brasil em janeiro de 2025, começando pelo Estado de São Paulo.

Um dos focos será o segmento de cana-de-açúcar, matéria-prima do etanol produzido no Brasil. Produtores da cultura podem ser um dos segmentos interessados nessa tecnologia, assim como os de grãos:

“Nosso trabalho com biocombustíveis começou antes do novo centro, com testes em laboratórios de máquinas movidas a etanol”, disse Antônio Carrere, vice-presidente de vendas e marketing para a América Latina da John Deere. “A primeira começará a ser testada no campo a partir de janeiro. Serão, pelo menos, dois anos de testes com um trator da série 8R, em paralelo com os trabalhos no novo Centro de Pesquisa e Desenvolvimento”.

A John Deere identificou a necessidade de ter um centro de P&D com foco em produtos e tecnologias para agricultura tropical, que envolve o Brasil e toda a América Latina, há dois anos, quando começou a trabalhar no projeto. Depois de definir o local, um terreno em Indaiatuba, começou o trabalho de construção das novas instalações, que levou onze meses da pedra fundamental até a inauguração.

A nova unidade de P&D será totalmente integrada com os outros centros que a empresa mantém nos Estados Unidos e na Alemanha, compartilhando avanços e conhecimento. A intenção da John Deere é usar o Brasil como base exportadora das novas máquinas que serão desenvolvidas aqui para toda a América Latina, Estados Unidos e alguns países da Europa, assim como novas tecnologias que serão embarcadas nos equipamentos e novos softwares.

Carrere disse que o investimento não está relacionado ao programa Mover, Mobilidade Verde e Inovação, mas pode ser que no futuro a empresa desfrute dos benefícios disponíveis por meio do programa: “Sempre trabalhamos próximos ao governo e vamos estudar o Mover para ver quais possibilidades temos de aproveitar os incentivos. Se for possível aproveitaremos.”

Com o investimento no Centro de Pesquisa e Desenvolvimento a John Deere chegou à marca de R$ 3 bilhões investidos no Brasil nos últimos cinco anos.

Melhora nas vendas de pneus em outubro reduz queda no acumulado

São Paulo – Reagiram as vendas de pneus, em outubro, com 4,6 milhões de unidades e altas de 8,3% em comparação a setembro e de 8,4% frente ao mesmo mês de 2023. Isto levou a que a queda no acumulado de 2024 diminuísse: se até setembro o recuo era de quase 6% nos dez meses a diferença caiu para 3,9% abaixo do mesmo período de 2023, com 42,5 milhões de pneus, conforme dados da Anip.

Considerando todo tipo de pneu ao longo do ano a comercialização para montadoras acumula queda de 2,3%, com 10,9 milhões de unidades. E as vendas para o mercado de reposição caíram 4,4%, para 31,5 milhões.

Por categoria a maior retração foi observada em pneus para veículos de passeio, sendo que de janeiro a outubro houve recuo de 7,1%, somando 21,3 milhões de unidades. Quando se analisa apenas o aftermarket a queda foi de 9,9%, para 14,8 milhões de unidades – o que, segundo a entidade, reflete sua queixa com relação à concorrência com importados, especialmente os de origem asiática.

Embora o governo tenha aceitado elevar o porcentual do imposto de importação para pneus de passeio de 16% para 25% por 24 meses a medida deverá impactar o mercado apenas a partir do ano que vem, estima a Anip.

Pneus para veículos de carga acumulam incremento de 4% em 2024, com 5,6 milhões de unidades. O destaque ficou por conta das vendas às fabricantes, que apresentaram aumento de 21,6%, para 1,5 milhão.

Segundo a Anip o crescimento em outubro foi impulsionado justamente pelo comércio às montadoras, que avançaram 11,6% com relação a setembro, para 1 milhão 360 mil. O mercado de reposição também avançou 7%, para 3 milhões 280 mil.

Cláudio Castro é o novo presidente da SAE Brasil

São Paulo – A SAE Brasil anunciou seu novo presidente para o biênio 2025-2026: Cláudio Castro, diretor executivo de P&D da Schaeffler para a América Latina. Ele sucederá a André Gasparotti, gerente de programas e estratégia de P&D da Embraer, a partir de 1º de janeiro.

Castro acredita na vocação do Brasil para a mobilidade híbrida e matriz energética renovável, assim como no diálogo aberto para o desenvolvimento local de projetos de adensamento produtivo e no papel de gerador de tecnologia, e estes temas deverão permear sua gestão à frente da SAE Brasil.

Engenheiro elétrico com especialização em eletrônica e extensão em qualidade industrial, o executivo dedicou parte de sua carreira à área de testes e simulações. Ingressou na Luk em 1991, que a partir de 2000 passou a integrar a Schaeffler, e fez carreira na companhia, onde permanece há mais de três décadas.

GAC acerta parceria com universidades para desenvolver tecnologia flex

São Paulo – Quinta maior montadora da China e com plano de investimento de US$ 1 bilhão no Brasil a GAC fechou parceria com universidades brasileiras para acelerar o desenvolvimento da tecnologia híbrido flex. O acordo de cooperação técnica foi assinado com a Unicamp, Universidade Estadual de Campinas, com a UFSC, Universidade Federal de Santa Catarina, e com a UFSM, Universidade Federal de Santa Maria.

Serão investidos R$ 120 milhões, somente em pesquisa e desenvolvimento. Segundo Wei Haigang, presidente da GAC Internacional, o objetivo é ter motores flex mais eficientes combinados com sistemas híbridos, além de biocombustíveis e outras alternativas de combustão.

O plano da GAC é produzir os motores e veículos no Brasil, a combustão, híbridos e elétricos. As vendas dos modelos, ainda importados, deverá começar em 2025.

“O Brasil é prioridade no nosso plano de expansão”, disse Alex Zhou, CEO da GAC no Brasil. “Espero que esta seja a primeira de muitas parcerias com instituições brasileiras.”

No ano passado a GAC produziu 2,5 milhões de carros na China. É ela a responsável pela produção dos modelos Toyota e Honda naquele país.