ArcelorMittal pretende consumir toda a sucata metálica gerada pela Igar

Igarapé, MG – Uma das principais parcerias do Grupo Sada no projeto da Igar, Reciclagem Igarapé, a ArcelorMittal está disposta a adquirir 100% dos metais gerados pela desmontagem e pela reciclagem veicular. De acordo com Bernardo Rosenthal, diretor de compras de metálicos e aços longos e biofloresta da ArcelorMittal, a parceria estratégica com a Igar, formalizada na inauguração da recicladora na quarta-feira, 25, não se limita a um acordo comercial.

Antes vista apenas como resíduo, a sucata hoje figura como insumo estratégico global e como um dos principais motores da descarbonização e da competitividade. Com cinco pontos de captação a siderúrgica tem, atualmente, 54% da produção de aços longos a partir da sucata: “O aço é infinitamente reciclado. Onde alguns veem o fim de um ciclo nós vemos o início de um novo valor”.

Enquanto não sai a portaria do programa Mover, Mobilidade Verde e Inovação, que traz pormenores da reciclabilidade e reciclagem veicular, Rosenthal contou que a companhia leva produtos para serem processados na Igar, fomentando item reciclado em detrimento de outras matérias-primas derivadas de minério e do uso de carvão. Segundo o diretor da ArcelorMittal a companhia consome 3 milhões de toneladas de sucata por ano no Brasil, ou 250 mil toneladas por mês, o que cresce conforme o PIB avança:

“Estamos preparados para consumir 100% da geração de sucata da Igar. Temos a expectativa de trabalhar com 6 mil toneladas por mês de material da recicladora, em um primeiro momento advindo também de fogões e geladeiras velhos que trazemos até aqui, até que vão entrando mais veículos e focamos no insumo vindo dos carros”.

Ou seja: embora a representatividade do material provido pela Igar seja de 2,5% do total consumido mensalmente pela ArcelorMittal, por enquanto, o potencial de crescimento é enorme. Globalmente, a companhia utiliza 30 milhões de toneladas de sucata por ano.

Quase 80% do peso do carro é de material metálico

O equipamento do Grupo Sada tem capacidade de processar 120 toneladas de metal por hora, o que equivale a quinhentos carros por dia. Após a descontaminação dos veículos as baterias são entregues às recicladoras, o gás do ar-condicionado é completamente reutilizado por empresas especializadas, as rodas são trituradas na Igar e os pneus vão para cooperativas de reciclagem de borracha. 

Na segunda fase do projeto todos os fluidos são drenados. Os vidros laterais são removidos e quebrados, seguem para associações de reciclagem e, por fim, o catalisador é removido. Assim, o carro está pronto para ser triturado.

Segundo a vice-presidente executiva do Grupo Sada, Daniela Medioli, o processo dá origem a sete subprodutos, sendo que de 70% a 80% do peso de um veículo é de material metálico: “Quanto ao restante já identificamos parceiros no Estado de Minas Gerais. E estamos mapeando outros pelo País”. 

Para Medioli este é processo inovador que, ao aliar à capacidade de alcance do grupo em busca de veículos mais antigos, normalmente mais distantes dos grandes centros urbanos, tem-se grande capacidade de prover logística reversa ao concentrá-los em uma só base. 

“Produzir peças e componentes com itens reciclados traz diferencial que será valorizado pelo Mover, e acreditamos que este será o início de um caminho que não tem mais volta. O Brasil será país de destaque em frotas verdes.”

Igar espera reciclar 50 mil carros em seu primeiro ano de operação

Igarapé, MG – Na esteira da expectativa de que nas próximas semanas – ou dias – o MDIC, Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, publique portaria com pormenores acerca das regras de reciclabilidade e reciclagem veicular e metas a serem cumpridas por empresas participantes do programa Mover, Mobilidade Verde e Inovação, o Grupo Sada inaugurou a Igarapé Reciclagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, MG.

A recicladora, que desde meados do ano passado já estava operando de forma experimental, recebeu investimento de R$ 200 milhões para firmar-se como o túmulo do carro, jogando a pá de cal em seu ciclo de vida. Estabelecida para tirar de circulação veículos mais antigos, esquecidos em pátios de seguradoras e nos Detran, e que tenham dado perda total, a Igar faz o processo de descontaminação, extrai partes e peças, tritura os metais e direciona os materiais, que se tornam insumos novamente, para outras indústrias.

Durante a cerimônia de inauguração na quarta-feira, 25, com a presença do vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões, do presidente e fundador do Grupo Sada, Vittorio Medioli, e do vice-presidente da Stellantis e da Anfavea, Márcio de Lima Leite, a vice-presidente executiva do Grupo Sada, Daniela Medioli, ressaltou que a Igar nasceu inspirada na Política Nacional de Resíduos Sólidos e no conceito de responsabilidade compartilhada. 

Idealizado há quase uma década o equipamento tem capacidade para processar até 300 mil veículos por ano e potencial de reinserir até 80% de seus materiais em novos ciclos produtivos e de remanufatura. Neste primeiro ano de operação, enquanto as montadoras tomam ciência das regras de reciclabilidade que terão de cumprir para obter benefícios fiscais por meio do Mover, é esperada a reciclagem de 50 mil veículos, 17% da capacidade total.

Igar projeta receber veículos por meio de cegonhas que distribuem 0KM

“Igarapé não foi escolhida à toa. Está na principal rota de logística reversa de implementos cegonha no País”, observou Daniela Medioli. “O que permite operar com eficiência tanto na entrada de veículos como na destinação sustentável dos materiais processados.”

Medioli referiu-se ao fato de que o Grupo Sada tem hoje cerca de 3 mil cegonhas rodando pelo Brasil, entregando principalmente carros das marcas da Stellantis, que mantém centro de distribuição de 0 KM em Igarapé. Estas carretas, no entanto, voltam à cidade vazias. A ideia é que os veículos a serem reciclados cheguem à Igar a bordo delas.

“Existem alguns entraves com os Detran, mas o MDIC está tentando endereçar questões para destravar carros em fim de ciclo dos pátios públicos. Há vários aspectos regulatórios que ainda impedem isso hoje, mas carcaças abandonadas ficam empilhadas e entulhadas por anos, sem gerar valor, apenas ocupando espaço e oferecendo riscos ambientais e de segurança. Aqui eles geram valor voltando para a cadeia produtiva.”

Enquanto este capítulo não é sanado a vice-presidente exemplificou formas de se obter carros em fim de vida por meio de leilões, seguradoras e pelas próprias montadoras, o que é incentivado a partir de política pública: “Hoje este veículo é visto como matéria-prima. Com o Mover passa a se tornar incentivo fiscal pois, a cada carro reciclado, o programa prevê redução de IPI na produção de carros novos. É aí que traz mais sustentabilidade financeira e fomenta esta cadeia”.

Segundo Medioli diversos fabricantes de veículos já procuraram a empresa mas ainda estão aguardando a portaria que discorre sobre o tema. Ela citou que o Brasil tem cerca de 49 milhões de veículos em sua frota circulante, sendo aproximadamente 10 milhões de unidades com mais de quinze anos de uso, o que eleva a idade média. Ao passo que a taxa de reciclagem é baixa, de apenas 1,5%. Realidade que a Igar pretende mudar.

Híbridos leve flex da Stellantis Goiana terão bateria de 48V

São Paulo – Chega no primeiro semestre um modelo Stellantis híbrido flex com tecnologia MHEV 48V, produzido em Goiana, PE. Ainda mantido em segredo será o primeiro de quatro carros com o sistema Bio Hybrid que sairá de Pernambuco em 2026, terceira fábrica da Stellantis a lidar com a tecnologia – de Betim, MG, saem os Fiat Pulse e Fastback e de El Palomar, Argentina, os Peugeot 208 e 2008, todos com sistema MHEV de 12V.

O sistema traz uma máquina elétrica que substitui o alternador e o motor de partida e fornece torque adicional ao motor a combustão, ao mesmo tempo em que gera energia elétrica para a bateria de íon-lítio de 48V.

No ano passado foram vendidos 24,9 mil veículos com a tecnologia de 12V, Fiat Pulse e Fastback e Peugeot 208 e 2008.

Segundo a Stellantis novos chicotes, específicos, estão em produção na fábrica de componentes de Jaboatão dos Guararapes, PE. Em Goiana foram promovidos aprimoramentos em áreas como funilaria, prensas e montagem. Os modelos Bio Hybrid são produzidos na mesma estrutura dos com o motor a combustão convencionais.

Ainda em Goiana, como adiantou a Stellantis no Salão do Automóvel do ano passado, serão montados modelos Leapmotor.

BNDES aprovou R$ 3,7 bilhões para o programa Move Brasil

São Paulo – Novo balanço divulgado pelo BNDES indica que, até o fim da manhã da quarta-feira, 25, cerca de R$ 3,7 bilhões foram aprovados em recursos para a renovação de frotas. Representa em torno de 37% do orçamento do programa, de R$ 10 bilhões.

Segundo o BNDES R$ 3 bilhões já foram contratados e R$ 1,9 bilhão desembolsado. Ao todo 1 mil 28 municípios brasileiros contrataram o programa, que registra 3 mil 318 operações para aquisição de 5,8 mil caminhões, num tíquete médio de R$ 1,1 milhão.

Caminhões novos, com R$ 3,6 bilhões, somaram 3 mil 126 operações. Para autônomos foram 192 operações, que somaram R$ 90 milhões.

Os pedidos seguem abertos até 25 de maio.

Produção da Mercedes-Benz em Juiz de Fora foi suspensa

São Paulo – A produção de cabines de caminhões na fábrica da Mercedes-Benz em Juiz de Fora, MG, foi suspensa por uma semana. Não houve danos à unidade, segundo informou a companhia em nota: a decisão de parar a produção foi para preservar a segurança dos trabalhadores, pois o acesso está com bloqueios viários e tem riscos, decorrente das chuvas que atingiram a cidade da Zona da Mata mineira.

As condições da fábrica, porém, permanecem seguras. Em paralelo a Mercedes-Benz “monitora a situação e presta apoio aos trabalhadores e familiares afetados e colabora com iniciativas de auxílio à comunidade de Juiz de Fora”.

O município está em estado de calamidade pública: há registro de alagamentos, deslizamentos de terras e vítimas fatais decorrentes das fortes chuvas. A produção, interrompida na terça-feira, 24, deverá retornar na segunda-feira, 2 de março.

Faturamento da indústria de autopeças cresceu 5,6%

São Paulo – O bom desempenho das exportações de veículos no ano passado contribuiu para o crescimento de 5,6% no faturamento da indústria brasileira de autopeças comparado com 2024. Relatório divulgado pelo Sindipeças indica que a alta moderada na produção de veículos, 3,5%, foi sustentada pelo “excepcional desempenho das exportações”, que avançaram 32,1% no período.

As montadoras foram responsáveis por 64,5% do total das vendas da indústria de autopeças, contribuindo com 8,7% de crescimento no faturamento nominal. As exportações das empresas de autopeças somaram 4,4% de alta, em meio a efeitos do tarifaço dos Estados Unidos, ainda que outros mercados relevantes como Argentina, Reino Unido, Colômbia e Peru tenham comprado mais peças brasileiras.

Estes bons resultados compensaram o recuo de 2,8% do mercado de reposição. Segundo o Sindipeças “são fatores que carecem melhor entendimento”, citando maior concorrência externa, liquidação de estoques, concentração de mercado e encarecimento de peças como possíveis causas para a queda. A linha leve recuou 3,4% e a pesada 0,4%.

A ociosidade da indústria alcançou 26,6%, 0,8 ponto porcentual acima do ano anterior. O nível de empregos avançou 3,7%, com 4 mil novos empregos gerados, de acordo com o Caged.

Taxa de juros para veículos sobe para o maior patamar desde abril

São Paulo – Após recuar em dezembro a taxa média de juros para financiamentos de veículos 0 KM voltou a crescer em janeiro, chegando a 27,7%. O índice, divulgado pelo Banco Central do Brasil, é o maior registrado desde abril do ano passado, quando bateu em 28,1%.

Mas em um ano os juros médios aplicados no crédito automotivo recuaram 1,8 ponto porcentual, conforme os dados do BC, em que pese o aumento da taxa básica de juros no período.

O controle sobre a inadimplência vem sido mantido ainda que em patamar elevado: os mesmos 5,6% de dezembro foram registrados em janeiro. É o maior índice desde maio de 2023.

Em um ano os atrasos superiores a noventa dias nos pagamentos de financiamentos de veículos 0 KM ascenderam 1,2 ponto porcentual.

Novas tarifas de Trump invertem a situação das autopeças brasileiras

São Paulo – Novamente uma decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, inverteu o cenário do setor exportador de autopeças brasileiro. Ao aplicar uma sobretaxa de 10 pontos porcentuais linear à maior parte dos produtos importados, em resposta à decisão da Suprema Corte de considerar ilegal o tarifaço que vem promovendo desde o início de seu governo, Trump acabou com a taxa de 50 pontos porcentuais que incidia sobre as peças para veículos pesados produzidas no Brasil desde julho. 

Agora sobre este grupo de produtos incide os 10 pontos, informou o Sindipeças ao ser consultado pela Agência AutoData. São 10 pontos que se acumulam às tarifas originais, que na maior parte dos casos é de 2,5%.

Mas, curiosamente, as exceções desta época passaram a ter taxa maior: as peças para veículos leves incluídas na Seção 232 seguem com os 25 pontos porcentuais. Não houve alteração, garantiu a entidade.

Os 10% que começaram a vigorar no começo da semana podem subir para 15% nos próximos dias, pois foi esta a declaração de Trump na semana passada. Tudo pode mudar a qualquer momento diante da instabilidade. Os 15 pontos são o máximo permitido pela imposição do poder executivo estadunidense, mas precisa ser ratificado pelo Congresso. Elas vigoram, em tese, até 24 de julho.

A justificativa de Trump para as tarifas atuais é “enfrentar desequilíbrios na balança de pagamento”. Anteriormente, na ação considerada ilegal pela Superma Corte, a causa era a segurança nacional.

As tarifas prejudicaram o comércio de autopeças com os Estados Unidos: as exportações para lá, segundo maior cliente brasileiro, caíram 12,8% no ano passado, para US$ 1,2 bilhão. O país é superavitário: as importações de lá somaram US$ 2,5 bilhões, alta de 9,6%.

Foco na biotransição energética

São Paulo – A edição de AutoData de fevereiro traz um caderno especial de 43 páginas que aborda a força e o imenso potencial dos biocombustíveis brasileiros. Com etanol, biodiesel, HVO e biometano o Brasil lidera a biotransição energética para reduzir e neutralizar as emissões de gases de efeito estufa dos veículos leves e pesados.

As reportagens do caderno especial mostram que o País ainda tem muito a avançar neste campo, com expressiva capacidade de produção de biocombustíveis ainda longe de alcançar seu topo, sem competir com produção de alimentos e ainda recuperar ambientes degradados.

Também é possível combinar biocombustível com eletrificação e até fazer o etanol gerar eletricidade, como mostram as pesquisas com células de combustível SOFC na Unicamp.

Destaque também para outra iniciativa em curso na Unicamp e no Senai Cimatec da Bahia, que desenvolve a plantação de agave no Semiárido do Nordeste como a mais nova e promissora matéria-prima para produzir etanol e biometano no Brasil, com potencial de transformar o Sertão brasileiro em um mar de bioenergia.

From the Top

Na entrevista From The Top deste mês – o videocast também pode ser visto no canal de AutoData no YouTube – conversamos sobre o mercado de veículos usados e seus recordes com José Éverton Fernandes, presidente da Fenauto, entidade que representa os revendedores no País.

Move Brasil

O programa do governo para liberar R$ 10 bilhões em financiamentos com juros reduzidos para a compra de caminhões novos e seminovos começou a dar os primeiros resultados – e a revista de fevereiro faz um balanço do Move Brasil, que tem potencial para reaquecer o combalido mercado de caminhões mas ainda coloca incertezas no horizonte de curto prazo.

Movimentos do mercado

Como já é tradição a primeira edição do ano de AutoData traz os movimentos que marcaram o mercado de veículos leves no ano anterior e quais tendências eles apontam para o ano em curso. O desempenho de vendas de marcas e modelos em 2025 indica mudanças para 2026, com chineses e eletrificação ganhando espaço e fabricantes tradicionais ajustando planos para seguir brigando por participação.

Comércio exterior

Graças à recuperação da Argentina – quase sempre efêmera – as exportações brasileiras de veículos deram um salto maior do que o esperado em 2025, mas o bom resultado foi ofuscado pelo também forte crescimento das importações, principalmente de carros chineses eletrificados. O desempenho positivo das vendas externas em apenas um ano não supera os problemas estruturais de falta de competitividade internacional dos produtos nacionais.

Lançamentos

A edição traz o lançamento do Nissan Kait, modelo produzido em Resende, RJ, que chegou este ano ao mercado para substituir oi antigo Kicks, usando a mesma base mecânica e incorporando novo visual e mais tecnologia. Mais do que um novo produto nacional o lançamento transforma a fábrica brasileira da Nissan em único polo exportador do modelo para mais de vinte países da América Latina, inclusive o México.

E mais uma chinesa vem tentar a sorte no Brasil: a Jetour, marca especializada em SUVs do Grupo Chery, lançou três modelos importados de uma só vez: S06, T1 e T2, todos espaçosos e potentes jipões híbridos plug-in.

Tudo grátis

Todo o denso conteúdo da revista AutoData de fevereiro está disponível gratuitamente para leitura on-line (aqui) ou para baixar o arquivo PDF (aqui). Agradecemos a leitura e já estamos preparando a edição de março.

KPMG aponta como a IA vai acelerar a transformação da indústria automotiva

A indústria automotiva vive um dos momentos mais desafiadores e transformadores de sua história. Eletrificação acelerada, veículos definidos por software, inteligência artificial, cadeias globais sob pressão e consumidores cada vez mais exigentes redesenham o setor em velocidade inédita. Nesse cenário, tecnologia deixa de ser diferencial operacional e passa a ser o principal vetor de transformação organizacional e estratégica.

O veículo deixa de ser um produto e se consolida como uma plataforma inteligente em evolução contínua. Atualizações over-the-air, personalização baseada em dados e novos modelos de mobilidade indicam que o valor estará cada vez mais associado ao ecossistema digital que orbita o carro.

Nesse contexto, dados tornam-se ativo estratégico central: preferências do consumidor, padrões de mobilidade, informações de tráfego, manutenção, conectividade embarcada. Fornecedores que souberem identificar seus ativos únicos, estabelecer parcerias inteligentes e monetizar dados no momento certo estarão mais bem posicionados para competir na próxima década.

Uma das maiores autoridades mundiais sobre o tema Inteligência Artificial, o sueco Pär Edin, head global de inovação e IA da KPMG, deu uma entrevista exclusiva para AUTODATA WORK STUDIO para esclarecer como as empresas do segmento automotivo podem encarar esse cenário desafiador.

“Para líderes que transitam entre engenharia, estratégia e inovação, essa mudança de perspectiva é clara: se no passado a tecnologia substituiu a força física por máquinas e ampliou o trabalho intelectual com computadores e redes, agora a Inteligência Artificial expande e acelera o potencial dos profissionais do conhecimento. Não se trata de eficiência, mas de repensar modelos de negócio, estruturas organizacionais e a própria lógica de geração de valor”, explicou.

Grandes empresas enfrentam o clássico dilema entre escala e disrupção. De acordo com o executivo da KPMG, a resposta está em uma abordagem de portfólio: estimular o empreendedorismo interno, manter programas estruturados de inovação no core do negócio e permitir que pequenas equipes desenvolvam iniciativas disruptivas com autonomia, além de aplicar estratégias inteligentes de fusões e aquisições. Essa combinação amplia as chances de capturar valor em diferentes horizontes de inovação.

Ao mesmo tempo, a cadeia de suprimentos enfrenta uma “tempestade perfeita”. A eletrificação, o avanço rumo à condução autônoma e a digitalização intensiva aumentam a dependência de software e semicondutores, enquanto eventos globais expõem fragilidades logísticas. Nesse ambiente, inteligência de mercado, resiliência estrutural e agilidade operacional tornam-se competências centrais. Relações mais próximas e baseadas em confiança entre fornecedores e montadoras passam a ser estratégicas.

“É aqui que a IA se consolida como ferramenta crítica”, esclarece Edin. “Ao longo do ciclo de desenvolvimento de produtos, entre 10% e 30% das atividades realizadas por profissionais do conhecimento já podem ser aceleradas por IA generativa”. Com a evolução da IA agentic, a automação tende a se expandir, impactando desenvolvimento de software, validação regulatória, testes e compliance. O resultado? Redução de prazos, maior qualidade e ganhos de produtividade.

Na cadeia de suprimentos, modelos avançados de IA permitem prever rupturas, otimizar estoques e redesenhar processos. Eles tornam as operações atuais mais eficientes e permitem ressignificar fluxos de trabalho, processando 100% das transações, automatizando atividades terceirizadas e reintegrando operações com menor custo e menos interfaces. “Resiliência e competitividade deixam de ser conflitantes”.

Onde a KPMG pode auxiliar?

Para apoiar essa jornada, a KPMG estruturou um portfólio completo de serviços AI-native, desenhado para transformar visão em captura de valor. A abordagem começa com o KPMG AI Jumpstart, que demonstra rapidamente o potencial da tecnologia em áreas selecionadas. Avança para a construção de uma AI Strategy robusta, com business case alinhado ao CFO e ao Board. Inclui ainda AI Workforce, para acelerar adoção e redesenhar funções; AI Trust, garantindo governança, compliance e cibersegurança; e AI Tech/Data, focada na criação de plataformas e “agent factories” capazes de escalar a IA com dados críticos e de alta qualidade. “De modo complementar, a KPMG oferece soluções específicas para otimização da cadeia de suprimentos, integrando tecnologia, transformação digital e gestão de mudanças”, sugere Pär Edin.

A transformação já começou. Quem compreender a inteligência artificial não apenas como tecnologia, mas como instrumento de reinvenção organizacional, terá vantagem decisiva na corrida pelo futuro da mobilidade.

Foto: KPMG