São Paulo – Os sinistros de trânsito causam a morte de 1,2 milhão de pessoas por ano no mundo todo, sendo que 92% das mortes acontecem em países mais pobres, que gastam de 3% a 5% do seu PIB com estes acidentes, seja indenizando vítimas ou com gastos hospitalares, de acordo com o Detran SP, Departamento Estadual de Trânsito do Estado de São Paulo. Outro dado importante é que para cada pessoa que morre no trânsito outras cinquenta ficam com algum tipo de lesão para o resto da vida, atingindo 60 milhões de pessoas globalmente.
Segundo dados do Detran de 2007 a 2018 o Brasil gastou R$ 1,5 trilhão com os acidentes e mortes que aconteceram em ruas, avenidas e estradas.
O excesso de velocidade e o limite acima do ideal de algumas avenidas são os principais causadores das mortes no trânsito brasileiro, mas existem outros quatro fatores que também têm grande participação: beber e dirigir, usar o celular ao volante, não usar o capacete para andar de moto e não usar o cinto de segurança.
Com relação à velocidade o Detran SP ressaltou que a redução da velocidade máxima das vias na cidade de São Paulo, que ocorreu em 2015, caindo de 70 km/h para 60 km/h e de 60 km/h para 50 km/h, reduziu em 37% as fatalidades nos acidentes. Isso aconteceu porque quanto maior a velocidade mais danos são causados nas vítimas:
“Um pedestre atropelado por um veículo a 60 km/h tem apenas 2% de possibilidade de sobreviver”, disse Diogo Lemos, coordenador da Iniciativa Bloomberg para a Segurança Viária Global. “A 50 km/h este porcentual aumenta para 15%, o que ainda é baixo. A 30 km/h a possibilidade de o pedestre sobreviver aumenta para 90%.”
Diante destes dados a Iniciativa Bloomberg e o Detran SP propõem que em vias com grande fluxo de veículos e pedestres dentro das grandes cidades a velocidade máxima deveria ser de 30 km/h, para ajudar a preservar vidas em caso de acidentes. Mas o cenário no Brasil ainda é bem diferente, caso do Rio de Janeiro, que tem velocidade média de 70 km/h em avenidas à beira mar, com alto fluxo de pessoas nas calçadas e atravessando para ir ou voltar da praia.
Além do trabalho para reduzir a velocidade média das grandes cidades o Detran SP e a Iniciativa Bloomberg também realizam ações para conscientizar a população dos riscos que envolvem o trânsito brasileiro. Um dos pontos é o uso da palavra sinistro no lugar de acidente porque um acidente se configura quando não sabemos como ou porque ocorreu, mas no País o cenário está muito claro e a maior parte dos acontecimentos está baseada nos tópicos acima.
Junto com o mapeamento das principais causas de sinistros de trânsito no País também foi apresentado o perfil de quem faleceu: 43,7% são motociclistas, 27,2% são ocupantes de veículos e 19,5% são pedestres. A maior parte desses sinistros fatais acontece às sextas, aos sábado e aos domingo, no período noturno.
Todo esse trabalho de conscientização e educação no trânsito faz parte do projeto nacional do Pnatrans, Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito, que pretende reduzir em 50% as mortes no Brasil no período de 2020 a 2030.



