Venda de pneus cai 8% no primeiro bimestre

São Paulo – As vendas de pneus ao mercado interno somaram 8,2 milhões de unidades no primeiro bimestre, volume 8,1% menor do que o comercializado em igual período de 2023, de acordo com dados divulgados pela Anip, entidade que representa as fabricantes nacionais. Para montadoras foram entregues 2 milhões de pneus, queda de 5,5% com relação aos dois primeiros meses do ano passado, e para o mercado de reposição a queda foi de 8,9%, para 6,2 milhões.

As vendas de pneus para veículos de passeio apresentaram a maior queda do bimestre, com recuo de 10,4%, 4,2 milhões de unidades. Os pneus para comerciais leves caíram 5,4%, 1,3 milhão.

As vendas de pneus para motocicletas consideram apenas os números do mercado de reposição, com 1,5 milhão de unidades, queda de 3,7% na comparação com o primeiro bimestre do ano passado. De acordo com a Anip os dados de vendas para montadoras não foram repassados pelas fabricantes à entidade.

O único segmento que registrou alta até fevereiro foi o de pneus de carga, com 1,5 milhão de vendas, incremento de 4,7% sobre o mesmo período de 2023.

Governo assina portaria com regras para habilitação ao Mover

São Paulo – As empresas do setor automotivo já podem se habilitar ao Mover, Mobilidade Verde e Inovação. A primeira portaria do programa, que trata das regulamentações de gasto mínimo em P&D, do sistema de acompanhamento dos investimentos e das penalidades em caso de descumprimento, foi assinada pelo vice-presidente da República e ministro do MDIC, Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, na manhã de terça-feira, 26, em cerimônia com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Foi a primeira de uma série de portarias e decretos que deverão ser emitidos nas próximas semanas em paralelo à tramitação do Mover no Congresso. O projeto tramita em duas frentes: uma MP, medida provisória, assinada no fim do ano passado e um PL, projeto de lei, enviado ao Congresso na semana passada, com textos idênticos. O governo optou pelo PL para acelerar a tramitação, pois colocou regime de urgência que dispensa a passagem por comissões das casas. A MP caduca no fim de abril.

Segundo o MDIC nas próximas semanas serão publicadas as regras que definem o IPI verde e as que estabelecem parâmetros de eficiência energética, rotulagem veicular, reciclabilidade e itens de segurança obrigatórios para a comercialização de carros novos no Brasil, nacionais ou importados.

Requisitos para pesquisa e desenvolvimento

Com a primeira portaria assinada por Alckmin os requisitos obrigatórios e regras para habilitação para poder receber os R$ 19,3 bilhões de créditos financeiros previstos de 2024 a 2028 foram definidos. Podem se habilitar empresas que produzam veículos, autopeças, máquinas autopropulsoras, sistemas e soluções para mobilidade de logística, incluindo insumos, matérias-primas e componentes, desde que:

  • tenham projeto de desenvolvimento e produção tecnológica;
  • desenvolvam pesquisa, desenvolvimento inovação ou engenharia destinados à cadeia automotiva;
  • sejam tributadas pelo regime de lucro real;
  • possuam centro de custo de pesquisa e desenvolvimento; e
  • assumam o compromisso de realização de dispêndios mínimos em P&D com relação à receita bruta de bens e serviços relacionados ao setor automotivo conforme a tabela abaixo:

A habilitação vigora até 31 de janeiro de 2029. Todas as empresas habilitadas têm até 31 de julho do ano subsequente para apresentar um relatório de acompanhamento do projeto, sob pena de cancelamento da habilitação com efeitos retroativos ou suspensão. Os investimentos podem ser realizados na forma de aporte do recém-criado FNDIT, Fundo de Desenvolvimento Industrial e Tecnológico.

Os projetos de investimentos que são credenciados a receber créditos financeiros abrangem a fabricação de novos produtos ou atualização de modelos existentes, realocação de unidades industriais, linhas de produção ou células de produção de produtos automotivos, e instalação de unidades destinadas à reciclagem ou economia circular da cadeia. Projetos visando à exportação podem gerar créditos adicionais.

Veja o texto da portaria na íntegra.

Divisão de segurança passiva da ZF passa a ser a ZF Lifetec

São Paulo – A ZF renomeou sua divisão de sistemas de segurança passiva para ZF Lifetec, em um passo para o processo de separação, spin off, e de torná-la uma empresa independente. No ano passado a área alcançou vendas de € 4,7 bilhões.

Desde outubro de 2022 o processo de separação está em andamento. A ZF Lifetec está presente em 46 locais de dezoito países e possui participação de mercado superior a 20% em suas principais categorias de produtos, que incluem airbags, volantes, cintos de segurança.

Marcas chinesas apostam pesado em publicidade para ganhar visibilidade

São Paulo – No segundo semestre do ano passado o mercado começou a ver a entrada de veículos híbridos e elétricos de marcas chinesas que eram pouco conhecidas dos brasileiros. Mas, ao apresentar produtos com preços agressivos e apostarem pesado na publicidade, essas empresas deixaram concorrentes com mais tradição no Brasil comendo poeira. Levantamento da Tunad, plataforma de inteligência de mídia, mostrou que em 2023 as fabricantes GWM e BYD – esta a partir de agosto – realizaram 6,7 mil inserções publicitárias na televisão aberta, na televisão paga e em rádios em São Paulo, sendo 96% delas em canais fechados.

O ápice foi em setembro, quando 38% dos anúncios foram das duas marcas chinesas. Somente a BYD respondeu por 2,2 mil inserções, volume que superou o total da GWM, que teve seu maior volume em julho, 658.

De janeiro a fevereiro o movimento prosseguiu e, juntas, responderam por 8,1% das inserções do bimestre, que totalizaram 11 mil 998, sendo a BYD com 784 ou 6,5% do total e a GWM com 197 ou 1,6%. Ao todo as companhias investiram quase R$ 7 milhões, BYD com parcela de R$ 6,1 milhões e a GWM com R$ 852 mil, calcula a Tunad.

Em ranking elaborado pela plataforma durante o primeiro bimestre a BYD aparece atrás apenas da General Motors, patrocinadora do Big Brother Brasil, que aportou R$ 8,2 milhões com 971 inserções.

Na sequência vem a Hyundai, que investiu R$ 4,9 milhões com 1,3 mil inserções, Caoa com R$ 3 milhões e 365 inserções, e Ford, com R$ 2,8 milhões e 3,3 mil inserções. A GWM, que adiou o início da operação em Iracemápolis, SP, previsto para maio, ficou na décima-terceira posição.

Ricardo Monteiro, CEO da Tunad, apontou que essa diferença do número de inserções para o volume injetado se deve ao fato de que depende de onde o anúncio é colocado: “Na [TV] Bandeirantes custa menos do que na Globo, e em um canal de TV paga custa menos do que na TV aberta. Então eles podem ter muito mais inserções com menos dinheiro. Mas o custo dos meios é sempre proporcional à audiência”.

Quanto à força-tarefa das chinesas para emplacarem seus veículos eletrificados o CEO da Tunad foi categórico ao lembrar que, embora a China hoje detenha nível de tecnologia extremamente alto, por anos o que chegava ao Brasil eram produtos copiados, de baixo custo e que quebravam rápido. Para superar este estigma investir em publicidade foi fundamental.

“Ao longo dos últimos anos tínhamos essa impressão ruim. Diziam a respeito de outros carros chineses que se você pisasse três vezes no pedal ele entortava. Só que agora os fabricantes chineses vêm com produtos de extrema qualidade”, afirmou Monteiro. “Só que se não construírem uma marca pode acontecer mesma coisa que se deu com a Fiat, com o 147, no fim dos anos 1970. Quantos anos foram necessários para que a empresa se tornasse a potência que é hoje? Isso se alcança com comunicação”.

Ricardo Monteiro, CEO da Tunad: “Nós carregamos o que a publicidade construiu dentro da nossa mente. Para quem não viu e nunca teve contato é como se nunca tivesse existido”. Foto: Divulgação.

O executivo aposta que as montadoras devem continuar investindo para apresentar seus produtos ao público: “Sem comunicação não se tem marca. Sem marca não se constroem os diferenciais. E se a empresa não constrói diferencial, não o tem direito de cobrar mais”.

Monteiro afirmou que não consegue conceber marca fazendo divulgação intensiva de três meses e depois simplesmente desaparecendo da mídia. Segundo ele este é o tempo médio necessário para que as pessoas entendam o que a empresa faz – mas, para que se lembrem da sua existência e entendam o seu propósito, é preciso, normalmente, um ano de campanha. No mínimo.

BYD diz ter vendido 963 veículos em um dia, novo recorde

São Paulo – A BYD afirmou ter alcançado no sábado, 23, o seu recorde diário de vendas no País, 963 unidades, superando a de 821, marca alcançada em outro sábado. Os modelos elétricos e híbridos foram vendidos durante o Mega Electric Day, que ofereceu condições especiais para os clientes, como seguro, documentação e carregador grátis.

O mais vendido foi o Dolphin Mini, com 312 unidades, seguido pelo Dolphin e pelo Song Plus DM-I, que venderam 256 e 248 unidades, respectivamente. O Seal somou 66 vendas, o Yuan Plus 46 e o Dolphin Plus 35. 

A empresa também celebrou a marca global de 7 milhões de veículos híbridos e elétricos produzidos, a primeira empresa automotiva a atingir este volume.

VW Caminhões e Ônibus entrega primeiros 120 ônibus do Caminho da Escola

São Paulo – A Volkswagen Caminhões e Ônibus realizou a primeira entrega dos ônibus vendidos por meio da licitação atual do programa federal Caminho da Escola. Foram 120 unidades entregues no Estado do Mato Grosso para a Seduc MT, Secretaria Estadual de Educação, que realizou a compra dos veículos.

Todas as unidades são do modelo Volksbus 8.180 E ORE 1. Segundo a empresa outras 150 unidades serão entregues para a Seduc MT em breve, totalizando 270. O Volksbus 8.180 E ORE 1 é equipado com motor 3.8 que gera 180 cv de potência.

Na licitação atual a VWCO poderá comercializar até 5,6 mil ônibus até desembro.

Linha 2025 do Kia Bongo mantém preços e agrega novos itens de série

São Paulo – A Kia anunciou a chegada da linha 2025 do comercial leve Bongo K2500 4×4, que tem como novidade o para-brisa em degradê e faróis de neblina com lâmpadas halógenas como novos itens de série. A empresa manteve os preços da linha 2024, R$ 175 mil para a versão sem ar-condicionado e R$ 182 mil para a versão com ar. 

Com capacidade para transportar 1,8 mil quilos de carga o Kia Bongo é equipado com motor 2.5 turbodiesel de 130,5 cv de potência e câmbio manual de cinco marchas.

Nova Chevrolet Spin tem mais itens de série e parte de R$ 120 mil

São Paulo – Com visual renovado e mais itens de série a Chevrolet Spin chega ao mercado brasileiro em quatro versões, com preços de R$ 120 mil a R$ 145 mil.

O desenho da Spin foi alinhado ao design global da GM, por dentro e por fora, e novos itens de série incorporados, como faróis e lanternas em led, quadro de instrumentos digital e integrado ao sistema multimídia com tela de 11 polegadas e wi-fi nativo. Na configuração de sete lugares a GM equipou o veículo com airbags até a terceira fila de bancos, elevando a sua segurança.

O motor ainda é o mesmo 1.8 de 111 cv de potência, que pode ser acompanhado de câmbio manual ou automático de seis marchas. Segundo a montadora o motor passou por atualizações e reduziu o consumo de combustível em 11% na comparação com o anterior.

Veja abaixo os preços e versões da nova Chevrolet Spin:

Chevrolet Spin MT6 – R$ 120 mil
Chevrolet Spin LT AT6 – R$ 127 mil
Chevrolet Spin LTZ AT6 – R$ 138 mil
Chevrolet Spin Premier AT6 – R$ 145 mil

Nissan busca o equilíbrio com o plano de negócios The Arc

São Paulo – De trinta lançamentos previstos pela Nissan, em todo o mundo, até 2026, catorze trarão dentro de seu capô um motor a combustão tradicional. Outros dezesseis serão eletrificados, de um total de 34 previstos até 2030, dentre híbridos e 100% elétricos. A correção de rota, desacelerando a aposta na eletrificação, foi divulgada na segunda-feira, 25, pelo CEO Makoto Uchida, no Japão, como o plano de negócios The Arc.

De acordo com a empresa os modelos ICE atenderão “às diferentes necessidades de clientes onde a velocidade de eletrificação é diferente”. O mix de eletrificados em seu portfólio será de 40% em 2026 e de 60% até o fim da década.

O The Arc é um plano no meio do caminho do Nissan Next, previsto de 2020 a 2023, sempre falando em anos fiscais, ao Ambition 2030, que aponta a visão de longo prazo da companhia. Até 2026 a companhia pretende avançar 1 milhão de unidades em suas vendas globais e aumentar sua margem de lucro operacional para mais de 6%. Um terço deste crescimento deverá vir das Américas, região que inclui o Brasil.

“A Nissan primeiramente agirá para assegurar o crescimento dos volumes mediante uma estratégia regional sob medida e se preparará para uma aceleração na transição para os veículos elétricos, apoiada por um portfólio equilibrado de produtos eletrificados e a combustão, aumento dos volumes nos principais mercados e disciplina financeira.” 

Custo equilibrado de ICE e EVs

Enquanto segue com portfólio equilibrado a Nissan busca novas estratégias de desenvolvimento e manufatura para reduzir os custos dos elétricos. A companhia acredita que com o desenvolvimento por família, com integração de motorizações, inovações em baterias e utilizando manufatura modular de nova geração, consiga reduzir os custos em 30% e atingir paridade de custos de EVs com ICE até o ano fiscal de 2030.

Lançar mão de parcerias, como a recém-anunciada com a Honda e explorar a Aliança com a Renault e a Mitsubishi, faz parte do planejamento para se manter competitiva e oferecer portfólio global de produtos e tecnologias.

Carro bioelétrico é aposta da indústria com ganho de R$ 7,4 trilhões

O carro bioelétrico – a mais simpática e precisa definição para o carro híbrido a etanol, uma exclusividade brasileira até o momento – é a mais promissora aposta da indústria automotiva instalada no País e está por trás de parte considerável de investimentos de empresas fabricantes, que devem somar R$ 117 bilhões até a virada da próxima década, segundo calcula o MDIC, Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Ao mesmo tempo em que reduzem emissões – até mais do que elétricos a depender do cálculo – os híbridos podem garantir maiores ganhos econômicos ao Brasil com diferencial de faturamento da ordem de R$ 7,4 trilhões para a indústria ao longo dos próximos trinta anos, caso esta seja a tecnologia preferencial adotada pela indústria automotiva no País.

É o que relata o recém-divulgado estudo Trajetórias Tecnológicas mais Eficientes para a Descarbonização da Mobilidade, elaborado pela LCA Consultores e MTempo Capital, a pedido do MBCB, Acordo de Cooperação Mobilidade de Baixo Carbono para o Brasil, uma coalizão de 25 entidades e empresas – incluindo os maiores fabricantes de veículos do País – que tem o objetivo de propor ações e políticas para a descarbonização dos meios de transporte no País sem eleger tecnologias específicas.

O trabalho foi apresentado pela primeira vez na semana passada, no seminário Descarbonização – Os Caminhos para a Mobilidade de Baixo Carbono no Brasil, organizado pelo Grupo Esfera e pelo MBCB em Brasília, DF, e prestigiado pela principais autoridades do Executivo ligadas ao desenvolvimento econômico.

Perdas e ganhos trilionários

O estudo colocou em números as consequências socioeconômicas de se eleger uma ou outra rota tecnológica de descarbonização. A conclusão é que modelos a bateria impõem perdas à cadeia produtiva com o encerramento da produção de motores a combustão e seus componentes, além do fechamento de postos de trabalho. Ao contrário, os híbridos trazem ganhos financeiros porque acrescentam sistemas e componentes novos ao veículo sem descartar nenhuma fábrica já instalada.

Com maior foco na produção dos veículos bioelétricos, adicionando componentes aos modelos a combustão em produção, o faturamento das empresas envolvidas na cadeia aumentaria quase R$ 2,4 trilhões no período de três décadas. Na mesma comparação a convergência aos 100% elétricos reduziria as receitas em R$ 5 trilhões.

A soma do que se deixa de ganhar com o que se ganha a mais perfaz os incríveis R$ 7,4 trilhões de vantagem a favor dos híbridos.

O cálculo também leva em conta o fato de o Brasil não produzir baterias para carros elétricos e muito menos suas células, cuja produção está concentrada na China e não há previsão de nacionalização no horizonte visível, o que levaria o Pais a importar os componentes e perder faturamento nacional na hipótese de convergir sua indústria à fabricação de modelos 100% elétricos.

O mesmo estudo calcula que os bioelétricos acrescentariam R$ 878 bilhões ao PIB brasileiro enquanto os elétricos retirariam R$ 1,9 trilhão, que a arrecadação de impostos aumentaria R$ 318 bilhões com os híbridos e cairia R$ 679 bilhões com os carros a bateria, e que a correlação com geração de empregos é de mais 1 milhão de vagas para produzir modelos a combustão eletrificados contra o fechamento de 597 mil postos de trabalho na hipótese de se investir somente nos elétricos puros, o que torna a transição energética com híbridos também socialmente mais justa.

Portanto, se a eficiência ambiental do carro bioelétrico já fazia muito sentido a indústria ganhou um argumento incontestável para apostar nos híbridos: ganhos trilionários de faturamento contra perdas trilionárias na convergência para os elétricos puros.

Segundo o economista Luciano Coutinho, ex-presidente do BNDES e sócio da MTempo, os fabricantes de veículos já tomaram a decisão: “Para fazer o estudo nós conversamos com diversos fabricantes e perguntamos para onde iriam os investimentos em descarbonização e quase todos responderam que vão seguir o caminho dos híbridos flex. Por isto este é o cenário mais provável que traçamos”.

Com isto o governo ganha um importante aliado à sua política de reindustrialização do País, ou neoindustrialização, convergindo a necessária rota da eletrificação com a especialidade brasileira de produzir biocombustíveis, o que certamente manterá a indústria automotiva mais ocupada no Brasil e um tanto quanto mais descolada das decisões das matrizes empenhadas em produzir só custosos elétricos puros – até porque não têm a mesma disponibilidade de abastecimento de etanol.

Ganho também é ambiental

Para além dos ganhos econômicos o veículo bioelétrico faz mais sentido do que elétricos em um país como o Brasil, que tem etanol largamente produzido e distribuído há mais de quarenta anos, tem mais de 80% da frota de veículos leves equipada como motores flex bicombustível gasolina-etanol, além de trabalhar em outras fontes de etanol em adição à cana, como milho, e outros biocombustíveis como biodiesel, HVO, biometano e hidrogênio verde.

Todos estes biocombustíveis emitem CO2 quando utilizados em um veículo, mas como vêm de fontes naturais – e não fósseis como os hidrocarbonetos derivados do petróleo – quase todo o gás carbônico de efeito estufa volta à sua origem, reabsorvido pelas próprias plantações de cana ou milho, por exemplo.

Aliado a um sistema de propulsão híbrido com motor elétrico auxiliar o etanol ganha mais eficiência energética e supera o elétrico puro a bateria na redução de emissões de CO2 – quando se faz a conta do berço à roda, que compreende, além do uso do veículo em si [a parte do tanque à roda], também todas as emissões acumuladas desde a mineração de insumos, processos de fabricação dos componentes e montagem dos carros, produção e distribuição dos combustíveis.

Levando em consideração todo este ciclo, segundo dados apurados no estudo da LCA e MTempo, um modelo bioelétrico, híbrido utilizando só etanol, emite 77,5 gramas de CO2 por quilômetro rodado, enquanto no elétrico a emissão sobe para 104,8 gCO2/km – isto sendo alimentado com a matriz energética mais limpa do Brasil, onde 55% da eletricidade gerada vêm de usinas hidrelétricas e 35% de captação eólica e solar, em contrapartida à Europa, por exemplo, que gera sua energia predominantemente de termoelétricas que emitem mais CO2.

Este mesmo veículo equipado só com motor a combustão emite 120,9 gCO2/km usando 100% de etanol hidratado e 269,3 gCO2/km quando usa gasolina pura – diferente da distribuída no Brasil, misturada com 27% de etanol anidro.

Cenário pró-etanol

Com base nos achados do recente estudo e na escolha dos fabricantes de apostar na produção de veículos híbridos flex os consultores envolvidos estimam que o uso de etanol na matriz energética nacional de transportes deverá dobrar de atuais 30% para mais de 60% até 2050.

Isto ocorrerá sem nenhuma competição com a produção de alimentos nem aumento de desmatamento, pois atualmente no País já é possível dobrar a produção de etanol para mais de 60 bilhões de litros por ano com o aproveitamento de áreas degradadas e aumento da eficiência do processamento da cana, especialmente com o etanol de segunda geração, produzido a partir do bagaço e outros resíduos agrícolas.

Também existe grande potencial de crescimento do etanol de milho, que já responde por quase 30% da produção nacional, também sem competição com alimentos, pois utiliza-se somente o amido do grão para destilação de álcool e a fibra, a proteína e o óleo restantes do processamento podem ser dedicados à produção de ração animal.

A conclusão é que o País tem condições de descarbonizar as emissões de sua frota de veículos de forma mais barata, rápida e socialmente mais justa do que qualquer outro País, mas para isto é preciso não perder mais esta oportunidade.

[O resumo executivo do estudo Trajetórias Tecnológicas mais Eficientes para a Descarbonização da Mobilidade pode ser baixado aqui]