O faturamento da indústria de máquinas e equipamentos voltou a apresentar retração em 2014. Segundo dados divulgados pela Abimaq na quarta-feira, 28, houve queda de 13,7% no faturamento do setor, para R$ 71,2 bilhões.
Esta é a terceira redução consecutiva na receita da indústria de máquinas e equipamentos, que não apresenta resultados positivos desde 2012. Segundo o presidente da Abimaq, Carlos Pastorizza, no acumulado do período o faturamento do setor diminuiu 25%: “Isso caracteriza uma recessão. Já perdemos um quarto do nosso valor em três anos”.
Pastorizza afirmou que 2015 deve manter a trajetória de queda, mas preferiu não arriscar números nem índices: “Não esperamos um bom desempenho este ano porque não há sinalização de adoção de medidas estruturantes por parte do governo federal. Não somos pessimistas, somos realistas”.
O nível de ocupação do setor encerrou o ano no menor patamar registrado na série histórica, de 69%, “e isto significa que 31% da indústria está ociosa e a consequência é a redução do volume de empregos”.
Durante 2014 foram fechados 14 mil postos de trabalho no setor. Atualmente a indústria de máquinas e equipamentos emprega 242,2 mil pessoas, uma queda de 4,4% ante o ano anterior, “e a tendência, infelizmente, é a de que que haja mais cortes”.
As exportações foram o único segmento positivo do balanço da Abimaq. Em 2014 houve crescimento de 7,4% das remessas ao Exterior na comparação anual. No total foram US$ 13,3 bilhões. Segundo Pastorizza esse valor deve ser observado com cautela pois decorre da depreciação do real.
Já as importações caíram 12,1% no acumulado do ano, para US$ 28,6%. Esta foi a primeira queda do índice em dez anos e, de acordo com o presidente da Abimaq reflete a queda dos investimentos.
Com isso a balança comercial do setor, apesar de permanecer negativa, registrou ligeira melhora. O déficit foi de US$ 15,2 bilhões, valor 24,2% menor do que o apurado em 2013.
Na avaliação de Mário Bernardini, diretor de competitividade da Abimaq, a alta da moeda estadunidense poderia ser positiva para o setor mas a instabilidade compromete o benefício: “A oscilação do câmbio impede que o setor se aproprie de uma possível vantagem para recompor suas margens”.
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