A Anfavea anunciou na quinta-feira, 5, que revisará as projeções para 2015 no início do mês que vem, quando da divulgação dos resultados de março e, consequentemente, do primeiro trimestre.
“Evidentemente faremos uma revisão dos números”, admitiu Luiz Moan, presidente da associação, ao revelar os índices da indústria automotiva em fevereiro e no primeiro bimestre, em evento à imprensa em São Paulo. “Normalmente esperamos até o fim do primeiro semestre, mas o quadro mudou radicalmente desde quando fizemos as projeções iniciais, em dezembro de 2014.”
O executivo não quis antecipar os novos índices, alegando ser necessário aguardar ao menos o fechamento do trimestre para uma avaliação mais completa. Mas adiantou que os números serão “muito menores [que o das projeções atuais]”, nos três principais segmentos da indústria: produção, vendas e exportações. Na terça-feira, 3, a Fenabrave revisou sua estimativa de vendas ao mercado interno em 2015, que passou de queda de 0,5% para 10%.
Os números de produção do primeiro bimestre confirmam a necessidade de ajuste nas projeções do ano. De acordo com a Anfavea foram fabricados no acumulado do ano 404,9 mil autoveículos – automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus – queda de 22% ante mesmo período de 2014, de 519 mil. A atual estimativa da Anfavea para o total do ano é de alta de 4%.

Em fevereiro, isoladamente, as fábricas brasileiras responderam pela produção de 200 mil unidades, em retração de 29% ante mesmo mês do ano passado – lembrando que em 2014 o carnaval caiu em março, ao contrário desde ano – e de 2,3% ante janeiro. Desde 2009 o volume produtivo não era tão baixo para um mês de fevereiro.

Nos últimos doze meses, período que corresponde de março de 2014 a fevereiro de 2015, o País produziu 3 milhões de autoveículos, retração de 18% na comparação com o período anualizado imediatamente anterior. A projeção atual da Anfavea para 2015 aponta 3 milhões 276 mil unidades fabricadas.

EMPREGOS – O nível de emprego na indústria automotiva brasileira continua a cair. Em fevereiro o quadro total fechou em 142 mil 317 pessoas, retração de 8,8% ante um ano e de 1,3% na comparação com janeiro.
Pela primeira vez Moan afirmou que “há um excedente de mão de obra” no setor automotivo nacional. Ele não fez um cálculo de quanto seria o número de empregos afetados por este cenário, vez que, entende, este deve ser analisado caso a caso, ou empresa a empresa. O dirigente, entretanto, salientou que “a indústria tem feito o máximo para manter o nível de trabalho, utilizando-se de todas as ferramentas possíveis, como lay-offs, férias coletivas e outras. É um esforço bastante grande”, considerou.
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