Até mesmo os sistemistas veem o segmento de reposição como alternativa para garantir crescimento neste ano, repetindo estratégia de fabricantes de autopeças específicas. O discurso que ecoou durante a Automec se repete na Magneti Marelli, por exemplo: o braço brasileiro já é responsável pela maior rentabilidade das operações da empresa na área de reposição em todo o mundo.
No ano passado o faturamento da Magneti Marelli no segmento cresceu 19% no País. Para 2015 a empresa prepara mais um salto de dois dígitos, revela Eliana Giannoccaro, presidente da unidade aftermarket para a América Latina: apenas no primeiro trimestre o faturamento da divisão cresceu 20%, superando as melhores expectativas.
“Em razão da esperada estabilidade ou mesmo queda da atividade econômica brasileira projetamos alta de 10% para 2015. Alcançar essa projeção no fim do ano será a vitória.”
A executiva argumenta que o crescimento das marcas Magneti Marelli e Cofap no mercado brasileiro também deriva da política de ampliação constante de portfólio: “Temos mais de cinquenta linhas de produtos, de lâmpadas a equipamentos de diagnose. Adicionamos recentemente quase 1,3 mil códigos nas linhas de pastilhas de freio, peças para motos, componentes de suspensão, direção e câmbio automatizado. Temos mais de 16 mil itens no total”.
Considerando-se a produção total de componentes da Magneti Marelli, fatia de 20% a 25% destina-se ao mercado de reposição.
Delfim Calixto, vice-presidente da divisão automotiva de aftermarket da Robert Bosch América Latina, lembra que como as autopeças recorreram ao segmento de reparos para engordar as receitas este ano, a concorrência no setor de reposição está ainda mais acirrada – no caso da Bosch o primeiro trimestre fechou com alta de 7% na receita do segmento.
“Há pressão muito forte por preços. Todas as empresas querem manter a base produtiva, mesmo com a baixa nos negócios OEM, então reduzem suas margens. Para este ano estimamos queda de 13% no fornecimento às montadoras, mas alta de 5% na reposição. No ano passado crescemos 6,7% na reposição na América Latina.”
Calixto afirma que a estratégia de crescimento da Bosch não se baseia na redução das margens, mas sim na aproximação com os distribuidores: “Ampliamos nossa comunicação com a ponta final do mercado, os reparadores e as oficinas. Também resolvemos dificuldades logísticas ao assumirmos a gestão de armazenagem e operações no centro de distribuição em Louveira, onde investimos R$ 20 milhões no chamada Projeto Fênix. O índice de satisfação dos nossos clientes aumentou consideravelmente, o que nos mantém em alta no mercado”.
Para o vice-presidente da Bosch este será o ano da reposição: “Sem dúvida estamos receosos com os desdobramentos da crise de confiança no País, mas se pararmos de investir e deixar de olhar à frente, perderemos terreno. Sou um otimista”.
De acordo com o executivo fatia de 15% a 20% dos negócios automotivos Bosch são voltados à reposição. E a empresa investe no fortalecimento da rede de serviços para continuar crescendo: “Passaremos de 5 mil para 10 mil oficinas credenciadas Bosch nos próximos seis anos”.
Luiz Corrallo, presidente da Delphi América do Sul, também traça perspectivas favoráveis para o segmento de reposição: “A expectativa é crescer 5%. Como cerca de 10% dos nossos negócios são direcionados ao aftermarket, o crescimento nos renderá importantes ganhos”.
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