Limitado pela restrição de compra de dólares promovida pelo governo, o mercado argentino de veículos deverá fechar o ano com 600 mil unidades licenciadas, uma retração de 12,6% com relação ao ano passado – que já fechara em queda de 28,3% na comparação com 2013. As projeções foram anunciadas por Dante Sica, diretor da consultoria Abeceb, durante sua apresentação no Seminário AutoData Revisão das Perspectivas 2015 na manhã de segunda-feira, 20, na Fecomércio, em São Paulo.
O lado positivo é que o segundo semestre terá queda mais suave que a primeira metade do ano: 6,8%, ante 17,7%. Segundo Sica, os baixos volumes dos seis últimos meses do ano passado explicam essa diferença.
Os pátios das montadoras brasileiras poderiam estar menos cheios, uma vez que a crise no mercado argentino é em parte provocada pelas restrições de importação – cujos efeitos seriam amenizados caso o mercado brasileiro estivesse em melhores condições. Como as exportações de veículos argentinos caíram 22,8% no primeiro semestre, muito devido ao desempenho do mercado brasileiro, menos dólares chegaram às montadoras, que não conseguem ampliar suas importações.
“O mercado argentino não passa por crise de demanda: é uma crise de oferta. Os preços dos carros se mantêm, não há espaço para promoções e as concessionárias estão ganhando mais dinheiro do que ganharam em 2013, quando as vendas bateram 900 mil unidades”.
Em contrapartida, as montadoras e fornecedores têm suas margens achatadas porque a indústria argentina sofre mais. A composição do mercado argentino é formada por 40% de modelos nacionais, de maior porte e preço, e 60% importados, boa parte modelos compactos produzidos no Brasil.
De janeiro a junho a produção argentina caiu 12,4%, para 270,3 mil unidades. O diretor da Abeceb projeta 553 mil unidades até o fim do ano, com queda de 10,4% – a capacidade instalada do País é de 1,2 milhão de unidades. “A indústria acumula 22 meses seguidos de contração. Os programas tiveram que ser ajustados à queda do Brasil”.
O Brasil responde por cerca de 80% das exportações argentinas, que representam mais da metade da produção local. Neste ano as exportações totais deverão somar 288,6 mil unidades, queda de 19,4% com relação a 2014.
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