O segmento de sedãs médios no País sempre foi um dos mais disputados do mercado, com notadamente dois modelos a disputar acirradamente sua liderança: o Toyota Corolla e o Honda Civic. Mas neste 2015 o jogo mudou completamente, com o Corolla em vias de nada menos do que dobrar as vendas do eterno rival.
De acordo com dados da Fenabrave compilados pela Agência AutoData, no acumulado do ano até a quarta-feira, 19, o Corolla registra 41,6 mil emplacamentos, enquanto o Civic tem apenas 22,4 mil. Em agosto, isoladamente, o Toyota soma 3,5 mil licenciamentos para menos de 1,8 mil do Honda. Mantido este ritmo – e nada indica alteração do roteiro até dezembro, uma vez que ambos já são vendidos como modelo linha 2016 – o Toyota encerrará o ano com o dobro das vendas do Honda.
Como referência, nesta mesma altura do ano passado a diferença em vendas a separar os dois sedãs era de ínfimas 63 unidades, com 31,2 mil emplacamentos para ambos, ou 24,5% do segmento para cada um. Hoje o Corolla tem 34,5% e o Honda 18,8%.
O quadro se deve ao lançamento da nova geração do Toyota, em março do ano passado, que já foi responsável por retomar a liderança do segmento em 2014, com 63,3 mil unidades ante 52,3 mil do concorrente. Em 2013 o Honda vencera a disputa, com 61 mil ante 54,1 mil do Toyota, mas depois do lançamento da última geração o Corolla disparou na pista enquanto o Civic patinava.
O interessante é que a Toyota aparentemente aprendeu a lição que o próprio Civic ensinou mas, aparentemente, a esqueceu. Em 2006 a Honda apresentou o chamado New Civic, que chocou o mundo normalmente sonolento e puritano dos sedãs médios com um design extremamente ousado e jovial. Como resultado, o Honda liderou com folga as vendas em 2007 e 2008 no País.
Mas o tempo foi passando e o modelo trouxe como novidades desde então apenas a manutenção do estilo visual deste arroubo new-civiquiano, dando à Toyota tempo para planejar o mesmo choque e de quebra liderar o mercado de 2009 a 2012. Os dois casos deixam claro, portanto, que o consumidor brasileiro desta faixa de mercado pode aparentemente ser conservador, mas claramente prefere optar por um veículo com estilo não-convencional na hora de decidir a compra.
Outra prova desta tendência é que neste 2015 o terceiro modelo na lista dos mais vendidos também se destaca por um design mais agressivo: o Nissan Sentra. O mexicano supera em vendas no ano dois modelos de estilo mais conservador, o Chevrolet Cruze e o Volkswagen Jetta.
De qualquer forma o Corolla impressiona também pelo desempenho apesar do preço, que vai de R$ 70 mil na versão básica a estratosféricos R$ 101 mil a topo de gama, contra R$ 72 mil a R$ 89,4 mil do Civic. O volume de vendas do Toyota é tamanho que há pelo menos três meses ele é o sedã mais vendido do País, superando até os compactos com este tipo de carroceria tais como Fiat Siena, VW Voyage, Renault Logan, Chevrolet Prisma e Cobalt e outros.
Um outro fator ajuda a explicar a diferença do Toyota para o Honda: a capacidade produtiva. Enquanto o Corolla tem uma fábrica inteirinha a seu dispor, a de Indaiatuba, SP, o Civic tem que se espremer entre o City, o Fit e o HR-V – outro fenômeno de vendas no País – na planta de Sumaré, SP. Essa situação só mudará com a inauguração da unidade de Itirapina, que fará o Fit, de inauguração prevista para o último trimestre do ano.
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