
O mercado brasileiro de chassis de ônibus deverá fechar o ano com volume próximo a 11 mil unidades, em torno de 35% abaixo do resultado de 2015, segundo projeções dos executivos que participaram do painel Montadoras de Ônibus no Workshop AutoData Tendências Setoriais Ônibus, realizado na segunda-feira, 18, no Milenium Centro de Convenções em São Paulo, SP.
A expectativa deles é manter o ritmo do primeiro trimestre nos demais meses do ano. “Não temos muitas esperanças em recuperação ainda em 2016”, afirmou Luís Carlos Pimenta, presidente da Volvo Bus. “As encomendas para urbanos já vieram, uma vez que os prefeitos não poderão mais inaugurar nada por causa das eleições. Em rodoviários as coisas estão travadas por questões regulatórias. Junte isso a um ambiente político e econômico desfavorável e não há como crer em recuperação”.
Para Jorge Carrer, gerente executivo de vendas de ônibus da MAN Latin America, o crescimento da inadimplência dos clientes nos últimos meses vem dificultando a concessão de crédito ao setor. “Isso desestimula o negócio e contribuiu para a queda nas vendas, que ficará próxima dos 30%, para 11 a 12 mil unidades”.
Segundo Walter Barbosa, diretor de vendas e marketing de ônibus da Mercedes-Benz, o mercado brasileiro deveria oscilar na casa das 25 a 26 mil unidades. Está, portanto, abaixo da metade. “Essa crise não é igual às demais. O impacto foi maior e ela está mais duradoura, impactando todos os segmentos”.
Silvio Munhoz, diretor de ônibus da Scania, afirmou que os clientes não estão demonstrando mais pessimismo. “Já passou dessa fase: agora vemos inconformismo e incerteza. Precisamos passar mais otimismo aos clientes, enxergar o lado cheio do copo”.
Embora ainda não esteja no horizonte, a recuperação virá com percalços, na avaliação dos executivos. Barbosa, da M-B, vê dois desafios: encontrar o cliente e encontrar crédito disponível para ele.
Já Pimenta se queixou do parque de fornecedores. Segundo ele muitos estão quebrando e fechando as portas. “Atender o conteúdo local poderá ser um grande desafio no futuro bem próximo”.
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