AutoData - Falta de peças paralisa novamente fábricas da VW
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24/06/2016

Falta de peças paralisa novamente fábricas da VW

Por Redação AutoData

- 24/06/2016

A queda de braço entre Volkswagen e Keiper, empresa do Grupo Prevent, parece que não terá fim tão cedo. O último capítulo dessa longa guerra de mais de um ano ainda está em curso: a Volkswagen interrompeu a produção de veículos nas unidades de São Bernardo do Campo e Taubaté, SP, e de São José dos Pinhais, PR, alegando falta de peças – bancos em especial – fornecidas pela Keiper.

Embora a montadora não confirme, fontes do setor garantem que as três unidades da VW estão com as linhas paralisadas desde sexta-feira, 17.

Em nota oficial a montadora apenas diz que “As comprovações das paradas de produção da Volkswagen do Brasil em função da ausência total de fornecimento de peças por parte do grupo Prevent (Keiper, Mardel e Cavelagni) nos últimos dias foram certificadas por Notários Públicos que lavraram atas notariais após inspeções nas unidades fabris de Taubaté e Anchieta, bem como nas linhas de produção de empresas da cadeia produtiva que trabalham na montagem de bancos, igualmente impactadas pela falta de fornecimento de componentes provenientes da Keiper”.

O embate entre as empresas ocorre desde março de 2015. A montadora assegura que a fornecedora vem descumprindo prazos de entrega. A irregularidade no fornecimento seria uma forma de pressão para obter reajustes de preços.

A Keiper se defende em nota oficial que: “está regularmente entregando peças à Volkswagen, cumprindo a decisão judicial” e que “vem se empenhando e fazendo o melhor para finalizar tal divergência de forma harmoniosa e consensual”.

“Não há por parte da Keiper nenhuma intenção contrária a não ser ver seu pleito atendido de forma a equilibrar seus custos de produção, os quais têm sido corroídos pela inflação, refletindo diretamente no seu fluxo de caixa”, afirma Cesar Hipólito Pereira, advogado do Grupo Prevent.

“Para tal, a Keiper busca junto a Volkswagen a solução que possa resultar em vantagem para ambas, a fim de manter a parceria existente durante anos. Qualquer outro entendimento ou exposição quanto a esse impasse é mera especulação e não traz benefícios às partes”, conclui.

As rusgas entre montadora e fornecedora teriam paralisado a produção das unidades da Volkswagen por diversas vezes de março do ano passado até o fim do primeiro trimestre de 2016. A montadora calcula que foram 56 dias sem produção nesse período e que por volta de 35 mil veículos deixaram de ser produzidos.

Em 18 de maio a Volkswagen soltou comunicado acusando o Grupo Prevent de interromper o fornecimento para forçar renegociação nos contratos. “Não é mero desalinhamento comercial”, afirmava a nota. “As recorrentes ameaças ou ações de fato que ocasionam paradas nas linhas da VW do Brasil pela paralisação injustificada do fornecimento de peças são acompanhadas de solicitações sucessivas de aumento abusivo de preço e pagamento injustificado de valores sem respaldo contratual ou econômico para as empresas do Grupo Prevent”.

Na ocasião o Grupo Prevent se defendeu em outro comunicado, não concordando com os descumprimentos contratuais. Afirmava que parou de fornecer para a Volkswagen para preservar a si própria, aos recursos humanos e a sua integridade financeira, podendo assim honrar seus compromissos junto aos seus fornecedores. Acrescentava ainda que a Justiça cassou todas as liminares e multas impostas à Keiper no ano passado justamente por entender que foi a Volkswagen quem deixou de cumprir os acordos.

A Keiper assegurava que todas as paradas foram precedidas por comunicados de alerta e acusou a VW de encomendar quantidade de peças inferiores às acordadas e não efetuar os reajustes de preços, prejudicando a eficiência e custo de produção.


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