Como isso tudo refletirá nos negócios do setor automotivo?
Governos lembram experiências em laboratórios: ensaio e erro – e brasileiros vivem isso desde que nasceram, independente da idade. Na sexta-feira, 13, e no domingo, 15, gente que concorda e gente que não concorda com os ensaios-erros de nossa economia foram e irão às ruas para defender a constitucionalidade do atual governo, uns, e para pedir o impeachment da presidente, outros.
O pessoal da sexta vê impeachment como sinônimo de golpe, de inconformismo diante da derrota nas urnas em novembro, mas boa parte, mais crítica, concorda que o modelo econômico em exercício nos últimos anos guardou equívocos. A rapaziada do domingo, a título de sua contribuição à luta anticorrupção, tem a convicção de que os males do País desaparecerão quando, finalmente, a presidente for vista pelas costas – da mesma maneira como NÃO aconteceu com o suicídio de Vargas em 1954 nem com a deposição de presidente constitucional em 1964.
A democracia agradece, sim, as manifestações de sexta e de domingo. Elas demonstram a firmeza e a fortaleza do sistema inaugurado com a redemocratização e com a Constituição de 1988. Manifestar-se publicamente é direito – e dever – dos cidadãos.
Mas as lições de 1954 e de 1964, com Jacareacanga e Aragarças no meio desse caminho, são lições de história que existem para ensinar que devem ser evitadas. Precisam ser evitadas.
No caso do setor automotivo é histórico seu alinhamento com ideias e governos conservadores, e é estranhíssimo, assim, que desde o GEIA até hoje as empresas fabricantes de veículos jamais viveram anos mais extasiantes de lucros do que naqueles de governos não considerados exatamente conservadores como os que tomaram posse desde 2002.
Os defensores do governo e da legalidade, os anti-golpe, cumprem seu dever histórico, veteranos trincheiristas desde a luta contra a ditadura que preferem ficar distantes dos exaltados de última hora. Nem sempre é fácil defender governos titubeantes e de rumo incerto em má companhia.
Mas me chama intensamente a atenção a atitude odiosa de gente que não respeita a grandeza do cargo e ofende a presidente – é indigno chamá-la de vaca e de puta e de vadia, nem a ela nem a qualquer presidente da República. Mais ainda me preocupa que jovens odiosos e intolerantes peçam a volta da ditadura, o que demonstra que o sistema educacional brasileiro é falho, não ensina História e admite ignorantes na universidade. Imagine-se gente assim em postos de contato vital com o empresariado e a força produtiva do País.
Realmente não acredito que os opositores tenham algum êxito. Acredito que a Constituição será obedecida e que a atual presidente entregue o cargo a seu sucessor em 2018. Acredito, também, que há muitos bons esforços no sentido de equilibrar contas públicas e de conter a inflação. Acredito, também, que o governo não arrochará salários nem direitos trabalhistas, características econômicas de seus opositores. E acredito que a Justiça saberá, também muito bem, julgar acusados de crimes de corrupção.
E tenho a absoluta convicção de que, questões econômicas à parte, nada melhor para o setor automotivo brasileiro do que a
obediência da sociedade à Constituição: o caos não ajuda a quem trabalha.
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