Momento dramático foram as palavras utilizada por Luiz Carlos Moraes, vice-presidente da Anfavea para definir o ambiente do setor de caminhões no País. De acordo com os números da associação, divulgados na manhã de sexta-feira, 6, no acumulado do ano de janeiro a outubro a queda nas vendas alcançou 44,9% na comparação com o mesmo período do ano passado, para 61,3 mil unidades contra 111,2 mil negociadas nos mesmos meses do ano passado.
Somente em outubro, o mercado absorveu 5,7 mil unidades, o que representou recuo de 52,5% em relação ao desempenho de mesmo mês de 2014, quando foram vendidos 12,1 mil caminhões.

“A situação é muito delicada e reflete o estado de espírito da economia, contaminada pela atual crise política”, justifica Luiz Moan, presidente da Anfavea. “O quadro é muito incerto e fica ainda pior com o adiamento do ajuste fiscal.”
Moan lembra ainda que até o fim do ano as dificuldades no setor de caminhões podem ser acentuadas com o término do PSI, em 30 de outubro passado, como já era previsto. “Ainda não temos esse horizonte importante para vendas de caminhões, que podem ficar piores em novembro e dezembro com a ausência do programa. Mas estamos trabalhando junto ao governo para a reabertura do PSI.”
Com o mercado retraído, também a produção mostra sinais de desaquecimento. No acumulado do ano, as fabricantes produziram 66,1 mil caminhões, uma queda no ritmo de 46,9% na comparação com o período de janeiro a outubro do ano passado, quando as fábricas montadoras 124,5 mil unidades.

A produção de outubro isolada somou 6,8 mil caminhões, representando um recuo de 45,1% em relação ao mesmo mês do ano passado, quando as fábricas produziram 12,4 mil unidades. Sem contar com a sazonalidade do período, porém, o ritmo do parque industrial de caminhões em outubro foi maior do que o de setembro, com alta de 16,8%. Segundo Moan, o crescimento se deve ao retorno de parte da mão de obra às linhas de montagem que estavam em setembro com alguma restrição ao trabalho, como lay off ou licenças.
No segmento de caminhões somente as exportações proporcionam algum alívio. As 17,4 mil unidades enviadas para fora do País de janeiro a outubro representam alta de 13,8% nos embarques.

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