AutoData - Para Letícia Costa, crescimento retornará de forma lenta
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25/04/2016

Para Letícia Costa, crescimento retornará de forma lenta

Por Marcos Rozen

- 25/04/2016

A volta do crescimento econômico no Brasil, e, assim, dos negócios no setor automotivo, se dará de forma gradual e lenta. A opinião é de Letícia Costa, da Prada Consultoria, e foi proferida durante palestra no Seminário AutoData Compras Automotivas 2016, realizado na segunda-feira, 21, em São Paulo, no Milenium Centro de Convenções.

Este retorno, estimou a consultora, deverá ocorrer somente a partir de 2018. “Em 2016 e 2017 ainda veremos recessão, por volta de 4% a 6% neste ano e de 0,5% a 1% no ano que vem.”

No setor automotivo especificamente Costa lembrou que a última grande crise, em 1997, exigiu 10 anos para retomada dos patamares registrados até então. “Não devemos nos esquecer disso. Não significou o fim da indústria, mas esta passou por uma mudança drástica.”

Para ela a retomada se dará de maneira progressiva, com crescimentos anuais na faixa de 5%. “Não veremos altas de dois dígitos com recuperação dos volumes anteriores em dois, três anos.”

As exportações devem ajudar de forma importante os números nacionais, acredita Costa, em especial para a Argentina. “O setor automotivo deve prestar bastante atenção na provável recuperação argentina a partir do ano que vem.” De acordo com números apresentados na palestra a indústria de veículos seria o segmento mais beneficiado no Brasil com uma retomada dos negócios com o país vizinho, com projeção de incremento de 10% na produção local.

Porém, ela salientou que “a indústria brasileira não pode esperar a recuperação dos volumes para se atualizar tecnologicamente perante os mercados globais. Na crise de 1997 não se falava em carros híbridos, autônomos e assemelhados. Se não acompanhar esta evolução o Brasil será um mero produtor de veículos de nicho, o que atrapalhará as exportações” – e também efeitos positivos de eventuais acertos em acordos internacionais que o governo brasileiro atualmente negocia, como com a União Europeia.

No ambiente macroeconômico, na visão da consultora, o cenário mais provável é a continuidade da tendência de desvalorização do real e estabilidade das taxas de juros no atual patamar.

Ela entende que a atual crise é de confiança, gerada pela soma de crises nas esferas política, econômica e moral. A consultora, porém, acredita que ao menos uma das variáveis de incerteza política sairá da mesa no primeiro semestre, quando for decidida a questão do processo de impeachment atualmente em análise pela Câmara dos Deputados em Brasília, DF. “Pode ser que achemos muito ruim a presidente da República deixar o posto, como pode ser que achemos ruim ela ficar. Mas ao menos isto estará decidido.”


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