Trabalhadores da Mercedes-Benz realizaram na sexta-feira, 19,o terceiro dia consecutivo de protesto conta a intenção da Mercedes-Benz de reduzir seu quadro de mão de obra, desta vez queimando os telegramas que estão recebendo desde segunda-feira, 15, com os avisos de demissões enviados pela montadora. O ato foi realizado pela manhã na portaria principal da fábrica de São Bernardo do Campo, no ABC paulista. A empresa não confirma o número de telegramas despachados, mas reforça sua posição de que tem um excedente de 1 870 funcionários.
A fórmula adotada pela Mercedes-Benz para comunicar as necessárias demissões causou revolta entre os trabalhadores: “A queima dos telegramas é para a direção da empresa ver o destino que vamos dar aos avisos que mandou de maneira indigna aos trabalhadores. Não tem validade e não aceitaremos tamanho desrespeito”, afirmou o secretário-geral da CUT, Sérgio Nobre.
A Mercedes-Benz, por sua vez, emitiu nota no início da tarde de sexta-feira, 19, reafirmando a necessidade de reduzir o número de funcionários: “A Mercedes-Benz do Brasil tem informado, constantemente, aos seus colaboradores sobre a gravidade da situação pela qual tem passado nos últimos anos, em razão da forte queda de vendas. Em função disso, é necessário entender que esse cenário extremamente negativo vai afetar a todos os colaboradores”.
Segundo a nota da montadora, a retração do mercado gerou redução das suas receitas e assim é inevitável reduzir os custos de operação e administração na fábrica de São Bernardo do Campo:
“Se não conseguirmos efetivar essa redução, vamos comprometer os investimentos planejados para o futuro da companhia. Durante esses últimos anos, a Mercedes-Benz do Brasil, consciente de sua responsabilidade social, esgotou todas as possibilidades viáveis para manter o nível de emprego, conforme amplamente divulgado. A empresa continuará aberta ao diálogo com o Sindicato para, juntos, chegarmos à melhor alternativa e que nos permita fazer os ajustes necessários”.
Confirmando tal disposição ainda ontem a tarde houve reunião de representantes do Sindicato dos Metalúrgicos com a direção da empresa e já está programada nova assembléia em frente a fábrica na próxima segunda-feira, às 10h.
Há três dias consecutivos os metalúrgicos da Mercedes-Benz têm realizado atos de manifestação para tentar reverter a decisão da empresa de dispensar quase 2 mil funcionários. Na quarta-feira, 17, mais de 7 mil metalúrgicos caminharam da sede do Sindicato até a Praça da Matriz, no centro de São Bernardo. No dia seguinte, os trabalhadores fizeram passeata pelas ruas no entorno da fábrica até a via Anchieta. No ato da sexta-feira, 19, o secretário-geral da CUT definiu as demissões por telegrama como um ato de violência contra a classe trabalhadora: “Todo problema tem sua solução e é preciso ter vontade para encontrar caminhos de maneira negociada”.
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