Sem arriscar índice de crescimento para o mercado interno no próximo ano, o presidente da FCA, Fiat Chrysler Automobiles, Stefan Ketter, aproveitou o Congresso AutoData Perspectivas 2017 para falar da importância de o setor ampliar seus negócios com outros países, dedicando pelo menos 20% de sua capacidade para as exportações.
Em palestra na terça-feira, 18, ele defendeu a necessidade de o Brasil ampliar o número de acordos bilaterais automotivos, principalmente com países da América do Sul. “Chile e Peru, só para citar alguns exemplos, têm acordos com países do outro lado do mundo e não com o Brasil. Temos de ter mais acordos desse tipo”, destacou.
Ketter disse ter convicção de que o mercado interno não cairá mais, mas preferiu não arriscar números para 2017: “As medidas políticas virão e os primeiros sinais são bons. Mas ainda faltam fundamentos para fazer projeções mais concretas. O importante no momento é planejar com o pé no chão, ser o mais conservador possível. Até porque podemos errar nos chutes”.
Para ele, 2016 já é passado. “Precisamos pensar no médio prazo agora, em 2019, 2020. O setor passa por um processo de ruptura e temos de pensar em novos modelos de negócio. E para construir temos de destruir algumas coisas.” Ketter defendeu a união do setor em busca de maior competitividade, alegando que “é preciso todos remar no mesmo sentido”.
Na sua avaliação, o governo tem que dar a regulamentação de longo prazo para que o setor possa definir investimentos, mas é a indústria que tem de agir, se fortalecer e ser competente em tecnologia e custos. “Temos de resolver a nossa parte.”
O presidente da FCA defendeu ainda a reindustrialização da cadeia de fornecedores, dizendo que as montadoras precisam capacitar as empresas de autopeças para exportarem mais. “Precisamos confiar mais no setor e nos próprios brasileiros”, comentou o executivo, citando o Polo Automotivo Jeep, construído em 30 meses em Goiana, PE, e hoje o complexo mais moderno da FCA no mundo, como exemplo de empreendimento de sucesso no País.
O executivo lembrou ainda que a fábrica da Jeep e seu parque de fornecedores empregam hoje 10 mil funcionários, dos quais 95% são nordestinos, com idade média na faixa de 27 anos. “Muitos não acreditavam que teríamos condições de em apenas 18 meses lançar três modelos produzidos em Pernambuco. E está tudo dentro do planejado. Como proposto, faremos desse polo uma base exportadora.”
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