Foram necessárias precisamente quatro décadas para o Brasil ter um novo quarteto líder entre as marcas de automóveis e comerciais leves mais vendidas no mercado interno. No ano passado, a Hyundai entrou nesse seleto grupo atrás, nessa ordem, de General Motors, Fiat e Volkswagen, ao negociar 197,8 mil veículos nacionais e importados.
Desde a chegada da Fiat aqui, em 1976, o quarteto das Quatro Grandes contavam com a Ford, que em 2016, apontam dados da Fenabrave, ficou apenas na sexta posição com 180,3 mil veículos vendidos e 9,07% de participação, atrás até da Toyota, que negociou 180,4 mil automóveis e comerciais leves, equivalentes a 9,08% do mercado interno.
A Hyundai deteve, precisamente, fatia de 9,96%, já nem tão distante da terceira colocada Volkswagen, que vendeu 228,4 mil veículos e fechou o ano com 11,5% de participação, seu pior resultado desde os primeiros anos da empresa no Brasil. Com a paralisação de suas linhas por cerca de dois meses em função de falta de peças, a Volkswagen perdeu três pontos porcentuais com relação a 2015, o maior tropeço entre as grandes.
A Fiat, com 15,3 % de participação e 305 mil veículos vendidos, perdeu 2,4 pontos porcentuais no período e a liderança, enquanto a General Motors, que vendeu 345,9 mil unidades e deteve 17,4% do mercado, ganhou 2,3 pontos e saltou do terceiro para o primeiro lugar – posição que conquistou pela segunda vez em mais de nove décadas no Brasil.
Para alcançar a quarta colocação a novata Hyundai conquistou 1,6 ponto porcentual na comparação com 2015, quando já figurava na quinta posição com 8,26% de participação e 204,7 mil veículos vendidos. Enquanto o mercado interno recuou cerca de 20% em 2016, a marca viu suas vendas decrescerem somente 3,5%.
O desempenho chama atenção, sobretudo, porque da fábrica de Piracicaba, SP, saíam somente o compacto HB20 nas versões hatch e sedã. O modelo somou 167,6 mil unidades, 85% do total de veículos vendidos da marca vendidos no País, que incluem os importados trazidos pelo Grupo CAOA diretamente da Coreia. Se consideradas somente suas duas versões, o HB20 viu suas vendas crescerem 2,5% sobre 2015.
Angel Martinez, diretor executivo de vendas e marketing da Hyundai Motor Brasil, diz que o quarto lugar no mercado brasileiro pela primeira vez é mera decorrência do trabalho simultâneo em produto, qualidade industrial e de pós-venda e serviços. “Chegamos a esse resultado sem artificialismos, sem comprar mercado”, diz o executivo, que recomenda a observação da média mensal de vendas da montadora para comprovar sua afirmação.
Martinez recorda ainda que nem mesmo as vendas diretas contribuíram com um peso maior, ao contrário, o bem azeitado trabalho em Piracicaba, cuja capacidade produtiva de 180 mil veículos anuais foi ocupada em cerca de 90% no ano passado, operando em três turnos.
Segundo o executivo, enquanto muitas montadoras registraram índices bem acima de 30%, menos de 20% do total negociado pela Hyundai foram absorvidos por frotistas ou programas específicos.
Se 2016 foi um ano a ser comemorado pela empresa, 2017 tende a ser ainda melhor. Afinal, além de novos produtos importados e até mesmo nacionais produzidos pela parceira CAOA em Anápolis, GO – caso do New Tucson, cujas vendas começaram em dezembro –, no fim do mês começam as vendas do Creta, o segundo produto fabricado em Piracicaba.
O SUV, com preços que variam de R$ 73 mil a R$ 99,5 mil, deve representar vendas adicionais para a marca, no entender de Martinez. O executivo afirma que o utilitário esportivo brigará por uma faixa de produtos que chegou a cerca de 200 mil unidades no ano passado, o dobro do que registrava há quatro anos.
A montadora pretende vender mensalmente 3 mil unidades do Creta, dos quais 40% com motor 1.6 e 60% com o 2.0. Com esse volume a Hyundai espera manter sua nova posição nas Quatro Grandes e até ganhar mais um bocado de participação dentro de um mercado total que deve crescer um dígito, na avaliação de Martinez – “ Estamos alinhados com a previsão da Anfavea” –, sobretudo em decorrência de um melhor cenário econômico, com ligeiro crescimento do PIB, queda da inflação e, como consequência, das taxas de juros.
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