A tecnologia vem ganhando espaço no setor automotivo não apenas no fornecimento de sistemas para veículos, mas também nos processos de fabricação. Utilizando modelos inovadores, empresas vêm reduzindo o tempo de produção e as perdas decorrentes dela. E os resultados têm criado um movimento de renovação nas linhas de montagem, fato que tem atraído, por outro lado, a atenção das companhias de TI.
Michael Ketterer, diretor industrial da fabricante de motores MWM, disse no Seminário AutoData Tendências de Negócios, na quarta-feira, 31, que de 2013 para cá houve grande evolução nos processos de montagem: “Novas práticas que adotamos, como a manufatura Lean, surtiram efeito no desenho da nossa mais nova linha em conjunto com tecnologias aplicadas”.
O executivo afirmou que atualmente a linha de produção da MWM possui 350 tipos diferentes de configurações de um motor: “Seria impossível imaginar este tipo de manufatura anos atrás, mas o nível tecnológico exigido pelos clientes fez com que este salto de inovação fosse trazido para nossa fábrica, em São Paulo. Hoje produzimos mais com apenas uma fábrica, e com menos funcionários”.
Este nível de customização aplicado na linha da MWM é um dos pilares da chamada Indústria 4.0. Carlos Wagner, presidente da empresa de tecnologia Sintel, disse que as demandas do cliente final hoje estão moldando os processos produtivos nos países onde a nova indústria já é uma realidade ou está em estágio avançado: “A tecnologia da informação ganhou um novo papel dentro da indústria. Ela é a ponte entre o que o mercado demanda e a produção”.
Daniel Coppini, diretor da Siemens, contou que na Europa empresas de diversos setores têm apostado na comunicação inversa, ou seja, quando o consumidor requer um produto de acordo com suas preferências e a empresa deve ajustar sua produção para atendê-lo. Para criar este cenário, muitas recorreram à indústria de tecnologia em busca de ferramentas que permitam a digitalização de seus processos.
A própria Siemens passou por uma mudança estrutural por causa deste novo rumo que o setor automotivo se direciona. Se antes 40% de seu faturamento vinha da produção de equipamentos de telecomunicações, Coppini diz que a balança dos negócios da companhia hoje pende mais para serviços voltados à área digital: “Hoje os terminais representam uma parcela muito pequena dos nossos negócios, que está mais voltado aos serviços dentro de empresas que estão modernizando suas fábricas”.
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