Mesmo diante de mais uma turbulência política no Brasil, a General Motors não alterou sua programação de produção para este ano. Carlos Zarlenga, presidente GM Mercosul, disse, durante o Seminário AutoData Tendências de Negócios, na quarta-feira, 31, que o movimento nas concessionárias continua no mesmo ritmo que antes da “quarta-feira fatídica”. Ele se referiu ao dia 17 de maio, quando foram divulgadas gravações que envolviam o Presidente da República em escândalos de corrupção.
Zarlenga continua otimista com o crescimento do mercado: “Em maio, o aumento nas vendas deve ser de 24%. Até o dia 30 foram comercializados 184 veículos, e a expectativa é de licenciamentos de algo como 195 mil unidades. Se excluirmos a venda direta, aquela realizada pelas fabricantes, os negócios nas concessionárias estão estáveis. Ainda não foram contaminados pela crise política”.
Para ele, os indicadores econômicos sustentam essa estimativa de crescimento de 5% a 10% este ano: “A confiança do consumidor está crescendo há nove meses. Estamos quase aos níveis de 2013, antes da queda do mercado”. A expectativa da empresa é de um mercado no Brasil de 2,2 milhões de veículos vendidos.
O executivo ressaltou, no entanto, que o calendário de reformas precisa ser mantido para essa confiança se converter em compras. Para Zarlenga, a medida provisória do teto dos gastos, as reformas trabalhista e da previdência, são fundamentais para a recuperação econômica do País:
“Fizemos uma pesquisa para identificarmos qual a demanda reprimida no Brasil. Grande parte dos consumidores entrevistados disse que a decisão de compra foi adiada para 2018, mas 15% disseram que pretendem adquirir um carro neste ano. Somente isso, nos dá um crescimento interessante em 2017”. Pelo levantamento da GM a demanda reprimida no mercado brasileiro é de 2,5 milhões a três milhões de veículos levando-se em consideração os últimos três anos.
GM Mercosul – Zarlenga trabalha desde o início do ano na reorganização dos negócios da GM para o Mercosul, agrupando as operações do Brasil e da Argentina. Com isso, a empresa conseguiu ganhar em competitividade e produtividade:
“A produção nos países são complementares. Antes, com operações em separado, o negócio era artificial. O presidente da empresa em cada país trabalhava para levar projetos para sua operação, mesmo sabendo que a produção nos locais era complementar. A GM perdia velocidade na decisão de negócios”.
Agora, segundo ele, é preciso ver Brasil e Argentina como mercado único. E este mercado é de cerca de três milhões de unidades por ano: “Crescendo o que estimamos para este ano no Brasil, chegaremos a vendas de 4,5 milhões de veículos. Isso representa o terceiro maior mercado mundial. Há uma oportunidade enorme de crescimento por aqui”.
O que trava esse crescimento conjunto, de acordo com o executivo, são as decisões de cada governo. Para ele, as políticas industriais de cada país devem levar em conta o mercado do Brasil e da Argentina para assim ganhar competitividade nas exportações: “Temos que melhorar a eficiência na região. Com uma política única, os investimentos das empresas serão feitos para os dois países e não só para uma operação”.
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