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05/10/2015

Indústria de máquinas tem quase nada a comemorar

Por George Guimarães

- 05/10/2015

A indústria de máquinas agrícolas e rodoviárias até teve o que comemorar em agosto: as vendas ao mercado interno no período cresceram 5,7% com relação ao mês anterior e chegaram a 4 mil 237 unidades. É, no entanto, o único resultado positivo do segmento no mês. Afinal a produção encolheu novamente, para 5 mil unidades – contra 5,1 mil em julho, ou 2,3% menos –, e naturalmente o quadro acumulado de declínio não foi alterado.

De janeiro a agosto a indústria contabiliza 32,9 mil máquinas negociadas no mercado interno, 28,3% menos do que em igual período do ano passado. A produção nesses oito primeiros meses chegou a apenas 40,6 mil unidades ante 57,2 mil em igual período de 2014, ou seja, 29,1% a menos.

É uma sequência negativa de dois anos. Somente em agosto do ano passado foram produzidas 8,1 mil máquinas, praticamente 20% de tudo o que o setor conseguiu até agora em 2015, cuja média mensal é de 5 mil unidades. A produção em 2014 fechou com 82,3 mil unidades, média mensal de 6,8 mil unidades, e ainda assim foi  quase 18% menor do que a de um ano antes.

Volta e meia Luiz Moan, presidente da Anfavea, diz estranhar que o mercado de máquinas agrícolas não tenha um desempenho melhor que o atual, afinal o agronegócio segue com bons fundamentos e perspectivas. Os empresários do setor, contudo, parece não dar muito ouvidos e seguem retraídos no que diz respeito às compras.

Nem mesmo o mercado externo tem colaborado para aumentar os negócios e o desempenho das linhas de montagem. As exportações encolheram 24,9% no acumulado do ano, com 6,9 mil unidades embarcadas contra 9,2 mil em 2014. Em agosto seguiram para fora do País 719 máquinas, 14,7% abaixo do resultado de julho e 45,9% menos do que em agosto do ano passado.

O presidente da Anfavea, contudo, acredita que a partir deste mês as exportações podem ganhar algum fôlego extra com a solução de entraves que atrapalhavam o encaminhamento do programa Mais Alimentos Internacional, o que permitirá concluir entregas já programadas. “E o setor já negocia com o governo novas metas e linhas de crédito para as exportações.”

Via app – O Banco do Brasil desenvolveu um novo modelo de negócios que pode acelerar o financiamento de máquinas, caminhões e implementos agrícolas e, afirma a instituição, reduz o prazo de liberação dos recursos em cerca de 80%. O Esteira Agro BB, como foi batizado, foi apresentado no início desta semana na Expointer, em Esteio, RS e promete liberar o equipamento desejado no prazo médio de apenas quatorze dias após a solicitação do financiamento. “Contra cerca de sessenta dias da média atual”, reforça Luiz Moan, presidente da Anfavea.

Outra novidade do sistema é que as propostas de financiamento feitas pelas concessionárias dos equipamentos e veículos são encaminhadas ao banco pela internet por meio de aplicativo exclusivo.

“Na prática as concessionárias se tornam agências avançadas da instituição. O Banco do Brasil fez um profundo estudo de tecnologia de informação para chegar à fórmula apresentada”, diz Moan, que acredita na melhoria substancial de eficiência na oferta e tomada de crédito. “É bom lembrar que não se trata de uma medida de combate à crise, mas sim de algo permanente, que pode ser seguido por outras instituições bancárias.”

A expectativa do Banco do Brasil é que cerca de 1 mil concessionárias adotem esse modelo de negócio. O aplicativo está disponível nas lojas virtuais da Apple e Google Play e não é necessário ser cliente do Banco do Brasil para utilizar a ferramenta.

 


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