Sem expectativa de melhora no mercado brasileiro de veículos no curto e médio prazo, as montadoras deverão apertar o pé no freio nos próximos meses para reduzir a produção das fábricas. Em entrevista coletiva à imprensa na sexta-feira, 4, o presidente da Anfavea, Luiz Moan, projetou menor ritmo nas linhas de montagem em setembro e outubro, possivelmente em nível inferior aos 216,5 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus produzidos em agosto.
“As empresas precisam adequar os níveis de estoques. Para isso existem apenas duas alternativas: retorno do mercado ou ajustes na produção. Como a primeira não deverá ocorrer, teremos que usar a segunda.”
Segundo Moan 27,4 mil trabalhadores das montadoras estão em lay off ou férias coletivas, sem contar aqueles que deverão aderir ao PPE, Programa de Proteção ao Emprego – que estarão nas fábricas, mas em jornada reduzida. “Essa quantidade de pessoas em casa e a adesão de algumas montadoras ao PPE é uma demonstração dos esforços que as empresas vêm fazendo em busca da manutenção dos postos de trabalho.”

O setor fechou agosto com 134,3 mil pessoas contratadas, volume 10% inferior ao do mesmo mês do ano passado e 1% menor do que em julho. Em um ano a indústria demitiu 14,5 mil trabalhadores.
Os 216,5 mil veículos produzidos em agosto representam um recuo de 18,2% com relação ao resultado de igual mês de 2014 e uma queda de 3,5% na comparação com a produção de julho.

No acumulado do ano saíram das linhas de montagem 1,7 milhão de unidades, volume 16,9% inferior à produção do período de janeiro a agosto do ano passado.
Nos últimos doze meses a indústria produziu 2,8 milhões de veículos, 14,2% abaixo do resultado dos doze meses imediatamente anteriores. A Anfavea projeta para 2015 em torno de 2,5 milhões de unidades produzidas, queda de 17% sobre 2014.

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