A HPE, antiga MMCB, Mitsubishi Motors do Brasil, decidiu não comentar a aquisição da matriz da fabricante japonesa pela Nissan em termos globais, anunciada na quinta-feira, 12.
Segundo informou representante da empresa à Agência AutoData, a HPE possui licença de uso da marca Mitsubishi, assim como de fabricação de seus produtos, no País, em contrato que possui período estabelecido. A data de vencimento deste contrato, entretanto, não foi revelada.
A MMC brasileira mudou seu nome para HPE no mês passado, mas seu CNPJ não sofreu alteração. A empresa afirma que a mudança representa a unificação das operações da Suzuki, que também representa no Brasil. A HPE possui fábrica em Goiás, na cidade de Catalão, inaugurada em 1998. Chegou a contar ainda com uma segunda fábrica, destinada à Suzuki, no mesmo Estado, na cidade de Itumbiara, que funcionou por cerca de dois anos, até 2015. Hoje o único modelo nacional da Suzuki, o utilitário compacto Jimny, é montado em Catalão.
A mudança de nome coincide com o momento mais delicado da empresa no País. Alvo da operação Zelotes, da Polícia Federal, a fabricante teve seu presidente, Robert Rittscher, condenado a quatro anos e dois meses de prisão por corrupção ativa e lavagem de dinheiro. A mesma pena foi aplicada a seu antecessor, Paulo Ferraz.
O representante da fabricante na diretoria da Anfavea, Mauro Marcondes Machado, recebeu a maior pena, de 11 anos e dois meses de prisão, condenado também por associação criminosa. O fundador e principal sócio da MMC, Eduardo Souza Ramos, foi absolvido.
MAJORITÁRIA – A Nissan e a Mitsubishi anunciaram em comunicado divulgado conjuntamente que a Nissan comprará 34% do controle da Mitsubishi, o que lhe confere a condição de controladora majoritária.
A Nissan pagará 237 bilhões de ienes, cerca de US$ 2,2 bilhões, por 506 milhões de ações. O preço da ação foi definido em uma média do valor de cada ação da Mitsubishi no período de 21 de abril a 11 de maio, intervalo no qual ocorreu queda de 43% no preço das ações da fabricante na bolsa de valores local, reflexo da descoberta de que subcompactos produzidos pela Mitsubishi para o mercado japonês consumiam mais combustível do que o declarado.
O caso até agora envolve quatro subcompactos, sendo que dois deles são produzidos pela Mitsubishi e comercializados com a marca Nissan, em acordo selado em 2010.
Carlos Ghosn, CEO da Nissan, declarou que a Nissan pretende manter a independência da marca Mitsubishi, mas que diversas áreas das duas fabricantes serão integradas, como engenharia, plataformas, manufatura e outras.
Para Osamu Masuko, CEO da Mitsubishi, o acordo é uma forma de restaurar a confiança dos consumidores na marca Mitsubishi.
Há cerca de quinze anos a Mitsubishi também se viu envolvida em outro cenário extremamente delicado, quando admitiu que escondeu do governo japonês defeitos em seus veículos por mais de uma década.
As empresas deverão assinar o acordo em cerca de quinze dias, e a formalização total está prevista para até o fim deste ano.
A Nissan indicará quatro executivos para compor o board da Mitsubishi, inclusive o chairman.
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