AutoData - O acordo Nissan-Mitsubishi e repercussões no Brasil
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14/06/2016

O acordo Nissan-Mitsubishi e repercussões no Brasil

Por Luiz Carlos Mello

- 14/06/2016

O noticiário internacional desta manhã, à frente o Financial Times, dá conta de que a Nissan está assumindo 34% do controle da Mitsubishi Motors, cujas ações, ainda segundo o diário londrino, caíram 43% em seu valor, desde quando, em 20 de abril último, admitiu estar usando métodos de aferição de eficiência de combustível  em desacordo com as regulações japonesas.

 O mesmo noticiário indica que o abalo de resto experimentado pela própria e coroada indústria automobilística nipônica se verifica em momento em que se dispara, no mundo, a luta por uma vantagem estratégica no campo dos carros autônomos e de veículos com emissão-zero, e com ela a pressão sobre os fabricantes na direção de operações combinadas e do compartilhamento de custos de desenvolvimento.

O Brasil, distante anos-luz de se inserir no seletivíssimo grupo de países onde essas tecnologias tomam corpo paulatinamente, se coloca, contudo, no campo mercadológico, na esteira dos muito possíveis desdobramentos que a incursão da Nissan na Mitsubishi poderá acarretar, em particular em territórios onde mutuamente operam.

Aqui, tanto quanto os fabricantes tradicionais remanescentes da época do GEIA de JK, estão a Nissan, a sua associada Renault e a Mitsubishi às voltas com o excesso de capacidade despreocupadamente assumido, sem nenhum cálculo de risco futuro, à sombra de incentivos governamentais mais que dispensáveis.

 Por esse singelo mas não menos impactante fator de causa – a Nissan na Mitsubishi –  é natural que se espere um quadro diverso do atual, o de concorrência pura entre ambas, para um de coexistência orgânica.

Na mesma linha de conjecturas para o futuro, em todo o espectro da indústria, a sempre presente possibilidade de fusões e aquisições, passando por associações parciais e, mesmo, o suprimento de produtos de uma por encomenda de outra, é fenômeno para o qual o Brasil se mostra como teatro perfeito de operações afins.

Nesta fase de governo novo, com previsíveis propostas de contenção de gastos – incentivos, adeus! – e de estímulo a ganhos de eficiência por si e pelo estamento econômico nacional, além de uma nova e desideologizada política de comércio exterior, com o acordo com a União Européia em marcha, há todo um clima para que as montadoras locais ponderem em relação ao encurtamento do prazo que as separam de um destino inevitável de compactação, seja em que nível for, capaz de viabilizá-las competitivamente no País.

Luiz Carlos Mello é ex-presidente da Ford do Brasil.


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