A Chery, primeira fabricante chinesa a construir fábrica no Brasil, em Jacareí, SP, deverá suspender sua produção por cinco meses a partir de julho. Com a medida, de acordo com informações do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, por volta de 140 trabalhadores serão colocados em lay-off.
Segundo Guirá Guimarães, diretor do sindicato e funcionário da Chery, as justificativas da empresa são os estoques elevados, mas também o período servirá para realizar ajustes na linha para receber o utilitário esportivo Tiggo, modelo que será apresentado no Salão do Automóvel de São Paulo, em Novembro.
“Alguns trabalhadores da fábrica já estão em regime de licença remunerada há cerca de um mês”, lembrou o diretor sindical. “É importante que o acordo não acarrete perdas salariais, como também retirada de direitos, benefícios e preserve a estabilidade do emprego durante o período. Acompanhamos de perto a situação atual do País, mas também temos de lembrar que a Chery é uma das maiores fabricantes de veículos da China.”
De janeiro a maio, segundo levantamento da Abeifa, foram licenciados no mercado interno 991 veículos da marca – a maioria, 527 unidades, importada. A planta brasileira monta Celer, Celer Sedan e, desde abril, o New QQ, modelo de entrada.
Mas o ritmo em Jacareí é lento desde que as linhas entraram em operação, em fevereiro do ano passado, cinco meses depois da inauguração oficial, em agosto de 2014. Desde então, porém, não faltaram contratempos para a montadora.
Logo nas primeiras semanas o sindicato organizou a primeira greve, encerrada mais de um mês depois após julgamento no TRT de Campinas, SP. Quando os trabalhadores retornaram ao trabalho, um raio acertou a cabine de força da fábrica, provocando nova paralisação. Nos seus dez primeiros meses de funcionamento a fábrica ficou paralisada quase de quatro deles.
A capacidade oficial de Jacareí é de 150 mil unidades anuais. Segundo o representante do sindicato local, atualmente a produção é de 15 a 20 unidades/dia, dentre os três modelos.
Durante a cerimônia de inauguração, o vice-presidente da Chery, Zhou Biren, revelou que o objetivo da empresa era vender de 100 mil a 120 mil veículos no País até 2018, com a operação local funcionando a pleno vapor – objetivo hoje muito distante após os resultados do primeiro ano e da intenção de manter a linha paralisada nos próximos meses.
A Chery confirma a negociação de uma proposta de lay-off com o sindicato, mas que ainda nada foi assinado. Em nota, a empresa diz que “Só poderá divulgar detalhes do acordo depois que a proposta fora aprovada pelas partes”.
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