A saída do Reino Unido da União Europeia reduzirá as vendas de automóveis em todo o mundo em cerca de 2,8 milhões de unidades, de acordo com as mais recentes previsões da consultoria especializada IHS Automotive compiladas pela Bloomberg.
Especialistas têm reduzido as previsões para as vendas globais e, em especial, para o mercado do Reino Unido depois de se concretizar sua saída do bloco, dada a importância da indústria automotiva instalada na região.
Em termos econômicos a redução das vendas terá um impacto sobre o faturamento global de até 8 bilhões de euros ou US$ 8,8 bilhões a menos nos próximos dois anos, segundo empresa de consultoria baseada em Londres, Inglaterra, Evercore.
De acordo com cálculos da IHS, o volume de vendas de veículos no mundo chegará a 89,8 milhões de unidades em 2016, cerca de 200 mil unidades a menos do que o projetado anteriormente. O impacto, no entanto, será bem maior nos anos seguintes. Em 2017, os licenciamentos serão 1,25 milhões de unidades menores e, em 2018, 1,38 milhões de unidades não vendidas devido à decisão do Reino Unido.
“O Reino Unido carregará a maior parte do impacto”, observou o analista Ian Fletcher, da IHS Automotive. Cálculos preliminares estimam que mercado britânico deva crescer somente 1% este ano contra os 3,2% que esperavam os analistas de mercado. A Evercore, porém, projeta declínio acentuado, de 14%, em 2017.
Excluindo o mercado russo, a indústria de automóvel britânica é a quarta maior da Europa, atrás da Espanha. No ano passado, as fábricas do Reino Unido fabricaram 1,59 milhões de veículos, dos quais 80% foram exportados. De acordo com a associação que reúne os fabricantes locais, a SMTT em sua sigla em inglês, 60% das exportações, ao redor de 900 mil unidades, abasteceram países europeus.
Marcas como Nissan, Toyota, BMW, Ford, General Motors, Rolls Royce, Bentley, do Grupo Volkswagen e Jaguar Land Rover , da Tata Motors, produzem no território britânico modelos tão populares quanto o Nissan Qasqhai, o SUV mais vendido em todo o mundo.
Por outro lado, os licenciamentos no mercado britânico no ano passado alcançou 2,6 milhões de veículos. Cerca de 90% destes carros também são importados da Europa. A Espanha, por exemplo, exportou para o Reino Unido 363,5 mil veículos, de acordo com a Anfac, a associação espanhola dos fabricantes de veículos.
“Nossa indústria está profundamente integrada com a Europa. É a relação mais importante que temos”, destacou Mike Hawes, diretor geral da SMTT.
As montadoras se posicionaram, em sua maioria, pela permanência do Reino Unido na União Europeia. A Toyota chegou a enviar comunicado aos seus funcionários antes do referendo, argumentando os impactos para a empresa com o Brexit. A Tata Motors, dona da Jaguar Land Rover, perdas de 1,2 bilhões de euros com a decisão do referendo de 24 de junho.
O Reino Unido é o terceiro maior mercado para a Ford e, embora só tenha fábricas de componentes, advertiu que vai fazer “o que for preciso” para manter seu negócio rentável no Reino Unido.
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