Executivos da Ford Caminhões, Volvo e Iveco acreditam em um segundo semestre melhor do que o primeiro e também na continuidade do crescimento em 2017. Outra posição consensual que manifestaram no painel Análise de Mercado do Workshop Tendências Setoriais Caminhões realizado pela AutoData em São Paulo, na terça-feira, 26, refere-se à necessidade de a indústria como um todo recuperar suas margens. A defasagem em relação a 2011, estimam, é da ordem de 20%.
Para o gerente-geral de vendas, marketing e serviços da Ford Caminhões, Oswaldo Ramos, o setor finalmente chegou ao fundo do poço: “Esperamos um segundo semestre melhor do que o primeiro, mas não dá para acreditar em retomada forte já a partir de agora. Temos de ser realistas. É hora de olhar para eficiência, o que envolve a questão das margens”.
Na avaliação do diretor de caminhões da Volvo, Bernardo Fedalto, toda a cadeia terá de fazer reposicionamento de preço para entrar em 2017 sem a defasagem existente hoje em relação aos custos: “Temos de fazer isso rápido, caso contrário teremos de pagar as contas no ano que vem”.
A cadeia de suprimento, lembrou o diretor da Volvo, está sofrendo muito. “Tem gente com dificuldade de entrega e que decidiu não produzir mais um determinado componente por questão de escala. Não compensa fazer aqui e, por isso, estamos tendo de importar.”
Fedalto reconhece que os emplacamentos em julho estão maiores do que em junho – estima-se venda de 4,5 mil caminhões ante os 4,2 mil do mês anterior – mas diz que entre a venda do caminhão e o licenciamento, devido à instalação de implemento, há uma distância de dois a três meses:
“Julho aponta para mais emplacamentos, mas as vendas no varejo, pelo menos para a Volvo, estão ruins. Acho que agosto ainda vai ser mais baixo, até pela definição do impeachment. Decisões devem acontecer a partir de setembro, mais para outubro, e só então deve vir efetivamente a retomada. O segmento de caminhões é pró-cíclico, ou seja, é mais rápido para cair e para também subir. Acreditamos em crescimento no ano que vem, talvez na faixa de 20%. Acho que temos de subir 20%”.
O vice-presidente da Iveco, Marco Borba, também concordou que o segundo semestre será melhor do que o primeiro. Mas ressalvou que o primeiro foi bem pior do que se imaginava. “Mas é grande a expectativa de que o mercado volte a subir. E vale lembrar que mesmo se conseguirmos crescer 20% em 2017 será sobre uma base baixa.”
Com relação às margens atuais o vice-presidente da Iveco disse concordar com o diretor da Volvo de que não tem como manter a atual situação do mercado de se cobrar menos hoje do que se cobrava antes da passagem do Euro 3 para o Euro 5. Quanto às operações fabris, Borba disse que a Iveco fez os ajustes necessários para se adaptar ao novo patamar de vendas e tem uma estrutura de produção que permitirá ampliar produção caso o mercado reaja.
Já o diretor da Volvo comentou que a partir dos ajustes feitos na fábrica envolvendo redução da produção a empresa não terá como ampliar a oferta de forma ágil se o mercado reagir muito rápido: “Estamos há dois anos trabalhando para baixar estoque e vamos terminar este ano com um nível bom. Entre fábrica e rede o estoque ideal no segmento de pesados e extrapesados é da ordem de um mês. Senão vende a qualquer preço”.
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