AutoData - Ghosn aposta pesado nos SUVs
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03/08/2016

Ghosn aposta pesado nos SUVs

Por George Guimarães

- 03/08/2016

Carlos Ghosn, CEO da Aliança Renault-Nissan anunciou nesta terça-feira, 2, em São José do Pinhais, PR, o que o mercado já sabia há muito: a Renault fabricará o SUV compacto Kwid e o médio Captur no complexo industrial paranaense a partir do fim do ano.
Os dois carros, porém, chegarão às revendas somente em 2017 junto com um terceiro SUV, o Koleos, modelo grandalhão que será importado da Coreia.

Em visita ao Brasil também para participar da abertura dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, evento do qual a Nissan, o outro braço do conglomerado comandado por ele, é patrocinadora, o executivo não falou em novos aportes para a produção dos dois modelos em São José dos Pinhais – o atual ciclo de investimento de R$ 500 milhões começou em 2014 e seguirá até 2019.

Ghosn, contudo, afirmou que a fábrica paranaense, que pode produzir 380 mil veículos – e chegou a 240 mil em 2013 – “crescerá” para produzir Kwid e Captur. Admitiu até eventual contratação de funcionários, mas não foi além disso e não precisou, porém, o quanto nem como isso se daria. “Nos falta uma parte importante: o parâmetro do mercado, como ele crescerá.”

De qualquer forma, a Renault brasileira, afirmou Ghosn, concentrará a produção de automóveis no Mercosul, enquanto a planta de Santa Isabel, na Argentina, ficará responsável sobretudo pela produção das picapes de 1 tonelada, projeto conjunto de Renault, Nissan e Mercedes-Benz que chegará às ruas no transcorrer de 2017 e 2018.

Ghosn, no entanto, anunciou investimentos recentes para a produção do Sandero no país vizinho. “Não se trata de mudança de estratégia, mas de uma adaptação. Uma maneira de nos defendermos das variações dos dois mercados e da instabilidade do comércio entre eles, da volatilidade das regras do jogo na região”, afirmou, assegurando que a produção argentina de automóveis será limitada, apenas para complementar a gama local.

Potencial – A aposta nos SUV na planta brasileira é justificada pelo CEO da Aliança pelo potencial do mercado interno para esse tipo de veículo, cuja part icipação, pelos cálculos da montadora, dobrou nos últimos anos e já é de 15%. “Na Europa essa relação é de 25% e no Brasil deve superar os 20% a 25% muito em breve.”

De concreto sobre o modelo de entrada, o Kwid, Goshn afirmou que não trabalha com o objetivo de fazer dele o carro mais barato do Brasil, como o mercado chegou a comentar. O modelo terá alto grau de segurança com quatro air bags de série, por exemplo. “Queremos, sim, que ele tenha a melhor relação custo-benefício. Já existem muitos carros compactos caros no Brasil.”

O Kwid contará com nova geração de motor 1.0 – a empresa desenvolve ainda um novo 1.6 –, mas agora de 3 cilindros, também fabricado no Paraná. Porém se trata, pelo menos afirma o CEO da Renault, do mesmo motor já utilizado pela Nissan.

A produção do Duster não será afetada pela chegada do Captur, afirma Ghosn, que admite que o novo modelo compartilhará a plataforma do antigo SUV – a do Kwid é totalmente nova, a CMFA, e servirá mundialmente também a modelos Nissan compactos. “Os dois modelos já convivem na Europa sem problema. Se destinam a públicos bem distintos”, justificou o executivo. A percepção da Renault é de que o Captur terá como rivais mesmo, dentre outros, o Honda HR-V e o próprio Nissan Kicks, que chega às revendas nesta semana.

Com Kwid, Captur, Koleos, a linha atual nacional e importada e mais a futura picape argentina Alaskan, que chegará ao Brasil somente a partir de 2018, Ghosn diz que a Renault se credencia a chegar aos sonhados 10% de participação no mercado interno de automóveis e comerciais leves. Hoje tem em torno de 7,4%. “E podemos chegar aos 8% rapidamente.”

O executivo entende que o mercado brasileiro parou de cair e que tem potencial para, no futuro, retomar os volumes que atingiu no passado. A argumentação é conhecida: o país segue ainda com baixo índice de motorização –“menor que o de Portugal” – e já superou os 3,6 milhões de unidades, o que indica que há, sim, espaço para o consumo bem maior do que os esperados 2 milhões de veículos deste ano.

No mundo – Mesmo com o importante mercado brasileiro em baixa, Ghosn projeta ano recorde de vendas mundiais para a marca. Nos primeiros seis meses a empresa emplacou 1,57 milhão de unidades. “Crescemos 13% no mundo no primeiro semestre, com importantes participações de mercados como Europa, Índia e países do Norte da África.” E o executivo arrisca ainda mais: como muitos lançamentos mundiais acontecerão no transcorrer deste segundo semestre, o impacto será ainda maior no ano que vem.


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