Não de hoje a indústria automotiva vem trabalhando em sistemas que possam atenuar a perda de energia nos veículos ou mesmo recuperá-la. O kers, acrônimo em inglês para sistema de recuperação de energia cinética, surgiu na década passada como bom exemplo desse esforço dos engenheiros: o dispositivo preserva e armazena parte da energia cinética gerada na frenagem e que normalmente se perderia na forma de calor.
A Audi agora dá outra importante colaboração nesse campo. A empresa, que argumenta que a recuperação de energia terá importância crescente no futuro da mobilidade, apresentou nesta semana protótipo de sistema de suspensão batizado eROT e no qual amortecedores rotativos eletromecânicos substituem os convencionais hidráulicos.
O princípio é simples, explica Stefan Knirsch, membro do conselho para desenvolvimento técnico da montadora: “Cada buraco, lombada ou curva, induz energia cinética no veículo. Os amortecedores atuais absorvem esta energia, que é imediatamente perdida ao ser transformada em calor. Com os novos amortecedores eletromecânicos, acoplados ao sistema elétrico de 48 volts, podemos utilizar esta energia.
O sistema eROT converte energia cinética em elétrica tanto no ciclo de amortecimento como durante o estiramento. Para isso, um braço mecânico absorve o movimento do cubo das rodas e a transmite, por meio de uma série de engrenagens, para o motogerador, que a converte em eletricidade.
O resultado dessa recuperação é de 100 a 150 watts, em média, durante os testes em ruas e rodovias alemãs – entre 3 watts em rodovias bem pavimentadas a até 613 watts em vias secundárias de piso irregular. Nas condições de uso diárias tradicionais, isso corresponde a uma diminuição na emissão de CO2 de até 3 g/km.
O sistema, afirma o executivo, também permite muito mais possibilidades de ajustes da suspensão. Ativamente controlada, ela se adapta às irregularidades da superfície e ao estilo do condutor.
Outra vantagem do novo sistema é sua geometria. Os motogeradores instalados horizontalmente no eixo traseiro substituem os amortecedores telescópicos verticais, o que permite um ganho adicional de espaço no porta-malas.
A Audi já dá como certa a utilização comercial do eROT no futuro. O pré-requisito para tanto é um sistema elétrico de 48 volts, componente central na estratégia da Audi. Em sua próxima versão, a ser apresentada já no ano que vem, o sistema elétrico de 48 volts servirá como sistema primário em um novo modelo da Audi e alimentará uma tração híbrida de alto desempenho.
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