Em julho foi o Future Bus, em testes em linha BRT do Centro de Amsterdã, Holanda, ao aeroporto Schipol de forma autônoma. Esta semana, em Berlim e em Stuttgart, Alemanha, a Mercedes-Benz não economizou novidades: na Feira Internacional de Eletrônica anunciou que algumas das soluções em desenvolvimento no projeto In Car Office estarão disponíveis em um ano. E em Stuttgart, na quarta-feira, 7, apresentou sua visão de van do futuro, conectada, automatizada e movida a energia elétrica, e mostrou flashes da sua estratégia global adVANce.
Em outras palavras o lado automotivo do Grupo Daimler está se preparando para ser um grande provedor de soluções de logística no ramo do transporte – e, quem sabe, alguém ali já saiba, com muita clareza, que a substituição de sua qualidade principal, de produtora de veículos, para essa nova, de prestadora de serviços, deverá fazer a diferença no futuro da companhia. Pois as vendas de veículos comerciais terão outra dinâmica.
“Queremos ser líderes também nesse processo, de acordo com o nosso DNA”, disse Volker Mornhinweg, chefão mundial de vans da companhia. “Nosso programa é muito denso, e hoje já temos alguma prática de futuro e muitos conceitos ainda a desenvolver.”
Aparentemente a área de vans da Mercedes-Benz concorda com o futurista Gerd Leonhardt, um dos speakers do Van Innovation Campus, realizado no grande auditório da Messe Stuttgart, para quem as grandes transformações dos últimos trezentos anos serão facilmente superadas pelas dos próximos vinte: “A ficção é um fato científico: vejam o desenvolvimento dos robôs, da inteligência artificial, e que o que nos leva adiante é a curva exponencial”.
Ele está convencido que quando se pensa em 1, 2, 4, 8, 16, 32… o próximo passo é 8 e não 5 – estamos no 4. E observou que, luxo, hoje em dia, “é estar off line”, e que “informação é o novo petróleo”. E acha que o B2B é a próxima “experiência líquida”.
Ele pode estar certo. Há estudos que anteveem, para 2020, que 81% das compras serão feitas de “alguma maneira eletrônica”. E há que entregar isso tudo – e é aí que está o olho gordo de vans Mercedes-Benz. Pergunta: “O que farão os humanos, no futuro, se as máquinas farão tudo?”. Resposta: “Humanos utilizarão sua inteligência emocional em tarefas não rotineiras”. E os algoritmos se encarregarão de quase todo o resto…
O chefão Mornhinweg lembrou que a internet nos empurra para uma nova era de mobilidade interconectada. Exemplificou: os resultados do primeiro semestre deste ano na área de vans da Mercedes-Benz superam os do mesmo semestre do ano passado. Todos os índices foram superiores. Por que mudar, então?: “Porque pretendemos liderar o processo de mudanças, porque pretendemos liderar o destino”.
É fato que o processo de urbanização é cada vez mais acelerado – em 2030 dois terços dos habitantes do planeta estarão concentrados em cidades, em megacidades, em megarregiões urbanas. E que a digitalização é outra megatendência: B2B e as suas necessidades de entrega de mercadorias: “E é assim que evoluiremos, fabricantes de veículos e também fornecedores de soluções de transporte”.
Reduzir emissões e ruídos é importante, ele concorda – mas melhorar o espaço de cargas, utilizar técnicas inteligentes também: qual é a carga, quando o cliente espera por ela? – quando o cliente precisa dela?
“Na verdade”, esclarece Volker Mornhinweg, “estamos diante de novo modelo de negócios, com interações muito mais estreitas, com a inserção dos veículos na internet das coisas: é preciso repensar a mobilidade!”
É nesse ponto que adentra ao palco da conversa a van do futuro na concepção da Mercedes-Benz, uma nova abordagem da mobilidade sob demanda. Um dado, caro: em 2030 engarrafamentos no Reino Unido, na Alemanha, na França e nos Estados Unidos terão o custo de € 1 bilhão. E é a partir desse ponto que atores do processo serão a telemetria, o maior espaço livre para carga, as prateleiras internas automatizadas, o consumo de energia, as rotas, a pronta entrega.
A ideia é um veículo como “conceito completo” em cadeia de fornecimento interligada por meio digital, com compartimento de carga automatizado, com drones de entrega integrados e respeito ao meio ambiente. E entregas silenciosas e sem emissões com a inteligência de centro de logística moderno também integrada. Mais: mudança de conceitos no que diz respeito à entrega de encomendas no mesmo dia e na hora exata.
Dizem que o aumento da eficiência na entrega de encomendas crescerá, de cara, até 50%.
É a Vision Van. Quem sabe sem volante nem pedais, com comando de direção por meio de joystick. E integrando quantidade respeitável de tecnologias inovadoras. Mas não existe Vision Van sem o futuro adVANce, que dará à companhia sua característica de provedora de soluções, pois Visio Van será a infraestrutura perceptível do processo.
AdVANce será a conformação estratégica do processo, que une a ideia de digital@vans, solutions@vans e mobility@vans: a integração de avançadas tecnologias de conectividade a soluções inovadores no hardware para o transporte a novos conceitos de mobilidade.
A área de vans da Mercedes-Benz angariou muitos parceiros naquele mundo conhecido como o das startups, e trabalha, hoje, com a ideia de novos modelos de leasing e de locação. Uma ideia em andamento é a B2B soluções de conectividade, que implica diretamente a gestão de uma frota de veículos dedicados, inclusive de suas rotas e de sua manutenção.
Outra é o serviço de material móvel, que não permite que profissionais técnicos e de oficinas, como encanadores e marceneiros/carpinteiros, pedreiros também, por exemplo, percam tempo por falta de material de trabalho: fazem encomendas com um clique, que rapidamente chegam. Sistemas digitalizados também tratam de repor material utilizado por esses profissionais.
Vans e drones implica experiência pela qual vans que servem a profissionais ancorem drones na eventual necessidade de entregas rápidas de material. Vans e robôs é programação de entregas que utiliza automatização e conectividade em áreas específicas e relativamente próximas, entregas de última hora.
Outra: um sistema de mobilidade compartilhada para cidades menores com frota reduzida movida por aplicativo, um misto de frequências fixas de vans compartilhadas com certo sentido de táxi.
Há um projeto conhecido como engenharia de espaço de carga, geralmente ineficiente na última milha do processo, segundo estudos. Solução é o desenvolvimento de sistemas automatizados e inteligentes de prateleiras, para acelerar o processo de carga e descarga.
Enfim: as possibilidades são infinitas, garantiu o chefão Mornhinweg. E todas elas virão a ser necessárias.
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