O crescimento das vendas de caminhões nos primeiros anos desta década, aliado ao potencial do mercado nacional, atraiu muito olhares de fora e elevado número de anúncios de investimentos para construção de fábricas no País. A crise nos últimos anos, no entanto, além de colocar uma pedra sobre projetos, criou algumas condições, no mínimo, curiosa.
A Metro-Schacman, por exemplo, marca da chinesa Shaanxi Automobile Group, logo após estrear oficialmente no País, na Fenatran de 2011, chegou a anunciar ambicioso plano de investimento de R$ 1 bilhão para produzir caminhões em Caruaru, no agreste pernambucano. Em setembro de 2013 novos planos da empresa surgiram, porém, com recursos mais modestos, de R$ 400 milhões, para instalar fábrica em Tatuí, SP, com objetivo de produzir 5 mil unidades/ano em um primeiro momento e chegar a 30 mil unidades/ano.
Na ocasião, o então diretor de planejamento de negócios, Marcos Gonzalez, justificou que o investimento em Pernambuco era muito maior porque previa a fabricação de motores, eixos e outros componentes. “Caruaru fica numa região sem tradição na indústria automotiva e os principais fornecedores estão na região Sudeste. Por isso, optamos por reduzir o investimento e mudar de localidade.”
De fato, a empresa se instalou na cidade do Interior de paulista, mas de lá nunca saiu um caminhão Schacman Made in Brazil sequer. A empresa chegou inclusive a receber habilitação definitiva ao Inovar-Auto, conforme publicada no Diário Oficial da União, em 28 de julho de 2013, o que lhe permitia importar até 2,5 mil caminhões sem cobrança do IPI majorado.
Mas de 2012 a 2015, a empresa negociou no período exatos 103 caminhões, dos quais somente dois no ano passado. Também ao longo do tempo abriu apenas uma representação, uma concessionária em Sorriso, MT, embora tivesse planos de abrir outras vinte, conforme ainda hoje aparece na página eletrônica da empresa.
Apesar não computar nenhuma venda em 2016, a companhia existe e figura ainda na lista de associadas da Anfavea. Procurada pela Agência de Notícias AutoData, no entanto, funcionário que não quis se identificar, foi categórico ao dizer que a operação praticamente não existe mais. “Está tudo parado. Por enquanto, a empresa mantém em torno de dez funcionários, a maior parte no Serviço de Atendimento ao Consumidor para dar suporte aos consumidores que adquiriram produtos.”
Um dos últimos anúncios da empresa, revelado em fevereiro de 2015 por comunicado, foi a criação de uma joint venture entre a Caminhões Metro-Schacman do Brasil e a própria controladora da marca chinesa, o Shaanxi Automobile Group, para tocar em frente o projeto de produção de caminhões no País.
O acordo, assinado durante conferência anual do grupo, na China, previa investimento de US$ 100 milhões para instalar linha de montagem em Tatuí. A estimativa, naquela ocasião, era de que os primeiros caminhões nacionais fossem entregues ao mercado brasileiro em 2016.
Na época, a empresa foi procurada pela Agência AutoData e não forneceu detalhes a respeito do novo acordo, de quanto seria sua participação e se o então investimento R$ 400 milhões anunciados anteriormente para Tatuí ainda se mantinha.
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