A fábrica da Chery em Jacareí, SP, completou oficialmente dois anos no dia 28 de agosto. A data, contudo, não pôde ser comemorada por boa parte dos funcionários. Afinal, desde a primeira semana de julho a linha de montagem da montadora está parada e assim deve permanecer até dezembro.
Com o drástico declínio do mercado interno, a empresa resolveu suspender a produção e mantém na unidade somente funcionários administrativos – a maioria dos quatrocentos trabalhadores foram incluídos em regime de lay-off.
Jacareí, a primeira operação completa da montadora fora da China, consumiu US$430 milhões e tem capacidade inicial para produzir 50 mil veículos ao ano . Vinha produzindo Celer hatch e sedã e um segundo modelo, o New QQ, no mercado oficialmente desde abril, mas que não aparece nas estatísticas de licenciamentos da Abeifa, a Associação Brasileira de Importadores e Fabricantes e Veículos Automotores, que até agosto registravam pouco menos de 900 unidades das duas versões do Celer..
A empresa promete produzir no Vale do Paraíba um terceiro modelo, o novo utilitário esportivo o Tiggo, cuja apresentação será no próximo Salão de Automóvel de São Paulo, em novembro. A adequação da linha de montagem para a chegada do utilitário esportivo foi outra justificativa para a paralisação da linha de montagem em julho.
Embora inaugurada em agosto de 2014, o primeiro carro nacional saiu da linha mesmo em fevereiro de 2015 e, já semanas depois, a empresa enfrentaria sua primeira greve. Nesses dois anos, diz a Chery, “teve que refazer seus planos para se realinhar ao novo cenário do mercado, como lay-off na fábrica, readequação nos números de produção do Celer e replanejamento no início da produção do New QQ”.
“A Chery está ampliando a linha de montagem para se capacitar no nicho de utilitários esportivos, com capacidade produtiva de 20 mil carros/ano. Vamos surpreender o Brasil com novos modelos, que inclusive já aterrissam no Salão do Automóvel”, afirma agora Luis Curi, vice-presidente executivo da Chery Brasil.
Com a paralisação da planta e as vendas muito aquém do esperado – Curi chegou a projetar até 8 mil unidades negociadas no mercado interno em 2016 e mais 2 mil exportadas –, não foram poucas as especulações sobre o destino da fábrica de Jacareí. Em fevereiro, por exemplo, surgiram informações de que a Jaguar-Land Rover poderia pintar lá os carros que monta em Itatiaia, RJ, o que, de fato, não se confirmou.
Agora são recorrentes, ainda que as empresas neguem oficialmente, conversas de que a Chery negocia algum tipo de colaboração com o Grupo CAOA na parte comercial. O conglomerado brasileiro que reúne mais de uma centnea de revendas de várias marcas, produz modelos Hyundai sob em fábrica própia em Anápolis, GO, e é importadora oficial da Subaru, poderia assumir as vendas dos veículos fabricados em Jacareí.
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