Após breve período de alta nas vendas mensais de veículos, o setor automotivo voltou a registrar queda. Em setembro foram emplacadas 240,3 mil automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus, motocicletas e implementos rodoviários, quedas de 12,9% com relação a agosto e de 22,6% na comparação com o mesmo mês do ano passado. Os dados foram divulgados pela Fenabrave na quarta-feira, 5.
De acordo com Alarico Assumpção Jr., presidente da Fenabrave, além de o mês passado ter somado 21 dias úteis, dois a menos que agosto, algumas montadoras sofreram com abastecimento de peças suas operações. “A falta de componentes nas fabricantes nas fábricas é muito preocupante porque altera o volume de vendas. De qualquer forma, as quedas nos negócios vêm diminuindo ao longo do ano, o que demonstra que o mercado já está em curva ascendente.”
No acumulado do ano até setembro, o mercado total absorveu quase 2,4 milhões de veículos, volume 20,84% menor na comparação com os mesmos nove primeiros meses de 2015.
Os licenciamentos de automóveis e comerciais leves em setembro registraram queda no mesmo patamar do mercado em geral. O período somou 154,9 mil unidades, retrações de 12,9% ante agosto e de 19,53% na comparação com o mesmo mês do ano passado. De janeiro de setembro, foram emplacados pouco mais de 1,4 milhão de automóveis e comerciais leves, baixa de 22,46% em relação ao mesmo período de 2015.
“Já se sente uma confiança maior do consumidor e a inflação está cedendo, o que é positivo e sinaliza menores taxas de juro no futuro”, considera o presidente da Fenabrave. “Mas ainda faltam medidas concretas do novo governo e a obtenção de crédito ainda está muito difícil. Hoje, de cada dez propostas, sete não são aprovadas.”
Os emplacamentos de caminhões, por sua vez, foram os que anotaram a menor queda no comparativo mensal. Em setembro as vendas somaram 4.155 unidades, volume 5,25% menor do que o registrado em agosto, no entanto, acusa uma queda de 30,11% na comparação com mesmo mês do ano passado. No acumulado do ano até setembro, as 38,6 mil unidades negociadas representam retração de 30,57% em relação ao resultado de um ano antes.
O encolhimento nos negócios de ônibus ainda é mais dramático. No nono mês foram licenciadas somente 828 unidades, quedas de 41,4% na comparação com o volume de agosto, de 1,4 mil unidades, e de 46,2% em relação a setembro de 2015. No ano, as 11.156 unidades emplacadas até setembro representam recuo de 32,69% ante o mesmo período do ano passado.
No segmento de motos, o mercado absorveu 69,6 mil unidades em setembro, baixas de 13,32% em relação a agosto e de29% na comparação com o mesmo mês do ano passado. De janeiro a setembro, foram licenciadas 776,2 mil motocicletas, recuo de 18,8% frente ao volume registrado no mesmo período do ano passado, de 947,5 mil unidades. “O crédito no segmento de motocicletas é ainda mais restrito. De cada dez fichas, apenas uma e meia é aprovada.”
No acumulado do ano até setembro as vendas diretas representaram 33% dos negócios, no entanto, o presidente da Fenabrave revela que “não foram as vendas diretas que aumentaram, mas a venda no varejo que está baixa”. O dirigente aposta ainda em negócios mais saudáveis daqui para frente com as novas regras implementadas para este tipo de vendas, nas quais o comprador só poderá revender o veículo após 12 meses da compra do 0 km e não mais seis meses, como ocorria.
As medidas fazem parte de solicitação do Confaz, Conselho Nacional de Política Fazendária, e protocolado em cartório pela Fenabrave e Anfavea. Vale para todo o território nacional, porém, conforme adianta Assumpção Jr., somente onze Estados já implantaram.
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