Montadoras de chassis de ônibus e encarroçadoras ainda não dimensionaram os possíveis impactos da decisão do governo federal, relevada na terça-feira, 13, de repassar R$ 3 bilhões para financiamento de 10 mil novos ônibus a partir de 2017.
A medida faz parte do Refrota, Programa de Renovação de Frota do Transporte Público Coletivo Urbano, e os recursos serão captados pelo FGTS, Fundo de Garantia de Tempo de Serviço. A cautela das empresas é justificável.
Apesar da formalidade do anúncio, que reuniu diversas autoridades em Brasília, DF, o Ministério das Cidades informou que ainda não foram definidos o prazo de carência para quitar o financiamento e as garantias que serão exigidas dos empresários, o que deve ocorrer nos próximos meses somente. Segundo a pasta, a frota nacional de ônibus tem 107 mil veículos pertencentes a 1,8 mil empresas.
Consultadas pela Agência AutoData, Mercedes-Benz e MAN, as empresas responsáveis pela maioria dos ônibus produzidos e vendidos no País, disseram que qualquer análise mais aprofundada depende ainda da dissecação do plano.
“É fato que a frota circulante tem idade média elevada e necessita de uma renovação. O Refrota 2017 é projeto recente e ainda é preciso aguardar sua implementação, para então, a partir daí, fazermos uma análise”, afirmou, por meio de nota, a Mercedes-Benz, que diz apoiar toda iniciativa que tem como objetivo estimular a renovação de frota de ônibus no País.
Para a Marcopolo, a maior fabricante de carroçarias do Brasil, “o plano poderá ajudar em muito a indústria brasileira de ônibus, mas ainda é cedo para fazer quaisquer prognósticos e, antes de março, nada muda”.
A empresa justifica esse prazo: “Faltam definições importantes e os clientes não farão novos pedidos até o fim de janeiro, período de férias. E mesmo que houvesse uma corrida às compras, só iria atingir a produção em março, após os operadores se definirem pela renovação de suas frotas, entrarem com os pedidos e eles serem aprovados”.
De qualquer maneira, diz a Marcopolo, se concretizada, a troca de 10 mil veículos seria “um salto enorme com relação ao que se produziu e vendeu em 2016”. A Anfavea calcula que suas associadas encerrarão o ano com cerca 11 mil unidades negociadas no mercado interno, um terço do que registrou em 2013.
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