Os últimos anos não foram nada fáceis para os fabricantes brasileiros de implementos rodoviários. Mas o desempenho de 2016 tratou de carregar ainda mais tinta vermelha nas planilhas do setor. Com somente 62 mil equipamentos negociados as vendas internas recuaram nada menos do que 29,8%, ou seja, praticamente um terço do mercado desapareceu em doze meses.
O quadro, no entanto, é bem mais dramático, afinal, os números de 2015 já pecavam pela debilidade, como aponta levantamento da Anfir, a Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários. Os 88,3 mil implementos emplacados naquele ano representaram tombo de nada menos do que 45% frente a 2014, quando foram negociados 159,9 mil produtos do gênero.
“Se enxergarmos o mercado desde 2015 o recuo equivale a dois terços”, enfatiza Alcides Braga, presidente da entidade. “A indústria encontra-se em situação muito delicada.”
Braga recorda que há dois anos a indústria de implementos rodoviários contava com 71 mil trabalhadores diretos e indiretos. Esse quadro foi reduzido a cerca de 40 mil vagas. “Sem alterações no modelo de financiamento e sem planos pela volta do crescimento da economia as empresas do setor não terão como aguentar”, alerta o presidente da entidade.
No ano passado os emplacamentos de implementos pesados, como reboques e semirreboques, somaram somente 23,8 mil unidades, 21,9% abaixo do registrado em 2015. O recuo no segmento de carroceria sobre chassis, de maior volume, foi ainda mais acentuado. O mercado destes produtos foi de apenas 38,8 mil unidades, 33,9% aquém do volume negociado um ano antes.
As dificuldades nas linhas de montagem poderiam ser ainda maiores, caso as empresas não tivessem encontrado algum alento nas exportações, ainda que os volumes sejam tímidos sobre o total. De janeiro a novembro de 2016 (números das exportações ainda não fecharam o ano passado) foram enviados para outros mercados 3,6 mil equipamentos. No mesmo período do ano anterior os embarques haviam somado 2,9 mil implementos – evolução de 23%, portanto.
A Anfir, contudo, espera resultados mais expressivos nas exportações já este ano. Programa conjunto da entidade com a Apex-Brasil, Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, iniciado no ano passado para incentivar os embarques terá continuidade este ano. “A receptividade dos mercados sul-americanos foi excelente”, comemora Braga.
“Estamos definindo com a Apex-Brasil e nossos associados quais serão os próximos países”, diz Mario Rinaldi, diretor executivo da Anfir, referindo-se às missões comerciais para outros mercados, a exemplo do que já ocorreu no ano passado.
As duas entidades, antecipa Rinaldi, planejam também trazer ao Brasil, em outubro, grupo de importadores latino-americanos para participar da 21ª Fenatran, Salão Internacional do Transporte Rodoviário de Cargas, que será realizado em São Paulo.
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