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13/03/2017

Zona Franca de Manaus chega aos 50 anos com saldo negativo

Por Aline Feltrin

- 13/03/2017

A Zona Franca de Manaus completou 50 anos na semana passada com o desafio de enfrentar os impactos da recessão econômica que acertou em cheio o desempenho das cerca de 500 empresas instaladas no polo industrial . Dados da Suframa, Superintendência da Zona Franca de Manaus, atualizados em fevereiro, mostram que as companhias registraram recuo de 7,5% no faturamento de 2016 que chegou a R$ 74 bilhões 414 milhões no acumulado do ano.

Wilson Périco, presidente do CIEAM, Centro da Indústria do Estado do Amazonas, disse que o segmento que mais sentiu foi o de eletroeletrônicos que representa 26,24% na participação do faturamento do polo, porém, o de duas rodas, com fatia de 14,16%, também vem sentindo bastante dificuldade: “As fabricantes de motocicletas possuem verticalização muito grande e isto prejudica bastante o desempenho destas empresas e de muitos dos seus fornecedores que também estão instalados aqui.”

Segundo levantamento da Abraciclo, a produção nacional de motocicletas – quase totalmente concentrada no polo industrial de Manaus – no primeiro bimestre deste ano apresentou alta de 1,3% sobre as 147 mil 96 unidades produzidas neste mesmo período do ano passado. Mas, apesar deste aumento, o resultado do período fez a indústria retroceder ao mesmo patamar de 2004, quando foram fabricadas 150 mil 981 motocicletas.

Para 2017 a projeção do CIEAM é que haja estabilidade com expectativa de crescimento no faturamento a partir do ano que vem. De acordo com Perico, a crise econômica resultou no fechamento de 22 mil postos de trabalho na região no ano passado. “A indústria local possui agora 85 mil trabalhadores e o setor de duas rodas absorve 30% deste volume.”

O cenário econômico não é o único fator que dificulta os negócios das fabricantes de motocicletas e de empresas de outros setores na Zona Franca. A logística deficitária da região e falta de infraestrutura em distribuição, de energia e em telefonia fazem com que estas companhias percam competitividade.

Todos estes fatores contribuíram para uma evasão de empresas instaladas no polo nos últimos 10 anos. Levantamento realizado pelo economista José Laredo que atua no Corecon, Conselho Regional de Economia do Amazonas, mostra que entre 2005 e 2014 mais de 200 indústrias da Zona Franca fecharam as portas. E nem mesmo os incentivos fiscais que as empresas ali instaladas pesaram nesta decisão.

De acordo com Périco, é necessário que haja algumas mudanças para que o modelo econômico do polo industrial seja mais eficiente. Um deles é a desburocratização para a implantação de novas empresas. “Hoje as companhias interessadas em montar suas fábricas levam de 2 a 3 anos para conseguirem autorização.”

Incentivos – A Zona Franca de Manaus foi criada em 1967 com o objetivo de desenvolver a economia do Amazonas e reduzir a importação de produtos manufaturados. O modelo já nasceu com incentivos fiscais para atrair empresas a se instalarem por lá que até hoje dividem opiniões. Em 2014, estes incentivos foram prorrogados até 2073. Alguns economistas alegam que as empresas instaladas por lá deveriam caminhar sem depender destes incentivos.

As indústrias instaladas têm redução de até 88% no imposto de importação e são isentas do imposto sobre produtos industrializados. O Estado, no entanto, segundo Wilson Périco, gerou mais empregos e com isso fez a economia da região se desenvolver nestes últimos anos. “Nestas cinco décadas de existência a Zona Franca foi muito importante para o desenvolvimento de toda a economia do Norte e para todo o País. Além disto, é peça fundamental para a preservação da floresta amazônica. Sem ela a economia seria predatória.”


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