AutoData - MAN está confiante na retomada
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15/05/2017

MAN está confiante na retomada

Roberto Cortes, presidente e CEO da MAN Latin America, afirmou na quarta-feira, 10, que espera uma forte recuperação do mercado em 2019. Disse que em 2020 o setor pode voltar ao patamar das 150 mil unidades, alcançado em 2010. No ano seguinte o setor viveria seu melhor momento, com 174 mil emplacamentos, um recorde histórico.

A projeção otimista foi feita durante as apresentações do novo campo de provas da MAN em Resende, RJ, e do GTX 2018, nova versão do maior caminhão da empresa. Cortes lembrou que está na hora de as empresas renovarem suas frotas:

“Nossos clientes, que trocavam de frota a cada dois ou três anos, estão há seis sem trocar. O último ano de grandes compras foi 2011, são quase sete anos. E, mesmo que seja frota com níveis de ociosidade, de 2 milhões de caminhões, está ficando velha. A necessidade está aí”.

Cortes observou ainda que o frotista precisa vender a frota antes de uma desvalorização mais substancial: “Se você estudar o modelo de negócios de grandes transportadoras eles contam com o preço de revenda. E vender um seminovo é mais negócio do que vender um usado”. Ele percebe uma recuperação acontecendo já este ano:

“Apesar da queda de vendas de 24% no primeiro quadrimestre, com relação ao mesmo período do ano passado, as vendas diárias têm subido mês a mês”.

Foram vendidos 130 caminhões/dia em janeiro, 137 em fevereiro, 170 em março e 180 em abril: “É pouco, mas é um bom sinal”.

Apesar do crescimento a fábrica de Resende, que passou por grande redução de pessoal, segue trabalhando em um turno só e apenas quatro vezes por semana.

O executivo reafirmou o compromisso da matriz, na Alemanha, de investir no Brasil: “O negócio de caminhões é prioritário para a Volkswagen no mundo. E o Brasil é prioridade nesse negócio. A matriz disse que agora é hora de investir, não é hora de parar. E todo mundo deveria ter essa visão. Está barato investir no Brasil. Comprar empresas pode ser um bom negócio”.

Nos próximos cinco anos a área de caminhões da Volkswagen investirá R$ 1,5 bilhão no Brasil, “mas eles não estão dando dinheiro para nós. Nosso conceito aqui é autofinanciamento, self-founding. Temos permissão para ir ao BNDES e nos endividar a longo prazo. A mensagem que vem de lá não é se-está-em-crise,-para-tudo: é exatamente o contrári”.

Segundo Cortes a posição da matriz deve-se ao grande conhecimento que a empresa tem do Brasil: “Eles conseguem ver os negócios aqui em um período de uma década. Hoje nós estamos perdendo dinheiro, mas já ganhamos. No todo é um ótimo negócio”.

Em síntese é preciso estar pronto para quando a indústria voltar a crescer: “Estou na operação há vinte anos e posso garantir que os investimentos são de longo prazo. Se fizesse uma análise de curto prazo eu pararia todos os investimentos”.

Rota 2030 – Roberto Cortes mostrou-se esperançoso com o Rota 2030, a nova política industrial automotiva, que entra em vigor em 2018: “Estou há quarenta anos no setor e é a primeira vez que assisto a uma discussão séria de política de longo prazo. Estamos lutando para que o segmento tenha competitividade e previsibilidade até 2030. Pois não desejamos subsídios: a gente quer condição para competir. Se a taxa de juros continuar baixando não precisaremos de juros subsidiados”.

Ele garantiu que o discurso do setor está afinado até com os importadores: “Estamos falando a mesma língua. Até com o [José Luis] Gandini [presidente da Abeifa, a associação dos importadores]. Acabou esse negócio de cada um puxar a brasa para a sua sardinha”.

Ainda sobre a Rota 2030 Cortes defendeu a adoção de um programa de inspeção veicular: “Assim será preciso renovar a frota automaticamente sem a necessidade de um programa para a renovação de frota”.

Campo de provas de R$ 10 milhões

A MAN também mostrou, na quarta-feira, 10, seu novo campo de provas. Anexo à fábrica de Resende é, segundo a empresa, o mais completo campo de testes de veículos pesados do Brasil. Em área de 35,5 mil m2, equivalente a quatro campos de futebol, o complexo conta com 26 condições diferentes de rodagem, como paralelepípedos, pedras de rio, trilhos de trem, lombadas, asfalto remendado.

A diversidade e a intensidade dos obstáculos permitem simular em 1 quilômetro rodado o equivalente a 50 quilômetros na vida real. Verifica-se desgastes de peças, torção da suspensão, eficiência em frenagens, comportamento em aclives. A pista de avaliação de ruído é a única da América Latina com os padrões internacionais da norma ISO 10.844. A MAN dispõe de frota de cem caminhões e ônibus em testes por todo o país. Para Roberto Cortes, presidente e CEO da MAN Latin America, “o novo campo de provas chega para dar ainda mais eficiência a esse trabalho”.


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