Marcopolo e Randon apostam em 2018

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06/10/2017

À frente de Marcopolo e Randon, as duas maiores empresas de Caxias do Sul, RS, Francisco Gomes Neto e David Randon compartilham da visão de que o pior da crise econômica passou e projetam novos patamares de produção e vendas para 2018. Na opinião de Gomes e Randon, os números, no entanto, seguirão distantes dos melhores resultados, como os registrados de 2010 a 2014. Alcançar estes níveis, na verdade, exigirão talvez décadas.

 

CEO da maior fabricante de carrocerias de ônibus do Brasil, Gomes Neto falou em exaustão da crise. Lembrou-se que a Marcopolo sentiu mudanças positivas no segundo trimestre do ano, o que não se repetiu no terceiro em função do incêndio que destruiu a unidade de componentes plásticos e forçou uma parada de duas semanas na produção.

 

Gomes Neto assinalou que o mercado interno de ônibus caiu 60%, de 24 mil para 10 mil, de 2014 para 2016. “Foi uma crise dura”, definiu. Manifestou convicção de que o próximo ano será melhor, mas alertou: “A retomada depende de cada um de nós. Precisamos, cada vez menos, depender da atividade pública e dos políticos. Mas temos uma tarefa importante para 2018, a de escolher bem os futuros governantes”.

 

Uma das preocupações de Gomes Neto para 2018 é a desvalorização do dólar frente ao real em função da retomada da atividade econômica. Assegurou, no entanto, que a Marcopolo está preparada para enfrentar este cenário porque a estratégia é continuar exportando. “Foi muito penoso recuperar os espaços perdidos em anos anteriores”, argumentou.

 

De acordo com o executivo, as exportações cresceram 50%. “Para sermos competitivos, dependemos do câmbio, mas precisamos ter estratégias que diminuam esta influência”, recomendou. Em relação ao mercado interno, o CEO aponta os juros, ainda elevados, como obstáculo a ser superado. “Para comprar um ônibus, o cliente paga 14% de juros ao ano para uma inflação de 3%”, comparou.

 

Para fazer frente à crise, Gomes Neto destacou que a Marcopolo adotou políticas de redução de custos, incluindo o quadro funcional, e focou os investimentos em programas de melhorias e produtividade. A partir de sugestões dos colaboradores, foram feitas mais de sete mil melhorias. Segundo ele, os investimentos seguirão nesta mesma linha.

 

Recuo de 20 anos - David Randon, diretor-presidente da maior fabricante de implementos rodoviários do Brasil e de um conjunto de empresas fabricantes de autopeças, se disse otimista com o próximo ano. Ele destacou que, apesar da crise acentuada, o agronegócio se manteve aquecido e há necessidade urgente de renovação de equipamentos. “Voltamos 20 anos no tempo, isto não é normal. Por isso, a retomada terá de vir”.

 

Randon lembrou que o mercado doméstico de veículos pesados – reboques e semirreboques – caiu de 70 mil para 23 mil, de 2013 para 2016. Para recupera os níveis anteriores, o crescimento médio anual teria de ser de 25%. “É certo que, no curto prazo, não voltaremos sequer à metade do pico de vendas”, avaliou.

 

Para suportar a crise, a empresa também reduziu custos, inclusive com mão de obra, e priorizou os investimentos em produtividade, inovação, tecnologia e novos produtos. Um dos resultados é que os preços atuais dos produtos são os mesmos de dois anos atrás, mas os equipamentos tornaram-se mais leves para aumentar a capacidade de carga transportada. A estratégia será mantida para 2018. “Precisamos qualificar os investimentos, pois quando se tem dinheiro, se faz muitas coisas sem pensar. A crise força maior disciplina”, definiu. No entanto, reconheceu que o grupo analisa a possibilidade de aquisições e ingresso em novos negócios no setor.

 

Produtividade – Fazer mais com menos, buscando elevar a produtividade das fábricas e, consequentemente, ganhar competitividade interna e externa. Este é o grande desafio que se apresenta às empresas em geral, mas muito especialmente na indústria. Randon afirma que a automação estará cada vez mais presente na indústria, o que exige uma tomada de posição: “Ou nos adaptamos a isto ou seremos engolidos. Temos de encontrar novas formas para sobreviver”.

 

O executivo avalia que a Indústria 4.0 terá de ser incorporada rapidamente. Ele reconhece que os custos de aquisição dos sistemas ainda são caros, mas defende que a implantação deva ser feita por setores. De acordo com Randon, a tecnologia repercutirá no mercado de trabalho. Ele cita países desenvolvidos, onde houve o fechamento de 25% das vagas. “O que fazer para gerar novos empregos?”, questionou, acreditando que números formais de vagas, como os de 2010 e 2011, somente serão possíveis dentro de uma década.

 

Randon também defendeu a aprovação das reformas propostas pelo governo e cobrou menos burocracia. “Nas operações do Brasil empregamos mais na área contábil do que na engenharia. Nos Estados Unidos e na China, onde temos unidades, duas pessoas atendem a área contábil”.

 

Para Francisco Gomes Neto, CEO da Marcopolo, a produtividade não pode ser associada somente com mão de obra. Por experiência própria, pois atuou durante sete anos em empresa nos Estados Unidos, garantiu que o trabalhador brasileiro é tão eficiente quanto um estadunidense. A diferença está na tecnologia dos equipamentos. O problema, segundo ele, é que são produtos com preços inacessíveis à maioria das empresas nacionais. “Já existe espaço para incorporar as tecnologias eletrônicas e digitais, mas os conteúdos são muito caros. E não é algo de aplicação rápida. A primeira fase deste processo é trabalhar a base das empresas, eliminar desperdícios e organizar a fábrica com layouts modernos”, recomendou.