Brasil e Argentina se comprometem a padronizar seus veículos

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CompartilheComércio Exterior
12/12/2017

Os governos de Brasil e Argentina se comprometeram, no domingo, 10, durante evento da OMC, Organização Mundial do Comércio, em Buenos Aires, a criar conjuntamente uma legislação que tem como objetivo padronizar os veículos que são exportados de um país para outro e adotar medidas que eliminem entraves no comércio bilateral em outros setores.

 

Na prática as fabricantes deixariam de adaptar seus modelos às exigências do vizinho, procedimento conhecido no mercado nacional como tropicalização. De acordo com o MDIC, ambas as partes tratarão de formalizar documento, em 2018, que marque o início dos trabalhos técnicos.

 

A intenção dos parceiros, afora reduzir obstáculos e custos no comércio bilateral, é incrementar a competitividade de seus produtos e facilitar seus acessos em mercados globais. Com a medida os países sinalizam para uma caminhada de mãos dadas rumo aos negócios em blocos que interessam ao Mercosul, como a Europa, por exemplo. O ministério informou, por meio de nota, que “os trabalhos demandarão um cronograma extenso de atuação de técnicos dos dois países, não havendo prazo definido para execução da convergência regulatória”.

 

Compartilharem os mesmo veículos facilitará sua aceitação em países que possuem normas mais rígidas no campo da segurança, de acordo com Antônio Jorge Martins, professor da FGV, Fundação Getúlio Vargas, e especialista em cadeia automotiva: “Mais do que adequarem seus produtos de forma a tornar menos complexo o comércio bilateral que desempenham, Brasil e Argentina deverão adequar seus veículos, em um segundo momento, às necessidades de mercados avançados. Agindo em bloco são mais competitivos”.

 

Uma atuação conjunta é algo almejado pela indústria dos dois lados e não foi raro, este ano, presidentes de companhias e a Anfavea apontarem para a unificação como forma de aumentar a competitividade local. A General Motors, maior fabricante do mercado brasileiro, consolidou a operação dos dois países e nomeou o argentino Carlos Zarlenga para dirigir os negócios da companhia na região. Em junho, durante seminário AutoData Tendências e Negócios, o executivo já sinalizava para os benefícios que seriam conquistados caso os países atuassem em conjunto: “É preciso ver Brasil e Argentina como um mercado único. Com uma política única se melhora a eficiência”.

 

A construção do Rota 2030, a nova política para o setor automotivo que substituirá ao Inovar-Auto, tinha em conta quando de sua concepção a criação de mecanismos que estreitassem as relações de empresas brasileiras e argentinas. Em agosto, conforme antecipou AutoData, Antonio Megale, presidente da Anfavea, afirmou que os dois lados discutiam a harmonização das legislações técnicas para o setor de cada país: “Pensar uma indústria regional é importante até para as negociações de livre-comércio do Mercosul com a União Europeia”.

 

Do lado argentino a reciprocidade das intenções brasileiras se deu, talvez de forma indireta, nas medidas do seu governo em aumentar a quantidade de álcool na nafta que move a maioria dos automóveis argentinos. Com este cenário a FCA se mostrou confiante na possibilidade de aumentar as vendas de seus veículos flex ali, incrementando o volume de suas exportações. De acordo com João Irineu Medeiros, diretor de assuntos regulatórios da FCA, em julho, “nossos motores flex conseguem trabalhar com uma mistura que varia de 22% a 90% de etanol. Com 20% já é possível embarcar veículos que dispensam calibração”.

 

Foto: Marcos Corrêa/PR.