Mercedes-Benz ocupa linha de produção 4.0. De R$ 500 milhões.

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A Mercedes-Benz anunciou na terça-feira, 27, o início das operações da nova linha de montagem instalada na fábrica de São Bernardo do Campo, SP , que consumiu R$ 500 milhões do último ciclo de investimento, encerrado no ano passado. O espaço, considerado como o mais moderno da empresa no mundo, ajudará a sustentar crescimento de 30% na produção projetado para o ano com base no aumento da demanda interna e pelas exportações. Diante do cenário a companhia contratou 250 funcionários para a unidade paulista e oitenta para a de Juiz de Fora, MG.  

 

Ainda que seja esperado um volume maior de vendas para o ano é cedo para falar sobre a abertura de um segundo turno nas fábricas Mercedes-Benz no País. Segundo Philipp Schiemer, presidente da Mercedes-Benz do Brasil e CEO da América Latina, é preciso observar como reage o mercado ao longo de um ano marcado por eleições e recorrentes discussões em torno das reformas:  

 

“Com um turno apenas conseguimos atender ao volume de pedidos que temos atualmente, até porque com a fábrica remodelada melhoramos os níveis de produção. Capacidade não é um problema. Entretanto, para se abrir mais um turno é preciso esperar para ver como se comporta o mercado diante do quadro político. Esperamos que as reformas garantam o crescimento”.

 

Mas ele não descartou aumentar a produção já no segundo semestre: “Caso se confirme um ritmo de crescimento que garanta os 30% projetados é algo muito possível de acontecer a partir de julho”.  

 

Atualmente tanto a fábrica do ABC Paulista quanto a de Juiz de Fora, onde é produzido o modelo Actros e são feitas as operações de soldagem e pinturas das cabines, operam em um turno. Somadas as capacidades Schiemer disse que é possível produzir 40 mil veículos/ano, em mix formado por 70% de caminhões e por 30% de chassis de ônibus.

 

As contratações anunciadas começarão a ser feitas no início de abril. Com os novos postos a fábrica de São Bernardo passa a ter 8 mil funcionários, e setecentos em Minas. A conta também leva em consideração o retorno de 350 funcionários que estavam em regime de lay-oï¬EUR ao trabalho nas duas fábricas.

 

EXPORTAÇÕES – Ainda que a empresa enxergue em 2018 mais oportunidades de vendas ao mercado interno foram os planos para as exportações na região da América Latina que motivaram a companhia a aplicar dinheiro em expansão e modernização da fábrica. Schiemer destacou a participação da Mercedes-Benz no mercado externo, sobretudo o desempenho de vendas da linha de modelos médio e semipesados Atego.  

 

Com a nova fábrica, que traz em seu projeto conceitos da Indústria 4.0, a empresa espera aumentar o número de exportações e passar a produzir aqui, por exemplo, motores Euro 6, que demandam linha de produção atualizada com o que existe de mais recente em termos de processos e automação, de acordo com Schiemer: “Investir em uma linha mais moderna eleva o padrão de qualidade dos veículos”.  

 

A expectativa em torno das exportações é grande e é esperado, este ano, destinar 40% da produção ao mercado externo, a mesma faixa registrada em 2017, quando as exportações de veículos no País bateram recordes de volume mensalmente. Em 2014, as exportações representaram 10% da produção.  

 

Scania e Volvo, empresas que nos últimos anos transformaram suas fábricas em plataformas exportadoras, chegaram a operar recentemente com uma participação de 40% da produção para exportações. A Argentina segue como principal destino dos veículos M-B produzidos aqui, disse o presidente. A empresa também fornece motores Euro 5 para a Alemanha e para os Estados Unidos.  

 

Há em curso um trabalho de busca por novos mercados, que envolve regiões da própria América Latina, Ásia e Oriente Médio: “Precisamos voltar a buscar oportunidades no Exterior, mas é preciso antes diminuir a fatia das empresas que já estão nestes mercados há mais tempo, como é o caso das empresas chinesas no Oriente Médio, por exemplo”.

 

A FÁBRICA – A nova linha de produção da Mercedes-Benz em São Bernardo do Campo, que nasceu a partir de parte do investimento aplicado nos últimos cinco anos pela empresa no País – R$ 1 bilhão de 2013 a 2017 –, é considerada a mais moderna de todas as unidades MercedesBenz no mundo, disse Schiemer: “É natural que toda linha mais nova do grupo seja a mais moderna. Esta de São Bernardo contou com a colaboração de equipes de outras unidades”.  

 

Ainda que já esteja em funcionamento o executivo disse que a unidade poderá consumir também parte do investimento de R$ 2,4 bilhões anunciado até 2022. Uma parte menor, uma vez que boa parte do aporte será utilizado para o desenvolvimento de novos produtos.  

 

Em um espaço onde antes funcionava área de logística a companhia construiu uma única linha onde passarão a ser fabricados todos os modelos: o Axor será produzido na nova linha a partir de junho. Antes a produção era feita em duas linhas, em outro prédio, onde eram divididas as montagens de leves e médios.

 

A unidade foi concebida de acordo com os conceitos da indústria 4.0: máquinas e componentes conectados e novos níveis de automação. Exemplos de aplicações que estão presentes na nova fábrica são o acesso remoto aos dados referentes à produção e vendas. Novas máquina e ferramentas diminuíram em 15% o tempo médio de produção de um veículo, de 100 horas para 85 horas.  

 

A linha também é ï¬,exível, ou seja, pode produzir todo e qualquer modelo independente da configuração que tenha sido definida no momento da compra. Automação também é outro destaque. Veículos guiados automaticamente, AGV, fazem o transporte de peças e dos chassis ao longo de toda a produção. São 66 atuando tanto na fábrica do ABC quanto em Minas Gerais.

 

AÇO – Tema recorrente na indústria nacional este ano a possibilidade de aumento do preço do aço, principal insumo do setor automobilístico, por parte dos maiores produtores mundiais parece não preocupar tanto a Mercedes-Benz: “Os anúncios de sobretaxa do insumo na China e nos Estados Unidos não nos afetam. O aumento do aço no mercado interno feito ano passado e no começo deste ano, sim, estes reï¬,etiram na nossa operação”.  

 

Philipp Schiemer afirmou que, afora ligas especiais aplicadas em pontos específicos do chassis dos veículos, o aço utilizado na produção tem origem nacional. Não descartou, contudo, a utilização de aços provenientes de mercados que praticam o que ele chamou de “preços mais competitivos”.  

 

Foto: Divulgação