A fábrica do futuro já está na nuvem

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DE HANNOVER, ALEMANHA – IoT, ou internet das coisas, fábrica digital, indústria 4.0. No Brasil algumas iniciativas utilizando tecnologias e soluções a partir desses conceitos inovadores já estão no chão de fábrica, como, por exemplo, na Volkswagen Anchieta e na unidade da Mercedes-Benz, as duas em São Bernardo do Campo, SP. Mas nada do que temos por aqui se compara com o que vem por aí e foi apresentado esta semana na Hannover Messe, a maior feira de tecnologia industrial do mundo, que vai até a sexta-feira, 27.

 

São 26 pavilhões e mais de 5 mil expositores de 75 países oferecendo uma visão mais clara e efetiva da aplicação de tecnologias e soluções que prometem revolucionar a indústria, não só a automotiva: aeroespacial, naval, de energia, alimentos e bebidas, a indústria química e até campos de futebol estão passando por profunda transformação com foco na eficiência total, na relevante redução de custos desde os primeiros projetos de desenvolvimento até o produto final, na predição de falhas e correção online da manufatura.

 

Realmente é complexo visualizar tamanha transformação, mas talvez o gramado do estádio Allianz Arena, do clube Bayer, em Munique, Alemanha, possa servir de exemplo para a compreensão de como a indústria está rapidamente se movendo. Por meio de sensores por todo o estádio, inclusive no gramado, são analisadas diversas condições, como temperatura, umidade do ar, nutrientes que podem estar em falta ou em demasia na terra e até possíveis sombras da estrutura que prejudicam a qualidade em alguns pontos do tapete verde do Allianz Arena.

 

Esses dados são enviados para uma plataforma na nuvem, armazenados e processados para rapidamente devolver um diagnóstico de qual tratamento deve ser dado a cada centímetro do campo de futebol. Com todas essas informações o responsável por cuidar do gramado sabe se há risco de surgir fungos que comumente atacam a grama do estádio e pode programar a quantidade exata de nutrientes ou de água que devem ser aplicados diariamente para manter a máxima qualidade do tapete pelo qual desfilam grandes estrelas do futebol alemão e mundial.

 

Este é o case exposto pela Siemens em Hannover para mostrar sua plataforma MindSphere, um ambiente na nuvem capaz de armazenar, controlar e gerar dados às empresas digitalizadas para quase todas as atividades que ainda não estão 100% conectadas hoje. É um ambiente seguro e colaborativo, que possibilita também a integração de soluções criadas por diversas empresas, startups e parceiros que trabalham nesse novo e promissor segmento da indústria da tecnologia.

 

“Esta é a indústria 4.0. Estamos há apenas cinco anos desenvolvendo tecnologias, equipamentos e softwares para todas as atividades industriais", disse Klaus Helmrich, do conselho de administração da Siemens AG durante a feira. "Esse processo será acelerado agora com a versão 3.0 da MindSphere e estamos prontos para oferecer uma solução inovadora. Por isso nosso lema na Hannover Messe é: Empresa Digital, implemente agora.”

 

No setor automotivo a plataforma MindSphere está sendo utilizada em todas as etapas de desenvolvimento, configuração da fábrica para um novo produto e durante a sua fabricação. Empresas como Daimler, Volkswagen, Nissan e Volvo já trabalham na nuvem para tornar mais eficiente esses processos.

 

Segundo a experiência acumulada pela Siemens com o que também é chamado de gêmeo digital [utilização de softwares customizados, grande capacidade de processamento e colaboração em rede dentro da nuvem], reduziu-se em 50% o tempo de colocação no mercado de um novo produto. Com o desenvolvimento sendo feito de forma digital é possível configurar rapidamente a estrutura de veículos para utilizar motores a combustão ou elétricos, por exemplo.

 

Em 98% dos processos na cadeia de produção [que em países como a Alemanha são bastante automatizadas] a programação para um novo produto pode ser rapidamente simulado e atualizado nas máquinas da fábrica de um escritório. E, ainda segundo a Siemens, por meio das análises constantes e geração de dados na MindSphere prevê-se 99% dos possíveis erros que possam ter a possibilidade de ocorrer em qualquer linha de montagem conectada.

 

Sobre os objetivos da estratégia da Siemens para o MindSphere Helmrich sugeriu uma reflexão com olhar para o futuro, que pode ser o presente para muitas empresas: “É uma representação holística da cadeia de valor para todas as indústrias. Este é o salto que estamos propondo”.

 

Brasil – Como todo o processo de transformação da indústria depende, sempre, da demanda criada pela necessidade dos clientes no caso automotivo -- as montadoras e seus fornecedores -- a utilização dos gêmeos digitais na cadeia produtiva pode esbarrar nos altos custos envolvidos para sua integração total.

 

Naturalmente essas tecnologias serão adotadas primeiro na Europa, Estados Unidos e China. Representantes chineses formavam a maior delegação presente na Hannover Messe, que espera mais de 200 mil visitantes.

 

Mas o processo de digitalização já começou no Brasil e a tendência é o crescimento do interesse das empresas por maior eficiência, redução dos custos e outros benefícios que essas tecnologias oferecem, segundo José Borges Frias Júnior, diretor de estratégia e excelência empresarial da Siemens: “São diversas etapas que podem ser aplicadas nas indústrias. Esses investimentos podem ser divididos pelos projetos selecionados pelos clientes”.

 

Fotos: Divulgação.