E vem aí cavalaria ligeira sobre Anfavea

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São Paulo - Antes que o vento vença a curva da avenida Ibirapuera, no bairro de Indianópolis, em São Paulo, despejará incômoda notícia na altura do número 496, onde se localiza a Anfavea: é a Fenabrave informando que requererá a abertura de conversações bilaterais em busca da discussão de uma nova Convenção de Categorias Econômicas, nunca reformulada desde meados dos anos 80 do século passado. A causa é, basicamente, “a falta de respeito a que chegou a indústria, diante de seus concessionários, no seu processo de vendas diretas”, contou, na terça-feira, 27, fonte relativamente próxima dos fatos.

 

A Convenção de Categorias Econômicas deveria reger, institucionalmente, as relações de fabricantes com concessionários, e vice-versa, por meio de suas entidades de representação, Anfavea e Fenabrave – “mas está defasada em vários pontos, inclusive, e principalmente, com relação à liberdade dos fabricantes de vender veículos independente da atuação do concessionário”.

 

Na segunda-feira, 26, durante reunião ampla da diretoria da Fenabrave, o assunto foi discutido quase à exaustão – uma profunda mudança de atitude, pois nos últimos anos a diretoria da Fenabrave nem reconhecia a escalada das vendas diretas como a demonstração de um problema para os revendedores de veículos. Mas a entidade tem vivido ares distintos nestes meses mais recentes, ouve-se mais as bases, contou a fonte, e a decisão da reunião foi a urgente realização de assembleia geral, com a presença de todas as associações filiadas, e o certo envio de carta formal à Anfavea requerendo a abertura de discussões.

 

Neste novembro em particular o índice médio dos emplacamentos correspondentes às vendas diretas, até a segunda-feira, 26, chegava a 48%. Segundo a fonte “empresas como Renault, Fiat, General Motors e Volkswagen chegam ao escândalo de levar suas vendas diretas a patamares ainda mais altos, próximos dos 70%”.

 

A fonte acredita que o índice médio do mês possa superar os 50% diante do esforço conjunto da indústria de fechar novembro com mais de 230 mil unidades produzidas.

 

História – Depois de instituída por meio da Lei 6 729, de 28 de novembro de 1979, a Lei Ferrari, a Convenção de Categorias Econômicas somente tornou-se ser vivente em 16 de dezembro de 1983, graças aos esforços de dois profissionais de reconhecido valor para a vida associativa, André Beer, presidente da Anfavea, e José Edgard Pereira Barretto Filho, presidente da Abrave, a entidade que antecedeu a atual Fenabrave.

 

Também assinou o termo, na presença do ministro da Indústria e do Comércio, José Camilo Pena, o presidente de honra da Abrave, Renato Ferrari. Trata-se de documento de 44 páginas redigido em espaço 2 dividido por 27 capítulos.

 

Desde a promulgação da Lei Ferrari os concessionários pressionavam a Anfavea para discutir a Convenção – assunto pelo qual a entidade das empresas fabricantes não nutria nenhuma simpatia. Pois, para as empresas associadas à Anfavea, historicamente, e de acordo com sua postura economicamente liberal, o Estado não deveria intervir nas suas relações com empresas às quais concediam a concessão para comercializar e para reparar veículos em seu nome.

 

Foi a habilidade de líderes como o então presidente Pereira Barretto Filho que, afinal, conseguiu convencer André Beer, e as as empresas fabricantes, a enviar seus representantes para a negociação.

 

Imagem: Artista Desconhecido.