GM: sem colaboração, nada de investimento.

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22/01/2019

São Paulo – Ninguém utilizou a expressão fechamento-de-fábrica durante a reunião que a diretoria da General Motors Mercosul manteve, na terça-feira, 22, com representantes dos sindicatos de metalúrgicos de São José dos Campos e de São Caetano do Sul, SP, e os prefeitos dessas cidades. Mas a ideia esteve implícita durante o encontro, por meio do discurso do presidente Carlos Zarlenga, que, em comunicado aos trabalhadores na semana passada, chegou a ameaçar encerrar as operações na América do Sul.

 

Aos presentes foi dito que a GM pré-aprovou com a matriz um novo ciclo de investimento para as duas unidades, destinado à produção de novos modelos – a partir de 2021 no ABCD Paulista e de 2022 no Vale do Paraíba. Para sair do papel, porém, governo, fornecedores, rede de revendedores e trabalhadores precisam ceder um pouco para colaborar com a companhia, que passa por processo global de reestruturação. Caso contrário os aportes tomariam outro rumo. E, sabe-se, o futuro de quem não receber novos investimentos não é dos mais promissores.

 

Com os governos estadual e municipal as negociações estão bem avançadas – na esfera federal, de cuja nova equipe econômica a GM também bateu na porta, uma fonte confidenciou a AutoData que “vão dar com os burros n’água”.

 

Segundo o secretário de inovação de São José dos Campos, Alberto Marques Filho, há boa vontade da administração municipal em colaborar com a companhia. O prefeito de São Caetano do Sul também prometeu estar alinhado com as suas necessidades. De parte do Estado paulista estão sendo estudados incentivos fiscais, conforme revelou reportagem do jornal Valor Econômico.

 

A rede de revendedores fez a sua parte ao acordar ceder 1 ponto porcentual da sua lucratividade em reunião extraordinária na sede da Abrac, em 27 de dezembro, a pedido expresso da diretoria da companhia. E com os fornecedores as negociações são constantes.

 

Resta, então, amolecer os trabalhadores. A missão não será fácil, embora os representantes dos sindicatos tenham dito, na reunião, que estão dispostos a negociar e a flexibilizar alguns itens. Logo após esse encontro, iniciado às 11 da manhã, diretores da GM e do sindicato de São José dos Campos tornarão a sentar-se à mesa. Na quarta-feira, 23, será a vez dos metalúrgicos de São Caetano do Sul. Os de Gravataí, RS, e Joinville, SC, também têm conversas agendadas para o mês que vem.

 

A negociação com os trabalhadores de São José dos Campos ainda não havia sido encerrado até o fechamento dessa reportagem. Os termos propostos pela GM deverão ser revelados aos 4,8 mil funcionários da fábrica que produz a picape S10 e o SUV Traiblazer em assembleia na quarta-feira, 23.

 

O sindicato é conhecido por endurecer as negociações – tanto que a unidade ficou fora do último ciclo de investimento em novos produtos, que começam a ser lançados no mercado este ano. Desde 2010 a fábrica não recebe aportes para produção de novos veículos e, inclusive, deixou de produzir o Classic nesse período.

 

O sindicato diz, em nota, ser “contra qualquer plano de que envolva demissões e flexibilização de direitos”, embora esteja aberta a negociações. Um dos pontos defendidos pela diretoria é a garantia de estabilidade para todos os trabalhadores: “A General Motors é líder de mercado e não há qualquer motivo que justifique o fechamento de fábricas”.

 

Procurada pela reportagem representante da área de comunicação social da GM disse que a empresa não se manifestará sobre o assunto.

 

Colaborou Bruno de Oliveira

 

Foto: Divulgação.