T-Cross seguirá para além da América Latina

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19/02/2019

São José dos Pinhais, PR – O Volkswagen T-Cross, produzido em São José dos Pinhais, PR, será exportado para quase cinquenta países. Além dos tradicionais da América Latina – 29, incluindo o Brasil, nas contas do presidente Pablo Di Si – o modelo cruzará, a partir de 2020, o Oceano Atlântico em direção aos continentes africano, asiático e até europeu.

 

Di Si citou mercados como Argélia, Egito e Turquia como futuros destinos. O plano de exportação do T-Cross tornou-se viável graças a algumas particularidades da fábrica paranaense, como a proximidade e a facilidade logística com o porto de Paranaguá e o programa de repasse dos créditos de ICMS do Estado, facilitado por um acordo com o governo local. Em São Paulo, por exemplo, esses créditos estão represados – a Anfavea calcula que toda a indústria tem a receber cerca de R$ 6 bilhões e a Volkswagen, como grande exportadora, tem direito a importante fatia desse bolo.

 

Para produzir o seu primeiro SUV nacional a Volkswagen confirmou a reabertura do segundo turno no Paraná, com o retorno de quinhentos trabalhadores do lay off, a partir de abril.

 

Investiu R$ 2 bilhões na unidade, aplicados na construção de uma nova área de 5,5 mil m² para a armação da carroceria, com equipamentos de última geração, conceitos da Indústria 4.0, equipamentos de solda a laser e 239 robôs. Na estamparia foram instaladas 158 novas ferramentas e a pintura ganhou nova programação para poder aplicar as cores do T-Cross. O SUV é montado sobre a plataforma MQB, de onde também saem o VW Golf e os Audi A3 Sedan e Q3.

 

Neste primeiro ano a produção da fábrica tem como prioridade o mercado brasileiro. Durante cerimônia que celebrou os 20 anos de São José dos Pinhais e a inauguração da linha de armação da carroceria do SUV na terça-feira, 19, a empresa abriu a pré-venda do T-Cross. Em menos de uma hora 131 consumidores deram o sinal de R$ 5 mil para garantir uma das versões do modelo.

 

Di Si considera o lançamento um divisor de águas para a Volkswagen do Brasil. A companhia, enfim, competirá no segmento que mais cresce do mercado brasileiro com um produto produzido localmente. Seu objetivo é colocar o T-Cross como o segundo SUV compacto mais vendido do País – seus principais concorrentes são Honda HR-V, Hyundai Creta, Jeep Renegade e Nissan Kicks.

 

O presidente Di Si não esconde almejar para a Volkswagen o topo do pódio do mercado nacional, mas agora faz ressalvas: “Não buscamos a liderança a qualquer custo. Não transformaremos de 50% a 60% do nosso volume em vendas diretas.”

 

Nacionalização - O T-Cross sai das linhas com 70% de índice de nacionalização. Di Si estima elevar esse índice para 80% a 90% nos próximos dois ou três anos: “Há sistemas, como o câmbio automático, que são importados e mais difíceis de se localizar, mas itens de tecnologia, de alto valor agregado, abrem boas oportunidades”.

 

Na unidade paranaense são produzidos também modelos Audi, o VW Golf e o VW Fox. Segundo Di Si não há planos de tirá-los de linha – mas, para o início de montagem do T-Cross, a produção do Golf foi interrompida: “Fizemos alto estoque nos últimos meses para manter o foco no novo modelo”.

 

A fábrica da Volkswagen-Audi foi inaugurada em 18 de janeiro de 1999, com Audi A3 e Golf sendo os primeiros modelos a entrar nas linhas de montagem. Desde lá já foram produzidos 2,6 milhões de unidades – 2 milhões de Fox . Com o retorno dos funcionários em lay off, em abril, empregará 2,6 mil trabalhadores diretos.

 

Foto: Divulgação.